Uncategorized
Oferecido por:

A ambiciosa Rota da Seda do século 21

Embora haja desafios, a China tem os meios e o nível de comprometimento necessários para fazer o novo bloco econômico de 68 países crescer de modo inclusivo
Edward Tse é fundador e CEO da Gao Feng Advisory Company, uma empresa de consultoria de estratégia e gestão com raízes na China.

Compartilhar:

Com a ascensão do protecionismo no Ocidente, o presidente da China, