Direto ao ponto

Trabalho remoto lidera

Novos estudos demonstram que o trabalho remoto continua predominando nos países desenvolvidos, por vários motivos

Compartilhar:

Depois de uma pandemia que fez saltar a proporção de americanos em trabalho remoto de 5% para 60%, muita gente achou que a vida no escritório logo retornaria a algo parecido com sua norma pré-covid. Mas não foi bem assim, pelo menos nos países desenvolvidos.

Nos Estados Unidos, a maioria dos funcionários de escritório permanece firmemente no “remote first”, passando a maior parte do tempo remunerado fora do escritório. Embora uma grande parte das pessoas tenha pouca escolha a não ser ir fisicamente para o trabalho, 40% de todas as horas de trabalho americanas agora são gastas em casa. De Turim a Tóquio, as áreas comerciais das cidades permanecem substancialmente mais silenciosas, em comparação com as residenciais. Os economistas estão tentando descobrir o que tudo isso significa para a produtividade.

Alguns fatores explicam por que o trabalho remoto continua dominante. Muitas pessoas continuam com medo de contrair o covid-19 e, portanto, desejam evitar os espaços públicos. Existe outra possibilidade intrigante, entretanto. O trabalho realizado em grande parte remotamente pode ser mais eficiente em comparação com um modelo que prioriza o escritório.

A maioria dos estudos sobre o assunto encontrou resultados positivos. Apenas 15% de quem trabalha em casa acredita que são menos eficientes trabalhando dessa forma do que eram nas instalações comerciais antes da pandemia. Um estudo da Statistics Canada descobriu que mais da metade dos “novos” trabalhadores remotos (ou seja, aqueles que normalmente trabalhavam fora de casa antes da pandemia) relataram ter concluído aproximadamente a mesma quantidade de trabalho por hora que antes, enquanto um terço disse que fez mais.

Há divergência entre os especialistas em relação aos motivos do aumento da produtividade no ambiente doméstico. Uma possibilidade é que os trabalhadores possam se concentrar mais facilmente nas tarefas do que em um escritório, onde a tentação de fofocar com um colega de trabalho é grande. Além disso, deslocar-se é cansativo.

Outro fator diz respeito à tecnologia. Trabalhadores remotos, por necessidade, confiam mais em ferramentas como Slack e Microsoft Teams. Isso pode permitir que os chefes coordenem as equipes de forma mais eficaz, quando a alternativa no escritório são instruções boca a boca, que podem ser facilmente esquecidas ou até mesmo mal- interpretadas.

## Experimentar para decidir

Um novo estudo da Nature Human Behavior, no entanto, sugere que as empresas têm boas razões para manter seus prédios de escritórios, mesmo que sejam usados ​​com menos frequência. O documento concluiu que o trabalho remoto torna as práticas de colaboração das pessoas mais “estáticas e isoladas”. As pessoas interagem mais com seus contatos mais próximos, mas menos com os membros mais marginais de suas redes, que podem lhes oferecer novas perspectivas e ideias. Isso provavelmente prejudica a inovação. O resultado é que equipes totalmente remotas podem se sair muito bem em curto prazo, mas acabarão sofrendo à medida que a inovação se esgote.

Qual a melhor forma de colaborar, então, em um mundo principalmente remoto? Muitas empresas presumem que é suficiente que todos venham ao escritório alguns dias por semana, pois isso fará com que as pessoas esbarrem umas nas outras e conversem sobre ideias. Outros dizem que os gerentes devem reunir as pessoas com o propósito expresso de discutir novas ideias. As empresas terão de experimentar à medida que se habituam a uma nova forma de trabalhar, e a disposição precisa pode variar dependendo do tipo de trabalho.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
6 de outubro de 2026 14H00
Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
6 de outubro de 2026 08H00
Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

9 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução