Uncategorized

VAMOS INOVAR EM DIVERSIDADE DE GÊNERO?

A verdadeira razão de a equidade não avançar é o foco nos argumentos econômicos para fazê-lo; esqueça o business case e trate isso como um desafio de inovação
Sarah Kaplan é professora de gestão estratégica da Rotman School of Management, do Canadá, e coautora de Destruição Criativa: Por Que Empresas Feitas para Durar Não São Bem-Sucedidas – Como Transformá-las.

Compartilhar:

Muitos devem se lembrar do momento em que o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, foi questionado por ter formado seu gabinete com 50% de mulheres e de sua famosa explicação: “Estamos em 2015”. 

O notável nisso não foi a resposta feminista – e adequada –, mas o fato de a pergunta ter sido feita. Por que as pessoas ainda se perguntam se as mulheres devem ter posições de liderança na política, nos negócios ou em qualquer lugar iguais aos homens? 

Já deveríamos ter avançado mais; parece que estagnamos. Muitos atribuem isso ao fato de a discussão sobre “igualdade de oportunidades” ter se baseado no combate à discriminação, defendendo o uso de argumentos sobretudo econômicos para explicar por que a diversidade importa. Não faltam pesquisas relacionando a liderança de mulheres com o melhor desempenho das empresas, citadas em relatórios de gestão e em políticas de ONGs e instituições como Banco Mundial e Oxfam. 

Isso é verdade? Verifiquei se as pesquisas científicas realmente corroboram a ideia de que diversidade traz melhor desempenho e minha conclusão é que não há necessariamente uma relação de causa e efeito. É bem possível que diversidade e performance sejam dois aspectos de “ser uma ótima empresa”. O fato é que, como ainda não alcançamos a equidade total e há poucos ambientes realmente inclusivos para estudar, não temos ideia do real potencial por trás disso. 

Muitas pessoas me verão como inimiga por eu questionar o business case. A preocupação delas, imagino, será a de que, assim, eu mine a capacidade de mudança da sociedade. Minha tese é diferente: apostar demais no business case é que pode sabotar a mudança. Proponho, em vez disso, mudar o foco da discussão. 

**UMA INOVAÇÃO: DESIGN COMPORTAMENTAL**

**CONTRA OS PRECONCEITOS DAS PESSOAS**

Quer tirar o preconceito das pessoas? É uma tarefa hercúlea. É mais fácil eliminá-los nas práticas e nos procedimentos organizacionais. Ao menos, essa é a premissa de Iris Bohnet, da J.F. Kennedy School, a escola de administração pública de Harvard. O que ela propõe é o uso do design comportamental. “Na cabeça de um indivíduo, os vieses tendem a ocorrer automática e inconscientemente, e é bem difícil mudar isso. É muito mais fácil fazer um passo a passo para alterar os vieses da organização”, afirma em entrevista à Rotman Management Magazine, adiantando que algumas empresas estão tentando abordagens inovadoras, focadas em desigualdades específicas. 

Não se trata dos usuais programas de treinamento – segundo Bohnet, não sabemos se são capazes de produzir os resultados desejados, porque normalmente não é feita uma boa avaliação de seu impacto. Há várias técnicas para reverter preconceitos na organização. Ela sugere o método “descongelar, mudar, recongelar”, criado por seu colega Max Bazerman. “O descongelamento acontece quando você convida os colaboradores a questionar as estratégias existentes e, assim, os deixa curiosos quanto às alternativas. Depois, eles discutem o que a organização está fazendo e o que poderia mudar. Por fim, pensam em maneiras de recongelar os insights obtidos e os comportamentos aprendidos”, como explica Bohnet. 

Com esse esforço de design, o caminho para a mudança de comportamentos em relação à diversidade na organização deixa de depender de uma mudança nas crenças individuais e se apoia em definições socialmente compartilhadas de “comportamento adequado”. Esse tipo de exercício tem a vantagem de não exigir muita consciência e maturidade dos funcionários. 

Em primeiro lugar, as pesquisas existentes não mostram que incluir mulheres nas posições de liderança leva a um desempenho pior da organização, o que me faz questionar por que precisamos “provar” que incluir mulheres é uma proposta “ganha-ganha”. Alguém está perguntando às empresas sobre “qual é o business case para ter apenas homens em seu conselho”? Não. Fazemos isso por conta do mito meritocrático, mas é inócuo. 

ONGs e organismos governamentais e multilaterais devem apegar-se ao imperativo moral. E, para as empresas, a solução é outra: passa pela inovação. 

**ENTENDENDO A MERITOCRACIA**

Queremos acreditar que vivemos em uma meritocracia, na qual as melhores e mais inteligentes pessoas arranjam ótimos empregos, e os melhores e mais inteligentes empreendedores conseguem oportunidades de financiamento. Vivemos? 

Para entender como a meritocracia realmente funciona, decidi examinar um lugar em que todos acham que ela predomina: o Vale do Silício. 

Lá apenas 2% do capital de risco vai para startups lideradas por mulheres (e isso caiu seis pontos percentuais em anos recentes). Quando perguntei a alguns investidores qual era o problema, eles disseram: “As mulheres não estão nos trazendo boas ideias” ou “Não conseguimos encontrar mulheres realmente empreendedoras em número suficiente”. As respostas me pareceram problemáticas. 

Com a mesma percepção, alguns pesquisadores criaram uma situação em que as ideias apresentadas aos investidores fossem objetivamente equivalentes. Desenvolveram um pitch para uma nova startup, com um roteiro-padrão, e pediram a potenciais investidores que vissem a apresentação. A única diferença era que, em alguns casos, o roteiro era lido por uma voz masculina e, em outros, por uma feminina. No final, perguntaram: “Você investiria nessa startup?”. 

