Uncategorized
Oferecido por:

Uma história de treinamento com uma boa reviravolta

Em dois anos, a área de treinamento da rede de lojas Fast Shop fez uma revolução, que incluiu deixar de ser centro de custo para se tornar centro de receita
é gerente de treinamento e desenvolvimento da Fast Shop para o Brasil e tem passagem por empresas como Netshoes, Saint-Gobain Distribuição, Cinemark e Habib’s. É autor do e-book Treinamento no Dia a Dia: Um Guia Prático de Como Fazer Acontecer, escrito com Peterson Coli e Rico Katayama.

Compartilhar:

A célebre Crotonville, universidade da GE fundada em 1956, é o modelo de educação corporativa que todos gostaríamos de poder seguir. Mas e se o orçamento necessário para fazer algo similar for inviável para a maioria das empresas brasileiras? E é. 

Sabemos que o Brasil investe em capacitação, em média, quatro vezes menos que os EUA, e a atual crise pode ter piorado o indicador.  Se não dá para abrir mão de treinar as pessoas, qual é a alternativa? Em maio de 2014, quando cheguei à Fast Shop, já havia um centro de treinamento em operação, mas fui desafiado a repensar seu modelo baseado em conteúdo, porque, como dizem Harold D. Stolovich e Erica J. Keeps, “informar não é treinamento”. 

O objetivo era engajar as pessoas e conectá-las com o negócio, aplicando novas tecnologias e a metodologia que fosse ligada às metas estratégicas da companhia,  desenvolvida internamente. O treinamento se transformou por inteiro. Saímos de um modelo baseado em conteúdo para um centrado nas pessoas e nos resultados. Mudamos por completo a concepção dos colaboradores sobre o que é uma área de treinamento corporativo. 

De início, passamos a direcionar os conteúdos com antecedência para o público-alvo, para que todos contribuíssem na construção de cada curso, podendo opinar sobre o que queriam aprender. Nos primeiros meses, também nos dedicamos a reconquistar a confiança de pessoas estratégicas, cultivamos muito os relacionamentos e enfatizamos insistentemente o valor criado, porque sabíamos que, se os colaboradores valorizassem o treinamento, se engajariam mais. 

Tivemos ainda o cuidado de fazer um piloto em uma regional menor, para ajustar processos e controles, antes de expandir o modelo para 100% das lojas. Em paralelo, houve uma preocupação com comunicação eficiente, que incluiu campanhas para atrair adesões, e o compromisso de selar alianças estratégicas com fortes fornecedores de produtos. Hoje nosso treinamento vai desde a formação básica de novos vendedores até a educação continuada dos veteranos e tem a premissa de oferecer conhecimento 24 horas por dia, sete dias por semana, reunindo ações presenciais e on the job e especialmente com a ajuda de uma plataforma online.

A plataforma foi, aliás, uma das grandes alavancas desse novo modelo, não só por sua acessibilidade, mas também porque atribui uma nota (“skore”) aos participantes. Esse é outro ponto a favor do engajamento e também se converte em um elemento de meritocracia, já que quem se destaca é premiado. 

Além disso, a chancela do modelo de capacitação pelo CEO do grupo e pelo presidente do conselho foi fundamental para o engajamento e o sucesso. Importante: medimos tudo. São mais de 5 mil pessoas engajadas e mais de 2 mil acessos aos conteúdos online diariamente, e temos como meta atingir 1 milhão de acessos em 2016, ante 700 mil em 2015. Acredito que nossa área de treinamento pode ser considerada um sucesso também do ponto de vista qualitativo. Posso dizer que capacitar tornou-se parte da “cultura Fast Shop” e passou a ser percebido como essencial para o negócio. No entanto, preciso voltar a Crotonville. 

Como ter sucesso no treinamento sem contar com os recursos da GE? A resposta que encontrei foi: fazendo o treinamento deixar de ser um centro de despesas para se tornar um centro de receita, com clientes. Quem seria o cliente de nosso treinamento? Em nosso caso, assim como no das empresas varejistas em geral, os fornecedores. 

Eles têm uma demanda evidente e basta que queiramos ajudá-los: os fabricantes já costumam treinar os vendedores das lojas para que conheçam seus produtos, só que fazem isso sozinhos e com gastos elevados. 

Por exemplo, é comum um fornecedor precisar treinar centenas de vendedores do varejo espalhados por diferentes regiões do Brasil. Nos moldes convencionais, o que ele faz é contratar instrutores e providenciar uma série de ações presenciais. Isso sai caro, levando em consideração os custos com o deslocamento, a hospedagem e as refeições dos instrutores, seu turnover, férias e folgas, mais o espaço físico dos cursos e os coffee breaks. 

Do ponto de vista do tempo, a iniciativa sai mais cara ainda: até um fornecedor conseguir treinar todos os vendedores pretendidos, o timing do produto muitas 

vezes já passou. E há, para completar, uma eterna dúvida sobre a eficiência do treinamento: muito provavelmente, a informação chega ao destino sem padrão, pois cada instrutor tem sua maneira de ensinar, mesmo que o briefing tenha sido idêntico para todos. 

Agora, imagine se esse fornecedor puder recorrer ao centro de treinamento de uma rede varejista que seja capaz de fazer todo o processo em quatro dias, de modo padronizado e mensurado e a um custo menor. Ele hesitará? Dificilmente. 

Basta que a estrutura de treinamento da varejista esteja bem estabelecida, que haja um modelo de negó2cio claro para o treinamento [veja o quadro ao lado, com os dez pontos fundamentais do modelo] e, claro, que os argumentos usados sejam fortes o suficiente para convencê-lo a investir. 

Na Fast Shop, fizemos tudo isso e, acredito, estamos conseguindo entregar aquilo de que nossos fornecedores precisam – estruturando bem o conhecimento sobre os produtos deles e oferecendo as melhores soluções de aprendizado. Em 2016, segundo ano de operação do modelo, dobramos a receita de 2015. A geração de receita, assim como a mensuração de resultados, mostrou-se crucial para o êxito da mudança – e uma garantia de sua sustentação futura. 

Nosso esforço de mudança foi e é imenso. Depois de dois anos, minha equipe e eu continuamos a suar a camisa todos os dias e a viver intensamente o negócio. 

Na verdade, mudou a mentalidade: o treinamento deixou de ficar atrás da mesa e foi para o front. Valeu a pena. Agora, em nossa empresa, somos consultados em qualquer ação que impacte as pessoas e sentimos que somos relevantes nas tomadas de decisão. A meu ver, o principal erro de treinamento que vemos por aí, em companhias varejistas e em outras, é não ter a coragem de mudar. Precisamos acabar com o medo de pensar fora da caixa. Se sua ideia de mudança se enquadrar na cultura da organização, vá em frente. Isso fará a diferença. 

> **O MODELO DE NEGÓCIO**
>
> 1. Metas e indicadores  bem definidos. 
>
> 2. Processo consistente. 
>
> 3. Pilares de conhecimento  bem definidos. 
>
> 4. Metodologia própria. 
>
> 5. Ferramentas de  aplicação modernas  e balanceadas. 
>
> 6. Matrizes de formação  e capacitação. 
>
> 7. Papéis e responsabilidades bem definidos. 
>
> 8. Equipe educadora com múltiplas competências  e autogerenciável. 
>
> 9. Melhores práticas. 
>
> 10. Multiplicadores do conhecimento.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução