Uncategorized

Você sabe pivotar? Ou quer morrer devagar?

Você deseja crescer rápido? Se a resposta for afirmativa, tem de aprender a promover novos ciclos de crescimento em sua empresa e fazê-lo constantemente; quatro lições são fundamentais para isso
Este estudo, aqui traduzido em linguagem visual, foi realizado por Rishi Kanr, Eric Kutcher e Mitra Mahdavian, da consultoria McKinsey, sediados no escritório do Vale do Silício, com colaboração de Yubing Ji e James Manyika. O texto em que HSM Management se baseou foi publicado na McKinsey Quarterly.

Compartilhar:

Pense no pivô do basquete. Ele é aquele jogador alto que recebe a bola de um companheiro do time, gira o corpo radicalmente e arremessa. Agora, pense no pião, aquele brinquedo da infância que fica girando, girando, girando, após o impulso inicial… em inglês, ele é “pivot”. 

Quase todo mundo no meio corporativo já sabe o significado de “pivotar” em relação a startups. Trata-se de girar radicalmente o rumo do negócio.

No entanto, as empresas estabelecidas parecem ainda não ter se dado conta de que também elas precisam agir como um pião ou um pivô do basquete, pivotando sua estratégia com frequência – mudando produtos e serviços, mercados, modelos de negócio. Com base em estudos quantitativos e qualitativos, a consultoria McKinsey afirma que todas as empresas precisam permanentemente evoluir e identificar novas oportunidades de crescimento quando sua fonte habitual se esgota. E mais: segundo os consultores, se não incorporarem o hábito de fazer isso, as organizações correrão o risco de lentamente entrarem em declínio e cederem espaço a concorrentes. A seguir, a consultoria compartilha quatro lições sobre como empresas estabelecidas podem pivotar.

**1 – PIVOTAR É INEVITÁVEL**

Por que uma segunda atividade é inevitável? Como uma pesquisa nossa sobre serviços online e de software mostrou, alcançar e manter altas taxas de crescimento contribui muito para evitar o declínio de um negócio. 

Organizações cujas receitas aumentam a uma taxa anual composta de mais de 50% têm oito vezes mais probabilidade de chegar a US$ 1 bilhão em vendas do que aquelas que crescem menos de 20% por ano. Também descobrimos que as melhores entre essas empresas não contam com uma única atividade. Embora elas costumem desfrutar uma onda inicial de crescimento rápido nos mercados em que entram ou criam, logo atingem um limite. No melhor cenário, o mercado amadurece e condições macroeconômicas gerais detêm seu crescimento. No pior panorama, as organizações enfrentam problemas e entram em declínio rápido. 

Invariavelmente, mesmo que essas empresas consigam lutar pela participação dominante em um mercado específico, sua capacidade de crescer mais rápido do que o ritmo do mercado se extinguirá em algum momento. 

Vamos dar o exemplo do segmento de automação de design eletrônico (EDA, na sigla em inglês), que atingiu a maturidade e encontra-se limitado pelo fato de todos os engenheiros de projeto já utilizarem algum tipo de software EDA. (E porque o número de novos profissionais encontra-se igualmente limitado com base nas perspectivas de crescimento desse mercado.) Players importantes de EDA, como a Synopsys, a Cadence e a Mentor Graphics, passaram a explorar caminhos alternativos para o crescimento fora de seu negócio central. A Synopsys passou a dedicar-se ao licenciamento de Internet Protocol (IP), à área de óptica e, mais recentemente, a testes de software. A Cadence apostou em licenciamento de IP e a Mentor Graphics diversificou seus negócios com ferramentas integradas a software, design mecânico auxiliado por computador e programas de projetos de submontagem da indústria automobilística.

**2 – DE OLHO NO MELHOR**

Alguns líderes até conseguem reconhecer a necessidade de fazer a transição para esse segundo ato; seu problema está no desafio de identificar quando começar, o que fazer e de que maneira. Algumas perguntas ajudam. Também ajudam as práticas de empresas “pivoteiras” – veja os três arquétipos de empresas “pivoteiras”:

**Pivoteiras do tipo “foguete”:** Agarram-se a tendências tecnológicas e modelos de monetização com ampla aplicabilidade, de maneira que os atos posteriores simplesmente estendam seu modelo de negócio central para contextos adicionais. 

Gigantes da internet, como o Google e o Facebook, exemplificam bem essa estratégia. O primeiro ampliou sua liderança em publicidade digital recorrendo ao conteúdo de terceiros por meio do AdSense e de serviços adicionais baseados na nuvem (YouTube, Google Maps, Gmail). O Facebook estendeu sua liderança em redes sociais abarcando, além dos computadores, os smartphones.

**Pivoteiras reinventoras:** Aproveitam ativos dos mercados existentes para inovar em novos nichos.

A Microsoft utilizou a estratégia de reinventar para transformar sua posição de liderança no universo dos PCs (sistemas operacionais e software de produtividade) em um êxito similar no back-end dos data centers. A Salesforce.com seguiu caminho semelhante quando abriu sua infraestrutura por meio do lançamento do Force.com, movimento que lhe permitiu entrar em novos fluxos de receita e, ao mesmo tempo, fidelizar os clientes e obter insights valiosos quanto a futuras áreas de atuação.

**Pivoteiras do tipo “compradoras de adjacências” :** Dominam a arte de adquirir e de integrar organizações a fim de ingressar em mercados correlatos. 

A Oracle expandiu sua atuação de programas de banco de dados para aplicações empresariais (por meio da aquisição da PeopleSoft e da Siebel), para hardware corporativo (compra da Sun Microsystems) e para soluções baseadas na nuvem (aquisição da RightNow Technologies, da Taleo, da Eloqua e da ResponSys).

**Perguntas que os líderes devem fazer:**

 • Qual o crescimento necessário e a que velocidade? 

• Qual o espaço para crescer dentro de nossos mercados centrais? 

• Qual a segurança que temos em nossos core markets? 

• Quais nossas oportunidades de ampliar as atuações atuais ou de gerar recursos para investir em novas frentes? 

• Quais as novas oportunidades de mercado?

**3 – A IMPORTÂNCIA DO TIMING**

É fundamental saber a hora certa de pivotar. Empresas que demoram muito para avançar correm o risco de congelar, incapazes de recuperar os níveis de crescimento anteriores. Organizações que tentam avançar muito cedo correm o risco de perturbar o impulso do primeiro ato ao “espalhar” demais os recursos – financeiros, de gestão ou ambos. 

É hora de pivotar quando a empresa: 

• não consegue mais atingir suas metas de crescimento de três a cinco anos atuando em seus mercados centrais; 

• encontra novas oportunidades de alto potencial com base em ativos existentes. 

A avaliação constante, como a análise dos clientes antigos para identificar a desaceleração do crescimento, pode ajudar a antecipar essas situações.

No início da década de 2000, um dos pioneiros do e-commerce investiu em múltiplas aquisições para ir além de suas operações centrais. Isso dispersou o foco no negócio central, o que resultou na perda de alguns clientes importantes – em 2008, chegou a interromper o crescimento da organização.

**4 – MANTENHA O EQUILÍBRIO**

É crucial pivotar de maneira seletiva para evitar mercados nos quais as empresas não têm preparo para se sair bem – como a falta de capacidade de investir em escala adequada ou de habilidades para criar ou vender o produto certo. Ao planejar essa etapa, a chave é o equilíbrio entre atratividade e familiaridade. A concentração em atratividade pode deixar uma organização sem vantagem competitiva em um mercado. O excesso de atenção em familiaridade pode deslocar uma empresa a um mercado próximo demais daquele em que ela já atua e, portanto, incapaz de dar vazão a suas ambições de crescimento. 

Um exemplo de desequilíbrio entre atratividade e familiaridade ocorreu durante a bolha das ponto.com, quando muitas organizações de software tradicionais compraram empresas na internet (alta atratividade) sem olhar para as potenciais sinergias (baixa familiaridade). Resultado: poucas conseguiram capitalizar essas aquisições a ponto de se tornarem gigantes da web.

> **CHECKLIST DO EQUILÍBRIO**
>
> **Atratividade**
>
> • O tamanho e o crescimento do novo mercado sustentam suas metas? 
>
> • Há poder demais em algum ponto da cadeia de valor? Cabe um novo player? 
>
> • A entrada no mercado afeta suas atividades atuais? Se sim, a oportunidade supera esses riscos? 
>
> • Existe um caminho viável para entrar no mercado, seja ele orgânico ou não?
>
> **Familiaridade**
>
> • A nova atividade se assemelha a algum ativo atual da empresa (produto, cliente, cadeia de valor)? 
>
> • Ampliar os ativos atuais, com mais clientes, por exemplo, pode proporcionar uma vantagem sustentável? 
>
> • Existe um caminho viável para cobrir eventuais lacunas, como a da viabilidade técnica?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Autoridade não se mede em decibéis

Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Hyper-growth: o desafio não é acelerar, é sustentar a velocidade

O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

O tamanho da sua bolha define o tamanho das suas decisões

Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Liderança, Estratégia
17 de outubro de 2026 15H00
Em um momento em que denúncias de assédio, investigações internas e crises de liderança ganham cada vez mais espaço nas organizações, cresce a necessidade de diferenciar autoridade de poder. O texto analisa por que líderes que dependem do cargo ou da imposição para obter resultados acabam comprometendo justamente aquilo que mais precisam preservar: pessoas, confiança e performance.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
17 de outubro de 2026 09H00
O artigo propõe uma reflexão sobre como energia, bem-estar, desenvolvimento de lideranças e autonomia deixaram de ser temas periféricos para se tornarem elementos centrais da infraestrutura necessária para escalar negócios sem esgotar os recursos humanos que tornam esse crescimento possível.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

6 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
16 de outubro de 2026 15H00
Algoritmos, preferências pessoais e vieses cognitivos influenciam diariamente a forma como enxergamos o mundo, muitas vezes sem que percebamos. Em tempos de polarização, excesso de informação e mudanças rápidas, cultivar curiosidade, escuta ativa e abertura para pontos de vista diferentes pode ser um diferencial importante para quem deseja construir decisões mais inteligentes e sustentáveis.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de outubro de 2026 09H00
Entre previsões apocalípticas e promessas de produtividade ilimitada, os dados mais recentes sobre inteligência artificial publicados pela Gartner, MIT e Frontiers contam uma história mais complexa.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
15 de outubro de 2026 14H00
Inspirado pela trajetória de Rafael Nadal retratada no documentário Rafa, o artigo propõe uma reflexão sobre a forma como empresas constroem seus planejamentos estratégicos.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
15 de outubro de 2026 08H00
Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
14 de outubro de 2026 14H00
A tecnologia tem papel decisivo na aceleração da agenda climática, mas a mudança acontece quando informações se transformam em escolhas. Entre indicadores, investimentos e decisões estratégicas, são as pessoas que continuam definindo o ritmo e a profundidade da transformação sustentável.

Fernando Beltrame - CEO da Eccaplan

Oferecido por Eccaplan
3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
14 de outubro de 2026 08H00
Quando a Nintendo rompeu uma parceria estratégica com a Sony diante do mundo inteiro, o que parecia uma derrota humilhante tornou-se o ponto de partida para uma das maiores inovações da história dos negócios. Um caso exemplar de como líderes podem transformar atrito, oposição e conflito em crescimento.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

9 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução