Vale Ocidental

Um corpo em equilíbrio

A pandemia provocou o fechamento de muitas academias de ginástica, mas o mercado já se reorganiza com produtos para exercitar-se em casa
__Ellen Kiss__ é empreendedora e consultora de inovação especializada em design thinking e transformação digital, com larga experiência no setor financeiro. Em agosto de 2022. após um período sabático, assumiu o posto de diretora do centro de excelência em design do Nubank.

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Antes da Covid-19, o mercado de fitness apresentava acelerada expansão, como demonstrou o Relatório Global da IHRSA 2019, em que a receita da indústria de academias no mundo totalizou US$ 96,7 bilhões. Contudo, embora a pandemia tenha forçado o fechamento de instalações de ginástica em todos os países, esse movimento proporcionou a onda do fitness doméstico.

Nos Estados Unidos, a vertical decolou há dois anos, quando startups elaboraram formas mais convenientes para que os clientes se exercitassem em casa adequadamente. A Peloton tornou-se a principal fabricante de equipamentos de ginástica do mercado, lançando primeiro sua bicicleta conectada, que rapidamente ganhou muitos seguidores, e depois a esteira, em 2018. Com o sucesso, alcançou mais clientes do que a principal rede de academias de spinning, a SoulCycle, e conquistou uma taxa de retenção mais alta do que a Equinox, outra importante cadeia de ginástica norte-americana.

Seguindo o caminho da Peloton, diversas startups lançaram promissores equipamentos para a prática de exercícios em casa. A última a fazer barulho foi a Mirror, com sede em Nova York e criada por uma ex-dançarina do balé da cidade. A empresa trouxe ao mercado um espelho de LCD, o qual permite que as clientes acompanhem aulas de ginástica ao vivo ou sob demanda em suas casas. Operado por um aplicativo e semelhante a um espelho comum, pode ser colocado em qualquer ambiente, mesmo num espaço reduzido. São mais de 20 mil aulas das mais diversas modalidades, como dança, ioga, core, alongamento, entre outras.

O mercado é tão aquecido que a Mirror levantou US$ 72 milhões em investimentos em 2018 e foi vendida dois anos depois para a Lululemon, marca de luxo em roupas esportivas, por US$ 500 milhões. A aquisição encaixa-se nas ambições da Lululemon de se tornar uma plataforma para clientes que desejam um estilo de vida saudável e consciente.

Outros dois exemplos são os equipamentos Tempo e Tonal, com foco em treinos funcionais que apostam em interatividade e inteligência artificial. O Tonal apoia-se num sistema de levantamento digital de pesos pioneiro, que utiliza energia eletromagnética para fornecer até 200 libras de resistência. A tela permite que você veja o treinador enquanto ele rastreia seus exercícios e usa IA para observar e corrigir sua postura por meio de 17 sensores diferentes – exatamente como um personal trainer faria ao vivo. Assustador, mas revolucionário.

Apesar dos preços ainda elevados, visto que os aparelhos variam entre US$ 1 mil e US$ 4 mil, especialistas dizem que a academia doméstica apresenta uma barreira muito baixa para qualquer treino, afinal, ela está pronta para uso a qualquer momento. Já que o tempo é apontado como razão para que muitos não façam exercícios, eliminar a necessidade de “encontrar esse tempo” é diferencial fundamental.

Se, na última década, assistimos ao boom das academias boutiques, com treinos personalizadas e espaços sofisticados, é possível que os próximos dez anos sejam marcados pelas inovações no setor de fitness in home, graças à tecnologia e à pandemia.

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