Marketing e vendas

Vendas: uma ciência exata

O único objetivo em uma venda é convencer o consumidor que ele tem uma necessidade, que o produto e/ou serviço que você apresenta é a solução ideal e descreva brevemente como você pode ajudá-lo com este desafio
Patrícia Mendes é head de sales da Betterfly Brasil e atua há mais de 14 anos com vendas.

Compartilhar:

Vender. Um ato tão antigo quanto o desenvolvimento das relações humanas no mundo. Trabalhar o psicológico para barganhar interesses a partir das trocas precede os tempos da Revolução Industrial. Com o passar dos anos, a abordagem evoluiu, a globalização estreitou barreiras e trouxe mais informação e contexto para o que conhecemos de vendas hoje. Quero abordar todos estes processos cruciais para a conquista de resultados.

Há quem diga que o vendedor nasce com o dom, o tino, o “jeito para a coisa”. E por mais que, de fato, algumas pessoas tenham maior facilidade interpessoal e que sejam reconhecidas como excelentes comerciais, isso não é uma regra. Quando se trata de vendas, assim como qualquer outra habilidade, sem técnica não há resultado. E por mais que as pessoas não se dêem conta, sim, todos utilizamos no nosso dia a dia uma infinidade de táticas de vendas.

Entendam vendas como uma ciência. E o que apoia essa ciência são diversos métodos que, levados ponto a ponto, podem conduzir um executivo ao sucesso. E, antes de explorar a metodologia SPIN Selling (situação, problema, implicação e necessidade), processos de qualificação, método Harvard e afins, sugiro voltarmos alguns passos atrás e olhar para as jornadas.

Todo executivo conduz o cliente a uma jornada de vendas, e todo cliente entra em nossos funis de prospecção participando de uma jornada de compras. Falando de vendas outbound, é comum nos depararmos com clientes com diferentes níveis de consciência dentro dessa jornada de compras, e por mais que venha a nossa mente que seja papel do marketing identificar e ajudar os times de vendas a trabalhar estes níveis de consciência, faço uma provocação e digo que é papel do vendedor entender muito bem este processo também, e mais, gerar insights que ajudem o marketing a melhorar sempre a abordagem.

Ok, Patricia, mas o que são estes níveis de consciência, e como eles se configuram dentro da jornada de compras?

Eugene Schwartz, há umas boas décadas, publicou, pela primeira vez, a pirâmide de consciência, que passa por cinco estágios: desde a falta de consciência sobre um problema até a consciência total. Olhando para a jornada de compras, utilizamos, normalmente, a metodologia AIDA (atenção, interesse, desejo e ação), técnica que acompanha o consumidor ao longo das etapas do funil de conversão, para conduzir os clientes do primeiro para o último nível e converter aquela venda. Essa metodologia usa materiais para nutrir os clientes com dados que tragam atenção à problemática, interesse em resolver o problema, desejo de contratar uma solução ou comprar um produto e o ato de comprar em si.

Ter noção deste processo ajuda um time de vendas a trabalhar de maneira assertiva e previsível o seu funil, focando nas oportunidades mais aquecidas e com melhor probabilidade de fechamento, cuidando para que as demais sejam endereçadas a um caminho que pode gerar vendas futuras. Aqui, conseguimos responder perguntas como: “quem é meu cliente ideal?”; “para quem eu vendo (decision maker)?”; e “qual é o ciclo de vendas deste público dentro do meu funil?”. Assim, a jornada de vendas acontece de forma mais fluida e natural.

Entrando na jornada de compras, como você tem preparado o seu time para o front da batalha de vendas?

Mais do que entender fundamentos e metodologias, eu diria que essa parte da ciência está muito mais relacionada à criação da combinação perfeita que tem aderência com seu público. Neste ponto, o convite principal é passar de repetidor para entendedor de processos e trazer os gatilhos corretos para a mesa, extraindo o melhor de cada método.

Toda venda tem um único objetivo que é convencer a uma pessoa que ela tem uma necessidade e que o produto/serviço que você apresenta é a solução ideal. E existem várias formas de se chegar ao sim, mas dificilmente essa será uma tarefa bem executada sem a consciência dos passos a serem seguidos.

Nós, seres humanos, temos o costume de falar muito sobre nós mesmos ou sobre aquilo que conhecemos, e em uma negociação o grande desafio é ser o ouvido para os problemas do seu cliente. Assim como em um processo de terapia, conduzimos ele a se ouvir para que no momento certo a gente apresente o “remédio”.

Passando as formalidades de apresentação da agenda, entenda a situação que levou o cliente a querer te ouvir, trabalhe com empatia e acolha a problemática deste cliente. Crie uma narrativa que conduza ao entendimento de que há uma solução, sim, e em poucas palavras descreva como você pode ajudá-lo com este desafio. Por fim, o mais importante: AMARRE os próximos passos. Entenda as pessoas que precisam ser envolvidas. Como você o ajuda a vender internamente a sua empresa como a solução? E estreite ao máximo o relacionamento com esse interlocutor. Uma venda bem-feita, além de ser previsível do início ao fim, é baseada 100% no relacionamento para melhor condução do processo. Então, explore este ponto que é o fator humano e tenha sucesso nos negócios.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Cultura no centro do lucro

Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos – e ativos – mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

Por que o líder que sabe tudo se tornou um problema?

Este artigo traz dados de pesquisa, relatos de gestão e uma nova lente sobre liderança, argumentando que abandonar a obrigação da infalibilidade é condição para equipes aprenderem melhor, se engajarem mais e entregarem resultados sustentáveis.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de abril de 2026 15H00
Da automação total às baterias do futuro, ao longo do festival em Austin ficou claro que, no fim das contas, a inovação só faz sentido quando melhora a vida e o entendimento das pessoas

Bruno de Oliveira - Jornalista e editor de negócios do site Automotive Business

3 minutos min de leitura
Empreendedorismo
26 de abril de 2026 10H00
Este artigo propõe um novo olhar sobre inovação ao destacar o papel estratégico dos intraempreendedores - profissionais que constroem o futuro das empresas sem precisar abrir uma nova.

Tatiane Bertoni - Diretora da ACATE Mulheres e fundadora da DataforAll e SecopsforAll.

2 minutos min de leitura
Lifelong learning
25 de abril de 2026 14H00
Quando tecnologia se torna abundante e narrativas perdem credibilidade, a autenticidade emerge como o novo diferencial competitivo - e este artigo explica por quê.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
25 de abril de 2026 08H00
Um aviso que muita empresa prefere ignorar: nem todo crescimento é vitória. Algumas organizações sobem a régua do faturamento enquanto desmoronam por dentro - consumindo pessoas, previsibilidade e coerência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional
24 de abril de 2026 15H00
Este artigo revela por que a cultura deixou de ser um elemento simbólico e passou a representar um dos custos - e ativos - mais invisíveis do lucro, mostrando como liderança, engajamento e visão sistêmica definem a competitividade e a perenidade das organizações.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

4 minutos min de leitura
Liderança
24 de abril de 2026 08H00
Este artigo traz dados de pesquisa, relatos de gestão e uma nova lente sobre liderança, argumentando que abandonar a obrigação da infalibilidade é condição para equipes aprenderem melhor, se engajarem mais e entregarem resultados sustentáveis.

Dante Mantovani - Coach, professor e consultor

5 minutos min de leitura
Liderança
23 de abril de 2026 16H00
A partir das trajetórias de Luiza Helena Trajano e Marcelo Battistella Bueno, este artigo revela por que grandes líderes não se formam sozinhos - e como a mentoria, sustentada por vínculo, presença e propósito, segue sendo um pilar invisível e decisivo da liderança em tempos de transformação acelerada.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional e Consultora HSM

8 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
23 de abril de 2026 08H00
Medir bem não garante decidir certo: por que sistemas de gestão falham em ambientes complexos? Este artgo traz o contraste entre a perspectiva positivista do BSC e o construtivismo complexo de Stacey revela os limites de cada abordagem e o que cada uma deixa sem resposta

Daniella Borges - CEO da Butterfly Growth

8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
22 de abril de 2026 15H00
A IA não muda a cultura. Ela expõe. Este artigo argumenta que ela apenas revela o que o sistema permite - deslocando o papel da liderança para a arquitetura das decisões que moldam o comportamento real.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Diversidade
22 de abril de 2026 07H00
Este artigo traz uma provocação necessária: o conflito entre gerações no trabalho raramente é sobre idade. É sobre liderança, contexto e a capacidade de orquestrar talentos diversos em um mercado em rápida transformação.

Eugenio Mattedi - Head de Aprendizagem na HSM e na Singularity Brazil

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...