Vale oriental

Uma crise geopolítica global

A política externa de donald trump está atropelando não só a china, mas o globalismo como um todo
Edward Tse é fundador e CEO da Gao Feng Advisory Company, uma empresa de consultoria de estratégia e gestão com raízes na China.

Compartilhar:

Empresas chinesas, especialmente as de tecnologia, têm enfrentado cada vez mais dificuldades devido a tensões geopolíticas, causadas principalmente pelos Estados Unidos. Recentemente, o governo Trump fez seu movimento mais agressivo, proibindo o uso do TikTok e do WeChat caso não se desligassem das empresas chinesas de origem, ByteDance e Tencent, respectivamente. Isso ocorreu um dia depois que o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou a expansão do programa Clean Network, que foca as empresas chinesas de tecnologia.

As tech chinesas estão acostumadas a se ver enredadas na geopolítica. A Huawei, de telecomunicações, é alvo da Casa Branca há muito tempo. O governo norte-americano alega que seus produtos comprometem a segurança nacional, ameaça com proibições e pressiona outros países e empresas a seguir seu exemplo.

A atenção agora se volta ao TikTok, o popular app de vídeos curtos. Mais uma vez, as preocupações de segurança nacional foram citadas como motivo para a repressão. Mas, antes disso ainda, o TikTok já tinha se separado operacionalmente da ByteDance. O CEO recém-indicado da empresa, Kevin Mayer, é americano. Suas centrais de dados estão em Singapura e na Califórnia. A ByteDance tem um único dono e levantou capital de muitos investidores americanos. O TikTok agora se prepara para acionar o governo norte-americano para reverter a proibição.

Apesar dessa onda repressiva, a China continuou a abrir seu mercado para setores como o automotivo, de telecomunicações, petróleo e gás e serviços financeiros. A dicotomia – com a China abrindo suas portas para empresas estrangeiras, enquanto o Ocidente, em particular os EUA, apelam ao unilateralismo e ao protecionismo – contradiz o modelo tradicional de referência do Ocidente como liberal e aberto, e da China como fechada e restrita.

Conforme os EUA tentam conter a influência chinesa, também minam a ordem global que foi construída ao longo de décadas com muito esforço e sucesso. Apesar de não ser infalível, o sistema global é necessário para manter a confiança e a ordem entre os países. Intervenções drásticas como o decreto ou a venda forçada de uma empresa estrangeira abalam a forma como as coisas funcionam e, mais importante, os valores subjacentes.

Dar as costas para o globalismo implica abrir mão das próprias oportunidades que ele permitiu: um bolo maior para todos, a disseminação da tecnologia, melhorias no bem-estar público e a troca de ideias. Como no caso do TikTok, empresas, especialmente as que atuam entre fronteiras, exigem um ambiente com certo nível de estabilidade e previsibilidade.

Esse caso clama por uma revisão do modelo de governança global que defina o código universal de conduta para empresas e governos, especialmente sobre como dados que cruzam fronteiras devem ser armazenados, usados e guardados. Isso exige confiança e disponibilidade entre os países com diferentes sistemas políticos e ideológicos, e a orientação dos líderes de grandes potências no sentido de criar as visões para o futuro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Do ego ao fluxo: A jornada interior de um líder

Ao revisitar o colapso e a reinvenção da Japan Airlines, este artigo revela, à luz dos princípios do Aikido, que a verdadeira transformação organizacional não começa na estratégia, mas na superação do ego – quando liderança, propósito e consciência coletiva entram em fluxo.

Previsibilidade não é sorte: é engenharia comercial

Em um cenário de mercado mais seletivo e volátil, este artigo mostra por que resultados consistentes não dependem de talento individual, mas da capacidade da liderança comercial de estruturar processos, diagnosticar com precisão e transformar vendas em uma operação científica.

Cargo versus competências

O futuro do trabalho não está nos cargos. Este artigo revela por que a competitividade das empresas passa a depender menos do organograma e mais da capacidade de mapear, desenvolver e combinar competências.

Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
14 de junho de 2026 08H00
Ao revisitar o colapso e a reinvenção da Japan Airlines, este artigo revela, à luz dos princípios do Aikido, que a verdadeira transformação organizacional não começa na estratégia, mas na superação do ego - quando liderança, propósito e consciência coletiva entram em fluxo.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
13 de junho de 2026 15H00
Inspirado por um colapso histórico no esporte, este artigo revela um dos riscos mais silenciosos das organizações: equipes talentosas deixam de performar quando a confiança desaparece - e a liderança não cria um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar, participar e contribuir de verdade.

Dr. Cristiano Nabuco - Reitor da Artmed School of Psychology (APSY)

6 minutos min de leitura
Marketing & growth
13 de junho de 2026 08H00
Em um cenário de mercado mais seletivo e volátil, este artigo mostra por que resultados consistentes não dependem de talento individual, mas da capacidade da liderança comercial de estruturar processos, diagnosticar com precisão e transformar vendas em uma operação científica.

Natalia Coca - Fundadora da FunFlow, estrategista de vendas e palestrante

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
12 de junho de 2026 14H00
Entre piscinas, quadras e salas de conselho, este artigo mostra por que a performance sustentável não nasce do excesso de esforço, mas da capacidade de alinhar foco, descanso, decisão e leitura de contexto na liderança.

Thierry Marcondes

0 min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing & growth
12 de junho de 2026 09H00
O preço do aparelho é só o começo - o custo real aparece no uso. Este artigo revela como custos ocultos e recorrentes redefinem a lógica de consumo de smartphones e impulsionam novos modelos de uso.

Stephanie Peart - Head da Leapfone

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de junho de 2026 16H00
O futuro do trabalho não está nos cargos. Este artigo revela por que a competitividade das empresas passa a depender menos do organograma e mais da capacidade de mapear, desenvolver e combinar competências.

Felipe Ribeiro - Cofundador da Evermonte Executive & Board Search

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
11 de junho de 2026 09H00
Em meio à queda de alcance e às mudanças constantes dos algoritmos, este artigo propõe um ajuste de rota: mais do que tentar “jogar o jogo” das plataformas, a verdadeira conexão, e relevância, ainda nasce da capacidade de ser humano, autêntico e presente nas interações.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Lifelong learning
10 de junho de 2026 17H00
Pior do que não saber é achar que já sabe. Este artigo expõe um risco silencioso nas organizações: não é a falta de conhecimento que mais compromete decisões, mas a combinação perigosa entre entendimento superficial e confiança excessiva.

Jorge Inafuco - Consultor e Palestrante da HSM, Sociólogo, Professor de MBAs, Conselheiro e Mentor

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de junho de 2026 08H00
Dentro dos bilhões investidos em IA existe uma única aposta: a de que a inteligência vai deixar de ser escassa. Se ela se confirmar, não vai apenas cortar os seus custos. Vai dissolver os fossos competitivos sobre os quais as partes mais lucrativas da sua empresa foram construídas, muitas vezes sem ninguém perceber.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Marketing
9 de junho de 2026 18H00
Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão