Dossiê HSM

Wagner Azevedo: no subsolo das palavras

O desafio de criar dicionários “diferentes” para a língua portuguesa
É colaborador de HSM Management.

Compartilhar:

O carioca Wagner Azevedo estava em uma aula de língua japonesa na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em 2008, quando a professora contou a história de um brasileiro no Japão. Certa vez, ao ser empurrado por um passageiro numa plataforma de metrô, o brasileiro revidou e chamou o agressor de “uma” (). Traduzindo: xingou o rapaz de “cavalo”. O japonês, no entanto, ficou sem entender. É que, cultural e linguisticamente, insultar ou comparar alguém a um animal não faz sentido no Japão.

No Brasil é diferente. Indelicadezas à parte, há quem defina outras pessoas como anta, bicho-grilo, víbora, garanhão. Ou ainda quem pague o pato, solte os cachorros ou faça uma vaquinha. Com o insight na aula de japonês, Azevedo decidiu reunir o máximo de expressões e locuções animais da língua portuguesa. A lista chegou a 2,2 mil verbetes que foram publicados no Dicionário de animais com outros significados, lançado em 2018.

O dicionarista nasceu há 45 anos em Nova Iguaçu (RJ). Ainda jovem, dava aulas de piano e violão. Foi quando começou a colecionar palavras e onomatopeias – tomando nota – que ouvia nas músicas de Chico, Caetano, Vinicius, Rita Lee. Aos 30, decidiu cursar faculdade de letras na UERJ. Depois da formatura, fez pós-graduação em língua portuguesa. De lá para cá, além das aulas de música, leciona redação, revisa textos acadêmicos e escreve dicionários “diferentes”. Sete obras foram publicadas até agora. A estreia foi com Dicionário de onomatopeias e vocábulos expressivos, em 2016. Nele, Azevedo dá significado às expressões que surgem do som natural ou artificial que evocam. É o caso do tique-taque do relógio, do plaft do tapa e do mugir do boi.

## Tudo começa numa lista
Como ele faz isso? O padrão é quase sempre o mesmo: Azevedo monta uma lista a partir de glossários e das anotações que faz ao ler e ouvir por aí. Cada palavra desconhecida (ou ideia) é registrada. Posteriormente, ele procura dar significado às anotações. Alguns verbetes podem ser encontrados nos dicionários convencionais. Caso não o encontre na literatura, Azevedo é quem se encarrega disso – sempre com exemplos de vocábulos e locuções que advêm de livros, gibis e letras da MPB.

“Gosto de fazer aquilo que ninguém nunca viu”, afirma Azevedo. Com o ineditismo que lhe é peculiar, prevê a publicação de pelo menos mais 13 dicionários nos próximos anos. Assim, acredita, estará apto para outro livro – que, dessa vez, não será escrito por ele. “A meta é que meu trabalho seja reconhecido pelo Guinness Book, o Livro dos Recordes”, revela.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que o Brasil pode aprender com a China sobre agilidade, acessibilidade e mentalidade empreendedora

Por que uma sociedade que partiu de uma base agrária se tornou referência global em execução ágil, iteração contínua e adaptação sistêmica? A resposta não está apenas em políticas industriais ou acesso a capital. Está em um código cultural que transforma simplicidade, memória organizacional e julgamento contextual em vantagem competitiva – e que cabe perfeitamente no radar da gestão brasileira. Este artigo apresenta cinco lições operacionais da China, com cases empresariais, dados de 2025-2026 e reflexões aplicáveis a conselheiros e executivos latino-americanos.

Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 13H00
Este artigo mostra como o agronegócio brasileiro precisa evoluir para uma arquitetura integrada de dados e gestão - transformando tecnologia em vantagem competitiva, governança robusta e valor sustentável no longo prazo.

AAdilson Martins - Sócio líder para o setor de agronegócio da Deloitte; André Ferreira - VP Global de Agronegócios da SAP; Lígia Penna - Sócia de Enterprise Technology & Performance da Deloitte e Rafael Okuda - Vice-presidente de Agribusiness & Food da SAP Brasil.

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Empreendedorismo, Inovação & estratégia
2 de junho de 2026 08H00
Por que uma sociedade que partiu de uma base agrária se tornou referência global em execução ágil, iteração contínua e adaptação sistêmica? A resposta não está apenas em políticas industriais ou acesso a capital. Está em um código cultural que transforma simplicidade, memória organizacional e julgamento contextual em vantagem competitiva - e que cabe perfeitamente no radar da gestão brasileira. Este artigo apresenta cinco lições operacionais da China, com cases empresariais, dados de 2025-2026 e reflexões aplicáveis a conselheiros e executivos latino-americanos.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Rael Mairesse - Cofundador e diretor da Luming

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de junho de 2026 14H00
A IA não está otimizando empresas, está testando se elas ainda fazem sentido. Este artigo demonstra que bons agentes inteligentes podem reconstruir o que antes exigia uma organização inteira.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
1º de junho de 2026 09H00
Em um ambiente saturado de narrativas, este artigo revela por que confiança não é construída pela comunicação - mas pela consistência entre discurso, cultura e decisões.

Karen Fontana - CCSO e sócio-diretora da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Estratégia
31 de aio de 2026 15H00
Em um cenário de excesso de informações e alta volatilidade, este artigo questiona a falsa sensação de clareza que os dados oferecem, e mostra por que o verdadeiro desafio das organizações está em transformar volume em leitura qualificada e decisão relevante no tempo certo.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de maio de 2026 09H00
Este artigo revela por que a competitividade no setor automotivo está migrando da produção para a capacidade de prever, integrar e governar dados com precisão.

Lorena França - Account manager da A3Data

4 minutos min de leitura
Estratégia, User Experience, UX
30 de maio de 2026 14H00
Com o avanço do PL 5605/2019, este artigo mostra como a gestão de garantias e o pós-obra ganham nova centralidade no setor imobiliário, exigindo mais organização, rastreabilidade e maturidade operacional para reduzir conflitos e fortalecer a confiança do cliente.

Jean Ferrari - Engenheiro civil e CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema não está na tecnologia, mas na manutenção de estruturas organizacionais inchadas e pouco preparadas para extrair valor da nova lógica do trabalho.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo
29 de maio de 2026 15H00
O problema não é a falta de empreendedoras, é um sistema que ainda não foi feito para elas. Este artigo mostra por que a formalização ainda é um obstáculo estrutural - e como redesenhar o sistema para transformar negócios invisíveis em motores reais de desenvolvimento econômico.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

6 minutos min de leitura
Marketing, Inovação & estratégia
29 de maio de 2026 12H00
No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

Pedro Del Priore - CEO da Agência Ginga

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão