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Zuckerberg e seu império

Leia esta crônica e se conscientize do espaço cada vez maior que as big techs ocupam em nossas vidas
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Vovó Irene chegou para visitar um dos seus filhos em São Paulo. Às 5 horas da manhã do dia seguinte, Ícaro, seu neto, já estava acordado.

“Bom dia, Ícaro. Acordou muito cedo”

Ícaro estava de óculos. Sua avó não se lembrava que ele era míope. Mas, no auge dos seus 80 anos, era pouco provável que ela confiasse na própria memória, apesar de muito lúcida.

Ícaro olhou para o lado esquerdo. Só os olhos dele se moveram; todo o resto do corpo, parado. Em segundos, olhou para a direita. De repente, fitou os olhos pra sua vó.

Sem entender muita coisa, a avó ficou ali esperando olhando para o seu neto – afinal, Ícaro não havia respondido ao “bom dia”.

Ícaro começa a mexer os braços, de um lado para o outro. Parecia agora que a avó é quem tinha problema de visão, porque o neto mexia tanto os braços, que parecia um polvo.

“SIM”, responde Ícaro.

‘Bom dia’ seria a resposta que sua avó esperava, mas tudo bem. Ela saiu e foi fazer o café.

Entendamos, então, o que ela não entendeu.

Assim que acordou, Ícaro colocou seus óculos e entrou em outro mundo. Do lado esquerdo, estavam as notícias do dia. Do lado direito, algumas mensagens de whatsapp não lidas.

E no meio, uma mensagem: “você não confirmou a compra do seu novo óculos Meta Super High Virtuality, que está no carrinho. Por medida de segurança, diga SIM caso deseje comprar, para reconhecermos a sua voz e sabermos que é você”.

Coitada da Dona Irene. Achou que essa hora o neto estava olhando pra ela. Não estava.

Ícaro senta à mesa do café. Finalmente dá bom dia a sua vó. 

“Desculpe, vovó. Tenho uma reunião agora. Acordei muito cedo porque a reunião é com o pessoal da empresa na China e na Alemanha”.

“Que orgulho desse meu neto”, falou dona Irene, sorrindo. “Nem sabia que você falava tantos idiomas assim”.

Meia hora de reunião e Ícaro só falava português.

Mal sabia a idosa que, mesmo falando português, os colegas de Ícaro ouviam a voz dele mesmo, mas 100% no idioma local.

Ícaro terminou a reunião e fez algumas compras, mexendo os braços para um lado e para o outro. O grande dia de rever seus amigos tinha chegado. 

Ele comprou umas cervejas bem geladas pra se reunir mais tarde com sua turma. Não tinha problema ser um encontro virtual, porque todos estariam sentados à mesa das respectivas casas. Ícaro até comprou algumas bugigangas pra enfeitar a mesa.

Afinal de contas, nada é mais poderoso do que sentir que você realmente está com outra pessoa, mesmo a distância, e que a tecnologia está sendo desenhada para “enganar” o cérebro nesse sentido.

A noite foi um barato. Noite de jogos, risadas. Muita diversão.

Dona Irene, tentando escutar sua novela, achou que realmente o neto tinha ficado maluco. Três latas de cerveja já vazias, e ninguém na mesa. 

Não dava pra ela ver as lágrimas que escorriam dos olhos de Ícaro, de tanto que ele ria – o que a avó enxergava era só um trambolho na cabeça de Ícaro.

E assim terminou o dia. Como Ícaro fazia questão de cuidar da saúde – embora não tivesse tido tempo de se exercitar nos últimos 40 dias, ele foi bater um papo com seu personal trainer antes de dormir:

“Seja um personal trainer. Amanhã preciso malhar perna em casa, sem equipamentos. Me faça uma ficha de 40 minutos baseado em tudo que você já sabe sobre mim: meu tipo sanguíneo, minha idade, peso, hábitos alimentares, time de futebol que eu gosto, quanto gasto no cartão de crédito por mês, quantas horas durmo por dia …..”

E assim, Ícaro foi dormir.

Esqueceu de dar o “boa noite” para a pobre avó.

Talvez a hora de dormir fosse a única hora do dia que ele não iria interagir com o Zuckeberg de alguma forma.

Não sei. Só vamos saber quando ele acordar.

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