Editorial

Uma soft skill para tempos duros

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Vivemos tempos de saudades. Saudades de pessoas com quem não podemos mais conviver, de lugares que já não podemos visitar, de rotinas que eram tão internalizadas que, quando foram subitamente suspensas, deixaram alguns de nós desconcertados, sem saber como ocupar as horas. Saudades do dia a dia no escritório, das conversas em pé no corredor, cafezinho na mão, dos apertos de mão quando alguém chegava para uma
reunião ou dos abraços quando comemorávamos um bom resultado. Quer saber? Tenho saudades até da fila de embarque no aeroporto.

Completamos 15 meses vivendo em pandemia. E os efeitos dessa realidade sobre todos nós são tão profundos que decidimos voltar ao assunto na capa de HSM Management. Na edição 141, de julho-agosto de 2020, apresentamos 135 lições aprendidas pelas empresas depois do coronavírus – aprendizados sobre estratégia, tecnologia, marketing, entre outros. Nove meses depois, escolhemos analisar o contexto a partir de um tema que também nos é muito caro e que, neste mundo abalado pela covid-19, revela-se ainda mais urgente: saúde mental. Uma pergunta não saía das nossas cabeças. Como ajudar pessoas e empresas a atravessar este período tão desafiador?

Encontramos na história da psicologia um conceito que ajuda a iluminar a resposta: “coping”. Apresentado na década de 1960 pelo psicólogo americano Richard Lazarus a partir de seus estudos sobre estresse, coping pode ser definido como um conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais desenvolvidas pelo indivíduo para lidar com uma determinada situação estressante – ou seja, é muito atual. O coping é um esforço intencional, consciente, construído para elaborar uma resposta à adversidade que contribua para aumentar o bem-estar e reduzir o sofrimento. Uma espécie de soft skill para tempos duros, com perdão pelo trocadilho.

Nossa investigação sobre coping resultou em uma seção Assunto Pessoal especial, que você lê a partir da página 71. Mas não paramos por aí. Contamos como os escritórios estão sendo reformulados com um olho no futuro do trabalho e outro na necessidade de coping. Fomos apurar como as áreas de recursos humanos estão tentando ajudar líderes e colaboradores a administrar os desafios do contexto atual no dia a dia – uma espécie de coping corporativo. Pedimos ao economista e filósofo Eduardo Giannetti, um dos principais pensadores do nosso País, que analisasse os efeitos da pandemia sobre o Brasil, o mundo e as pessoas– nós todos. Um spoiler de alívio: ele, assim como nós, segue otimista.

Recomendo também a leitura do nosso Dossiê, sobre o modo de resolver problemas complexos, como a pandemia ou o déficit educacional. Você conhecerá a colaboração disruptiva (breakthrough collaboration). Por fim, quero festejar a aquisição dos ativos da Laureate no País, mais um investimento em educação que a Ânima está fazendo. A HSM é uma das empresas do grupo e agora integra um conjunto de 27 instituições, em 12 estados brasileiros, com 330 mil alunos. Transformar o Brasil pela educação definitivamente é o que nos move.

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