Os resultados foram surpreendentes: quando o mesmíssimo pitch era narrado por voz masculina, tinha duas vezes mais probabilidade de ser recomendado para investimento. 

O Vale do Silício é um caso à parte? Para conferir, pesquisei o mundo da contratação em organizações. Em um experimento, pesquisadores usaram duas versões do mesmo currículo para uma vaga de técnico de laboratório. A única diferença era que um era do John, e o outro, da Jennifer. O resultado: John teve muito mais chances do que Jennifer. 

Você ainda pode achar que algo no currículo ou no pitch remetesse a tarefa em questão mais a um gênero, por suas características naturais, do que a outro. Como garantir, acima de qualquer dúvida, que realmente há um viés na sociedade? 

Eis que um terceiro experimento pediu a um grupo de pessoas que desempenhasse tarefas específicas no computador. Todas utilizaram o mesmo tipo de computador e tiveram de desempenhar as mesmas tarefas. A única diferença foi que, para alguns participantes, foi dito que o nome do computador era James e, para outros, Julie. Encerradas as tarefas, perguntou-se: “Como foi o desempenho do computador?”. Todos disseram que funcionou bem, não havendo diferenças verificáveis entre eles. Mas, quando a pergunta foi “Com base nesse desempenho, quanto você acha que esse computador vale?”, “James” valia 35% mais do que “Julie”. 

Os exemplos de vieses diante de níveis iguais de qualidade e habilidade são infinitos, o que dificulta apegar-se à ideia de meritocracia. No próprio Vale do Silício, uma das pessoas com quem conversei me disse: “Meritocracia é uma meta nobre e valiosa, mas é um mito. Só serve para validar o que você fez, para justificar seu sucesso”. 

Olhando de perto, a “meritocracia” reforça o privilégio das pessoas no topo, que acreditam ter chegado lá por seu mérito. É só por causa desse mito que estamos nos forçando a fazer business cases da inclusão feminina – queremos provar a esses indivíduos privilegiados que há um ganho efetivo para eles. 

Então, o que fazer? Não se trata de sair culpando os homens brancos heterossexuais, porque estamos nessa juntos: todos nós temos produzido e perpetuado um sistema preconceituoso, não só eles. Precisamos é trabalhar juntos para resolver o problema. 

Tampouco é o caso de dizer às mulheres que sejam mais autoconfiantes, tenham menos aversão ao risco e aprendam a negociar melhor. Falar isso é fácil para quem tem privilégio – o ônus é só delas. 

A solução é entender o mito meritocrático, como estamos fazendo aqui, e inovar. Vai ser difícil avançar se continuarmos a fazer as coisas do mesmo jeito. A demanda por um business case perpetua o sistema existente, quando devemos começar a pensar em como mudá-lo, em como inovar. 

Inovar é difícil, eu sei. É por isso que as empresas alocam suas melhores pessoas para a tarefa, além de fazerem investimentos pesados. No entanto, a dificuldade é o que entusiasma as pessoas. E se tornássemos a diversidade um desafio de inovação? 

**MODELOS DE INOVAÇÃO**

A inovação em diversidade já vem acontecendo há algum tempo, só não em larga escala, porque o foco está nos business cases. Tenho registrado processos inovadores, avaliações de desempenho inovadoras, critérios de decisão inovadores.

Você conhece a aceleradora de inovação social Village Capital, dos Estados Unidos? Ela reúne empreendedores para desenvolver seu potencial de negócio. A meta é ajudá-los a tornar-se mais viáveis por meio de treinamento, mentoria e networking.

Sem a questão de gênero em mente, os líderes da empresa discutiram que mecanismo usar para decidir em quem investir. Na maioria dos ambientes empreendedores, você apresenta seu negócio a um painel de investidores – um processo masculino em si. No novo modelo da Village Capital, decidiram tentar uma mentoria e uma avaliação feitas pelos pares.

Quando a abordagem foi testada, algo incrível aconteceu: apenas 15% dos empreendedores eram mulheres, mas elas receberam algo entre 30% e 40% dos votos de seus pares para receber investimento. Basicamente, a Village Capital foi proativa no sentido de inovar e mudar seu sistema, e o resultado foi que mulheres empreendedoras saíram beneficiadas.

Agora falemos das avaliações. Em 1970, as mulheres eram apenas 5% dos músicos de uma sinfônica; hoje, essa participação está mais próxima de 30%. O que mudou é que, na década de 1980, as orquestras começaram a fazer “audições cegas”, em que os candidatos ficam atrás de uma tela e toca para um júri que não os vê. Em alguns casos, esse processo é usado apenas para a seleção preliminar; em outros, vai até a decisão de contratação ser tomada. Os pesquisadores descobriram que só aumenta em 50% a chance de uma mulher avançar até as finais.

Quanto aos critérios de decisão, a França propôs uma cota de 40% para mulheres em conselhos de administração e a grita foi geral. Os executivos afirmaram não saber onde encontrar essas mulheres, alegando que não há pipeline. Um deles até disse: “Vamos ter de procurar fora da França”. Bem, por que não? A economia é global. No entanto, o mais importante é que talvez o critério “do bom conselheiro” esteja ultrapassado e precise mudar. É a hora.

Então, na próxima vez em que você for decidir sobre uma contratação, uma promoção de cargo ou um investimento, tome medidas proativas para manter os preconceitos sob controle e usar critérios de avaliação que realmente importem.

Vamos inovar. Não precisamos de business cases; estamos em 2017.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Autonomia não é fazer sozinho

Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Quando pessoas inteligentes discordam, o problema pode não ser a informação

Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

2027 começa em outubro: o que os CEOs já estão decidindo agora

Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução