Dossiê: Experiência do Colaborador, Gestão de pessoas

Uma nova experiência em educação corporativa

A tecnologia desponta como facilitadora dos processos de aprendizagem nas organizações, que estão adotando um olhar mais abrangente para o desenvolvimento dos colaboradores
É editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

Sabemos que o mundo dos negócios vive um momento de mudanças aceleradas e contínuas, e em escalas nunca antes experimentadas. Estamos vendo setores tradicionais da economia, até então tido como inabaláveis, experimentando a disrupção do mercado com a chegada de novos players – pense no setor bancário brasileiro, que por anos esteve dominado por grandes corporações e que viu, nos últimos anos, a chegada das fintechs e o [surgimento do open banking](https://www.revistahsm.com.br/post/open-banking-uma-revolucao-muito-alem-do-setor-financeiro), causando uma verdadeira revolução na forma de oferecer serviços financeiros aos consumidores.

Pensar o futuro e a sustentabilidade das organizações tem ocupado cada vez mais espaço na agenda dos executivos de diferentes segmentos e mercados, exigindo que as [empresas sejam ambidestras](https://www.mitsloanreview.com.br/post/ambidestria-contextual-como-tudo-comecou) – ou seja, lidem com os dilemas de negócio e estrutura atuais e, ao mesmo tempo, olhem para os negócios emergentes e as estruturas futuras.

Não é tarefa simples. Lidar com o novo e preparar as organizações para resolver problemas complexos exige agilidade de aprendizagem, das empresas e dos profissionais, e uma [abordagem diferente para educação corporativa](https://blog.lg.com.br/tecnologia-educacao-corporativa/), promovendo o aprendizado contínuo dos colaboradores e contribuindo para a gestão do conhecimento e a inovação.

O conceito de aprendizado contínuo, atualmente amplamente conhecido como lifelong learning, não é necessariamente novo. Nos anos 1970, o filósofo e escritor norte-americano Eric Hoffer já ressaltava, em seu livro *Reflections on the human condition*, a necessidade de as pessoas serem eternas aprendizes para não ficarem obsoletas. O conceito, então, faz referência a uma mudança de mentalidade dentro das empresas, da promoção de uma cultura em que a aprendizagem se dê, e seja compreendida, nos mais diferentes momentos e formatos.

## A cultura de aprendizagem nas organizações
Estudos apontam que, a cada ciclo de 3 a 5 anos, nossos conhecimentos ficam obsoletos. Isso significa que os aprendizados adquiridos na formação no início da carreira já não são mais suficientes para o bom desempenho profissional ao longo das décadas. Se isso é verdade para os profissionais, é também para as empresas, que precisam desenvolver estratégias para continuar garantindo sua relevância no cenário corporativo a cada ciclo de cinco anos. Como fazer isso?

De acordo com Daniela Diniz, diretora de conteúdo e relações institucionais do Great Place to Work, não se trata (apenas) de investir em tecnologia e robotizar sua produção, mas de desenvolver seus colaboradores e alimentá-los com novos repertórios. “A pergunta que está em questão, portanto, não é como substituo os funcionários por máquinas, mas como posso desenvolver pessoas para que, em um mundo do trabalho que muda o tempo todo, nossos colaboradores possam se adaptar juntamente com a empresa”, destaca.

Essa reflexão é um importante ponto de partida para as organizações pensarem em uma cultura que tem na aprendizagem um importante pilar de [desenvolvimento organizacional e inovação](https://mitsloanreview.com.br/post/as-oportunidades-estao-onde-nao-existe-mercado). A maneira como essa cultura se desenvolverá depende muito de uma série de fatores, particulares a cada empresa, tais como segmento de atuação, quantidade de colaboradores e suas peculiaridades, distribuição geográfica, produto ou serviço ofertado, entre outros aspectos. Para contribuir com esse processo, compartilhamos algumas perguntas norteadoras:

– Como tem sido a experiência de aprendizado dos colaboradores na organização?
– De que forma as pessoas são estimuladas a aprender dentro da organização?
– A empresa promove treinamentos para os colaboradores?
– Qual é o nível de engajamento dos profissionais nas iniciativas de treinamento e desenvolvimento oferecidas? Há oportunidade de melhoria?
– Como reconhecemos os esforços de inovação na empresa?
– Nossos rituais oferecem espaço para compartilhamento de conhecimento?
– A aprendizagem e a inovação estão na agenda da liderança?
– O RH atua como facilitador da cultura de aprendizagem e da gestão do conhecimento na organização?
– As transformações no mundo corporativo, aceleradas pela pandemia de covid-19, se refletem na experiência do colaborador no que tange aprendizagem e educação corporativa?

## As tendências em educação corporativa
O encurtamento dos ciclos de aprendizagem confere maior importância à gestão do conhecimento para a sobrevivência dos negócios. As empresas e as áreas de RH, cientes disso, vêm promovendo uma série de iniciativas para ampliar o aprendizado contínuo. Conheça algumas das tendências em educação corporativa:

### O uso de plataformas de aprendizagem
Se a pandemia forçou a adoção dos modelos online de treinamentos, o que antes era visto como desconfiança pelas pessoas passou a ser uma das tendências que definitivamente veio para ficar. O que o mercado vislumbra é que os cursos e treinamentos corporativos sejam adotados, em escala, em três modalidades: [100% presencial, 100% online e híbridos (parte presencial, parte virtual)](https://www.revistahsm.com.br/post/retorno-ao-escritorio-deve-ser-hibrido-com-ambientes-integrados-e-gestao).

Com o aumento da demanda pelos cursos virtuais durante este período, não só as pessoas aprenderam a usar as ferramentas, como as plataformas evoluíram muito em questões de usabilidade, melhorando a experiência do colaborador. Os aplicativos em nuvem, disponíveis na versão mobile, com interface intuitiva tem aproximado essas ferramentas das utilizadas pelas pessoas em suas vidas pessoais – facilitando o uso mais frequente e, consequentemente, tornando o aprendizado parte da rotina.

Ao contar com uma plataforma que oferece uma boa experiência ao colaborador, o RH oferece oportunidades de desenvolvimento aos colaboradores, contribuindo para o desenvolvimento de competências, com a oferta de conteúdos de qualidade e incentivando a aprendizagem dentro da organização.

### Conteúdos sobre comportamento humano e de diferentes áreas do conhecimento
Resolver problemas complexos tem sido apontada como uma das [habilidades mais importantes do século 21](https://www.revistahsm.com.br/post/o-futuro-sob-lentes-multifocais). Para isso, as pessoas precisam exercitar o pensamento crítico, entrar em contato com assuntos que não são inerentes às atividades que exercem, ampliar seu repertório cultural. Isso faz com que temas que exercitem outra forma de pensar ganhem espaço nas iniciativas de aprendizagem dentro das organizações.

Além do desenvolvimento das habilidades técnicas e das competências comportamentais, ainda relevantes no mundo corporativo, as empresas passam a oferecer conteúdo para que seus colaboradores entendam mais do comportamento humano. Neurociência, sociologia e filosofia estão entre os temas abordados pelos programas de desenvolvimento das organizações, que também estão ensinando seus colaboradores a pensarem o futuro e a conhecerem mais sobre tecnologia – inteligência artificial, blockchain, internet das coisas (IoT) –, independentemente da área de atuação daquele colaborador.

### Trilhas de aprendizagem e aprendizado informal unindo forças
As [trilhas de aprendizagem](https://www.lg.com.br/lps/trilhas-fdc/) são desenvolvidas pelas organizações para que os colaboradores desenvolvam competências técnicas e comportamentais que irão contribuir com o desempenho no trabalho, melhorar os relacionamentos interpessoais e ajudá-lo no alcance dos resultados. Essas trilhas são importantes para o direcionamento do aprendizado do colaborador, quando as empresas identificam necessidades específicas e propõem soluções e treinamento para o desenvolvimento das habilidades dos seus profissionais.

O que temos visto nas organizações é cada vez mais o estímulo à autonomia para o aprendizado, em um modelo conhecido como aprendizagem autodirigida, em que a pessoa identifica uma necessidade e conduz um processo para atender a esta necessidade – e aprende ao longo do processo. Este modelo de aprendizagem informal tem sido cada vez mais incentivado pelas empresas e o RH tem papel fundamental na construção dessa cultura, atuando como provedor das soluções e ferramentas formais de aprendizagem e como facilitador do aprendizado que acontece em diferentes momentos e lugares.

As empresas que prezam pela [experiência do colaborador](https://blog.lg.com.br/evolucao-rh-hxm/) no tema educação contam com uma plataforma com conteúdo curado, que tem apoio de tecnologia para fazer acontecer, e com um RH que atua como facilitador dos processos de aprendizagem na organização estão estimulando a troca de conhecimento disseminando boas práticas e convidando os colaboradores a assumirem o protagonismo do seu desenvolvimento profissional.

Afinal, como diz Hoffer, “a tarefa central da educação é implantar uma vontade e uma facilidade de aprendizagem; não deve produzir pessoas cultas, mas aprendizes. A sociedade verdadeiramente humana é uma sociedade que aprende… Em uma época de mudanças drásticas, são os aprendizes que herdam o futuro.”

As reflexões para a criação de uma cultura de aprendizagem e as tendências de educação corporativa, apresentadas nesse artigo, podem contribuir para que sua empresa incentive o desenvolvimento de aprendizes dentro da organização.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a liderança encontra a vida real

Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Inovação & estratégia, ESG
6 de maio de 2026 15H00
Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Liderança
6 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Ale Carreiro - Empresário, Fundador e Diretor Comercial da EBEC - Empresa Brasileira de Educação Corporativa

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de maio de 2026 14H00
Com crescimento acelerado na contratação internacional e um fluxo cada vez mais bidirecional de talentos, o Brasil deixa de ser apenas exportador de profissionais e passa a se consolidar como um hub global de inteligência artificial - conectado às principais redes de inovação do mundo.

Michelle Cascardo - Gerente de vendas para América Latina da Deel

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
5 de maio de 2026 08H00
Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos - e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de maio de 2026 15H00
Ao comparar a indústria automotiva ao mercado de smartphones, este artigo revela como a perda de diferenciação técnica acelera a comoditização e expõe um desafio central: só marcas com forte valor simbólico conseguem sustentar margens na era dos “carros‑gadget”.

Rodrigo Cerveira - Sócio e CMO da Vórtx e co-fundador do Strategy Studio

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de maio de 2026 08H00
Quando a IA torna o conteúdo replicável, a influência só sobrevive onde há autenticidade, PI e governança. Este artigo discute por que o alcance virou commodity - e a narrativa, ativo estratégico.

Igor Beltrão -Diretor Artístico da Viraliza Entretenimento

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Gestão de Pessoas
3 de maio de 2026 12H00
Equipes não falham por falta de competência, mas por ausência de confiança. Este artigo explora como a vulnerabilidade consciente cria segurança psicológica, fortalece relações e eleva a performance.

Ivnes Lira Garrido - Educador, Mentor, Consultor Organizacional e Facilitador de Workshops

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de maio de 2026 08H00
Mais do que tecnologia, a inteligência artificial exige compreensão. Este artigo mostra por que a falta de letramento em IA já representa um risco estratégico para empresas que querem continuar relevantes.

Davi Almeida - Sócio da EloGroup, Rodrigo Martineli - Executive Advisor da EloGroup e Pedro Escobar - Gerente sênior da EloGroup

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
2 de maio de 2026 13H00
Relações de poder, saúde relacional e o design das conversas que as organizações precisam ter. Este artigo parte de uma provocação simples: e se o problema não estiver em quem fala, mas em quem detém o poder de ouvir?

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

8 minutos min de leitura
Liderança
2 de maio de 2026 07H00
Neste artigo, a figura do Justiceiro, anti-herói da Marvel Comics, serve como metáfora para discutir o que realmente define o legado de um líder: a capacidade de sustentar princípios quando resultados pressionam, escolhas difíceis se impõem e o custo de fazer o certo se torna inevitável.

Cristiano Zanetta - Empresário, escritor e palestrante TED

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...