Transformação Digital, Estratégia
4 min de leitura
Oferecido por:

Transformação digital: a conexão humana é o primeiro passo para o sucesso

Este texto é uma aula de Alan Souza, afinal, é preciso construir espaços saudáveis e que sejam possíveis para que a transformação ocorra. Aproveite a leitura!
Gerente de inovação e transformação digital na Deal, consultoria de serviços de tecnologia e parceira estratégica para negócios em diversos estágios de maturidade digital. Atua na gestão das áreas do Núcleo de Inovação da Deal. O profissional é bacharel em Administração, especialista em estratégia, processos, agilidade , inovação e comportamento organizacional. Mais informações:

Compartilhar:

Muito se fala em transformação digital, mas poucos sabem o que realmente significa na prática. Embora o termo inclua “digital”, existem diferentes níveis de compreensão e nem todas as empresas que afirmam direcionar esforços para impulsionar inovações e garantir competitividade estão fazendo da forma mais adequada. Neste artigo, falarei um pouco sobre como as regras do jogo mudaram e qual é o novo bê-a-bá para as empresas se destacarem nesse universo.

Para pavimentar mais esse assunto, trago aqui um dado que comprova como a transformação digital vai guiar ainda mais o mercado nos próximos anos: os gastos globais desta área devem alcançar a marca de US$ 3,9 trilhões até 2027, de acordo com dados do Statista. Outro número importante, que mostra o grande potencial desse setor, é que organizações com um diretor digital engajado têm 1.6 vezes mais chances de alcançar uma evolução digital bem-sucedida, conforme destaca a consultoria McKinsey.

O conceito de transformação digital para ampliar a percepção de todos pode ser dividido em três fases: a primeira, chamada de digitização, em que as empresas migram do analógico para o digital; a digitalização, onde a tecnologia é utilizada para otimizar processos e melhorar a experiência do cliente; e, por fim, a transformação digital propriamente dita. Essa última ocorre quando as organizações já estão totalmente imersas no digital, utilizando a tecnologia como parte integrante, como base do seu modelo de negócio ou até mesmo criando novos negócios digitais.

Independente da fase em que cada empresa se encontra é essencial lidar com o elo fundamental que garante a evolução contínua: pessoas.  

Inovação demanda tempo e gente

Atuo há mais de dez anos com estratégia corporativa, conectando-a gradualmente com os macrotemas de inovação e transformação digital. Percebo que as empresas buscam um equilíbrio de curto, médio e longo prazo para aplicá-los na prática, e muitas delas ainda projetam suas visões em um lapso de tempo entre cinco e dez anos. No entanto, garantir previsibilidade de resultados nesse ciclo de tempo, em um mundo cada vez mais dinâmico, pode gerar grandes frustrações. Isso demanda uma estratégia ambidestra, em que, apesar de buscarmos resultados de longo prazo, as empresas devem começar a agir desde já, ou seja, focar no agora e manter uma estratégia flexível o suficiente para se adaptar às mudanças, conforme o comportamento do mercado também muda.

Porém, a realidade de boa parte das organizações é que a alta gestão deseja resultados de curto prazo, especialmente quando o tema é inovação. Esse ainda é um desafio para a maioria, pois é necessário estabelecer um ambiente propício, onde a experimentação é valorizada, o potencial das pessoas é explorado, e, como já dizia Steve Jobs: “É preciso aceitar o erro como parte integrante do aprendizado”.

Ou seja, trabalhar uma cultura de inovação contínua demanda criar espaço para que ela aconteça de verdade. Em outras palavras, é preciso dedicar tempo, algo que se tornou ainda mais valioso, pois envolve modelagem comportamental, desenvolvimento de uma nova mentalidade, garantia de que exista a governança adequada dos processos, e ainda não perder de vista os objetivos do negócio. Haja equilíbrio. 

E com a transformação digital não é diferente. Quando se espera um resultado imediato, pode ocorrer um choque organizacional profundo se esses aspectos não forem considerados. As empresas fazem planos estratégicos perenes para o longo prazo, porém inovação e transformação digital frequentemente precisam entregar resultados de curto prazo. Concorda que o alinhamento entre os tempos e movimentos precisa estar conectado? 

Desafios a superar

É aí que aparecem os principais desafios, o maior deles é a maturidade comportamental. Assim, ter aversão ao erro, que é um pilar importante, também é outra dificuldade. E, por incrível que pareça, a falta de clareza do resultado que se busca também é um obstáculo comum. Associado à ausência de comunicação e transparência, uma vez que geralmente uma pequena parcela de gestores sabe o que se quer almejar, excluindo do contexto quem vai colocar a mão na massa no dia a dia.

Por isso, mesmo que a transformação digital exija apoio ferramental, é preciso, antes, trabalhar “gente”. Ao olhar esse panorama, o reflexo é imediato em todas as esferas processuais, elevando inclusive o resultado quantificável. No entanto, para criar mais conexões, é preciso saber lidar com atritos. O que, por sua vez, demanda energia e desgaste, gerando as adversidades já citadas.

Mitigando impactos negativos

Algumas perguntas precisam ser respondidas, antes de implementar novas tecnologias como a Inteligência Artificial, uma das principais tecnologias emergentes do momento, ou qualquer outra ferramenta tecnológica: saber o que se deseja com a transformação digital. O que se quer trabalhar? De que forma? E qual é o alvo a ser alcançado com a união de transformação digital, estratégia e inovação?

Para respondê-las, voltamos ao fator humano, sendo o primeiro passo manter o cliente no centro e entender as suas necessidades. É com base no comportamento do mercado que se direcionam as estratégias. 

Além disso, as estratégias precisam acontecer simultaneamente. E, em paralelo, preparar as lideranças para equilibrar comportamento e técnica ao aplicar os três fatores presentes no título desta reflexão. 

Somado a isso, nas empresas, comumente as pessoas são engolidas pelas rotinas. E, para inovar, é preciso criar um espaço saudável para discutir todos esses pontos. Tudo isso passa por um modelo de gestão de mudança para conduzir de forma assertiva o processo de transformação digital. O ADKAR é um deles, envolvendo os seguintes pilares: Awareness (Consciência), Desire (Desejo), Knowledge (Conhecimento), Ability (Habilidade) e Reinforcement (Reforço). Quando se quebra algum desses passos, o resultado pode ser diferente do esperado. Às vezes, a resistência à mudança da equipe reside justamente na falha de aplicação de um desses métodos.

Estratégia é só um caminho para viabilizar o sucesso

É essencial, portanto, garantir um equilíbrio entre objetivos financeiros, de mercado e clientes, de processos e de pessoas. Assim, há consistência no que se vai fazer em médio e longo prazo. 

No fim das contas, inovação é sobre consistência, não intensidade, quando apoiada em estratégia e transformação digital. Assim, é melhor fazer algo bem feito para se chegar a um efeito desejado, sempre colocando as pessoas e trabalhando seu comportamento na base de tudo. Porque antes de se querer o “novo” em seu negócio, faça o básico. Somente assim será possível alcançar o sucesso.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de setembro de 2026 14H00
Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

Alexandro Ferreira de Souza - Superintendente de Planejamento Econômico e Financeiro da Termomecanica

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de setembro de 2026 08H00
Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Fulvio Mascara - Head global de inovação da Foursys

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
21 de setembro de 2026 14H00
Da carta assinada por milhares de pesquisadores aos recentes pedidos de desaceleração feitos por líderes da OpenAI, Anthropic e DeepMind, cresce o debate sobre os riscos e os limites da inteligência artificial. O desafio talvez não seja decidir se devemos continuar avançando, mas descobrir como fazê-lo sem perder o controle do rumo que estamos escolhendo.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução