ESG

Use a transformação digital e o ESG para desenvolver a sua empresa

As diretrizes de questões ambientais, sociais e de governança devem compor um direcional competitivo e estratégico do negócio, principalmente para questionar padrões consolidados e romper barreiras anacrônicas passadas
Fabiano Rangel é head de desenvolvimento organizacional e institucional da Leão Alimentos e Bebidas, joint venture do Sistema Coca-Cola, e desde 1998 atuando em áreas de ESG. Formado em direito, pós-graduado em meio ambiente e sociedade e MBA com ênfase em marketing e inovação. Além da Leão, atuou em organizações multinacionais e nacionais de grande porte, tais como Fundação BankBoston, Banco ABN AMRO Real e CPFL Energia.

Compartilhar:

Vivenciamos um contexto em que é inquestionável a relevância de questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) para sociedade, empresas e investidores. Da mesma forma, é inexorável o quanto as tecnologias digitais já estão atreladas ao nosso cotidiano, como acessar serviços bancários, pedir comida e solicitar transporte por aplicativo, entre outros serviços relacionados à saúde, segurança e direitos cívicos.

Quando confrontamos as evoluções tecnológicas às diretrizes de ESG nas empresas, abrimos novos flancos bem relevantes de reflexão. De um lado, a transformação tecnológica é uma grande aliada das empresas no ganho de eficiência, competitividade e desempenho ambiental, social e de governança. De outro, o atual nível de escalabilidade e evolução abre novas fronteiras de desafios conceituais, éticos e materiais sobre potenciais impactos concretos na perspectiva ambiental, social e econômica.

Em uma perspectiva mais positiva, a digitalização pode ajudar a reduzir o consumo de energia e a emissão de poluentes pelo uso de recursos mais limpos e eficientes, além da sensorização e do uso intensivo de dados. Da mesma forma, a automação de processos pode melhorar a segurança e a qualidade dos produtos e serviços, garantindo melhores condições de trabalho para os funcionários.
Contudo, quando afunilamos esses desafios para o microcosmo de como as coisas acontecem na “cozinha” das empresas, identificamos efeitos colaterais que precisam ser solucionados.

A significativa elevação da demanda energética é um destes efeitos colaterais. Empresas e sociedade precisam ter uma perspectiva sistêmica e transversal sobre os diferentes impactos adversos dessa jornada evolutiva. Logo, mais importante que o conhecimento técnico, é fundamental que as organizações avancem nos aspectos culturais sobre como trabalham seus impactos ambientais e sociais para que a tomada de decisão seja mais completa.

Isso é importante para garantir que todos os profissionais da organização participem e sejam responsáveis pelas áreas de infraestrutura, administrativa ou de programação. A forma como se organiza a arquitetura de dados, processos e fluxos tecnológicos pode demandar mais processamento das máquinas e, consequentemente, mais energia. Ao final, esse esforço pode se somar a ineficiências e impactos negativos.

Logo, a prática de inventariar, aperfeiçoar e trocar constantemente softwares e sistemas corporativos, buscando mais eficiência e assertividade, melhora a produtividade e tem o potencial de reduzir impactos ambientais.

Na evolução desse pensamento sobre ganhos de eficiência está também o repensar nos modelos de operações. Nesse contexto, as soluções em nuvem estão se tornando cada vez mais acessíveis e começam a ser vistas dentro de um “pool” de alternativas mais interessantes do que as soluções “on premise” (servidor local). Isso porque nas soluções locais quase sempre haverá um nível elevado de energia sendo desperdiçada com máquinas rodando em ociosidade, além da demanda de materiais físicos em redundância.

Também nas soluções locais existem riscos e impactos sistêmicos, como a disponibilidade hídrica, riscos físicos com segurança e outros fatores que podem agredir os espaços de instalação dos equipamentos. Para a sustentação desses espaços, também é necessária uma redundância para diminuir riscos de parada ou perda de dados da infra principal. A soma de tudo isso pode ser facilmente computada em ineficiências ambientais e perdas econômicas para o negócio.

Nas soluções em nuvem, o uso da energia pode ser mais racionalizado e melhor otimizado. Além disso, as estruturas físicas podem ser instaladas em locais com melhor acesso a energias de fontes renováveis, temperaturas mais frias e melhor disponibilidade de recursos hídricos. Tudo isso quando feito de forma planejada, tanto sobre o viés econômico quanto ambiental, traz ganhos múltiplos de eficiência para o negócio no que tange às chamadas agendas pré-competitivas.

Logo, a organização que se desafia a migrar sua infraestrutura computacional para a nuvem, já têm em mãos o potencial de iniciar uma redução do seu impacto ambiental direto. Além disso, ainda pode ter ganhos significativos em responsividade, flexibilidade e redução de riscos físicos sem ampliar investimentos.

Também é um imperativo considerar os aspectos sociais e éticos da escalada tecnológica sobre a vida das pessoas. Nos dias atuais, são evidentes os riscos e impactos dessa evolução tecnológica nas relações e na vida social das pessoas.

Nesse contexto, muito se questiona sobre o nível de influência direta do avanço tecnológico na degradação do emprego, em especial com a atual escalada das inteligências computacionais. São questões sobre a eliminação de empregos de diferentes níveis de qualificação, a proteção de dados pelo risco de exposição, os usos indevidos ou não autorizados de conteúdo e informações. Dado que a origem de tudo isso, na sua maioria, tem participação direta das empresas, logo todas terão sua parcela de responsabilidade, seja pelo problema, seja pela solução.

Por essas e outras, que desde sempre advogo que a agenda ESG dentro das organizações não é responsabilidade de uma área em si, mas de todas as pessoas que fazem parte da dinâmica do negócio. Portanto, ESG precisa estar presente como um elemento intrínseco e transversal em toda a organização. Quando conseguimos evoluir para esse patamar, qualquer profissional passa a se questionar o que ele tem a ver com as demandas ESG do negócio que participa. E a resposta deve sempre ser: tudo!!!

Assim, todos os profissionais passam a buscar soluções de maior amplitude a partir das suas especialidades e zona funcional de contribuição de forma sistêmica.

Em resumo, ESG e transformação digital são dois temas cada vez mais importantes para empresas, investidores, sociedade e pessoas. Além disso, é possível concluir que esses temas estão transversalmente conectados e, portanto, as diretrizes de ESG devem compor um direcional competitivo e estratégico do negócio, inclusive para questionar paradigmas consolidados e romper barreiras anacrônicas que cristalizam fórmulas de sucesso de um passado que não existe mais.

Afinal, as decisões de “sucesso” que nos trouxeram até aqui não necessariamente nos levarão para o próximo passo. Ainda mais quando falamos dos desafios presentes da humanidade em termos de desenvolvimento sustentável.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução