Inovação
0 min de leitura

Um dedo na prosa e outro no pagamento

Hábitos culturais e volume de usuários dão protagonismo ao Brasil na evolução de serviços financeiros por aplicativos de mensageria
Diretor de Soluções Financeiras e do Ecossistema de Pagamentos na Blip. Economista com MBA na FGV. Foi responsável pelo desenvolvimento de produtos na área de tecnologia financeira, idealizador do cartão PagSeguro para o pequeno varejo, participou do IPO do PagSeguro e Banco BMG.

Compartilhar:

Pagamento

Nos últimos dez anos, o mercado brasileiro absorveu muita tecnologia financeira no ecossistema de aplicativos de mensagem. Isso ajudou a qualificar o país como um dos maiores mercados conversacionais do mundo. Estamos um passo à frente de países como a Índia, por exemplo, que tem muitos usuários potenciais de aplicativos, porém com menos apetite para trocar mensagens. Em terras tupiniquins, trocamos quatro vezes mais mensagens de voz que qualquer outra nação, como aponta a Meta.

Grande parte dos brasileiros que tem um celular usa aplicativos de mensagem para se comunicar, sendo o WhatsApp o mais popular, com 98% das pessoas com o app instalado no smartphone, de acordo com pesquisa da Mobile Time/Opinion Box. O volume de pessoas combinado a hábitos digitais, culturais e ao amadurecimento do uso de serviços financeiros tornam nosso país uma referência global em meios de pagamento. 

O Brasil é e sempre foi referência quando enxergamos o sistema financeiro, que tem um legado nitidamente reconhecido globalmente. Junto com essa referência, temos um outro pilar muito importante e que nos traz bastante diferenciação: a atuação do Banco Central (BC). O órgão regulador tem contribuído de uma maneira avassaladora na jornada de digitalização e inclusão financeira para boa parte da população. 

Um exemplo é o Pix, que está conseguindo mudar a cadeia de valor do sistema financeiro, trazendo inclusão, abrangência, escalabilidade e, principalmente, inovação. Outra inovação recente anunciada pelo BC é a regulamentação para o serviço de iniciação de pagamento sem redirecionamento, ou seja, criar condições para que a oferta do Pix ocorra em carteiras digitais com recursos de pagamento por aproximação.

O brasileiro gosta de uma prosa, tem facilidade em se comunicar por meio de aplicativos, e o crescente uso do WhatsApp no âmbito dos negócios é indiscutível. Somos, de fato, um país conversacional e temos uma forte inclinação para interações pessoais, no entanto, na esfera financeira, o processo precisa ser fortalecido para que mais empreendedores e consumidores adotem o WhatsApp como meio de pagamento. 

Cabe ressaltar que o fortalecimento dessa jornada não é um papel exclusivo do WhatsApp, é um dever de casa de toda a indústria de pagamentos. Com a evolução das tecnologias de autenticação e o aumento da familiaridade com a ferramenta conversacional para outras funções comerciais, essa virada ocorrerá naturalmente e muito em breve, mas é preciso lidar com os desafios nessa trajetória.

Um dos fatores determinantes para a adoção do WhatsApp como meio de pagamento é a sua usabilidade. Ninguém precisa de treinamento para usar o aplicativo, sua adoção é democrática e acontece em larga escala. São usuários de diferentes faixas etárias e classes sociais. Além disso é uma aplicação inclusiva para aqueles que não tiveram condição ou oportunidade de serem alfabetizados, graças aos recursos de áudio e imagem que ajudam nessa inclusão.

Outro facilitador é a cultura de transações bancárias pelo celular. O 2° volume da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2024 (ano-base 2023), realizada pela Deloitte, aponta que sete em cada dez transações são feitas pelo celular. O smartphone é definitivamente o canal preferido da população brasileira para relacionamento financeiro. 

Segundo dados apresentados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre 2019 e 2023, as transações pelo smartphone tiveram um significativo crescimento de 251% no Brasil. 

Na esfera tecnológica, há recursos sofisticados para oferecer mais segurança, conforto e robustez às transações. Um procedimento simples e eficaz de realizar uma transação financeira com segurança pelo WhatsApp, é checar o número que vai receber a transação, ou seja, se é verificado pelo próprio desenvolvedor do aplicativo. 

A interação com o número da marca ou com o vendedor também é muito importante. O aplicativo tem desenvolvido tecnologias de autenticação de usuários que aumentam os requisitos de segurança durante o seu uso. A princípio, se a empresa ou vendedor do outro lado buscam saber se quem está comprando é, de fato, a pessoa que diz ser, é possível sinalizar a autenticidade por quem envia a solicitação de pagamento. Isso contribui para legitimar a segurança do canal.

O que está por vir no âmbito de tecnologias de autenticação associadas à Inteligência Artificial (IA), incluindo IA Generativa, e ao comportamento dos usuários, tem potencial para resolver os desafios da segurança. 

Apesar do cenário favorável, é inegável que ainda há um caminho a trilhar para massificar a solução, mas a facilidade de uso do canal já é um fator relevante para o sucesso. O aplicativo carrega essa vantagem. Não é preciso ensinar ninguém a utilizar. Independentemente da faixa etária e da classe social, o brasileiro sabe fazer suas conexões sociais pelo aplicativo. Com essa realidade em mãos, não será um desafio a massificação em alguns meses. 

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Centauros corporativos: quem está no controle da inteligência?

Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Cláusula de raio: proteção legítima ou barreira à concorrência?

Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Isolamento nas empresas não é só físico: é cultural

Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo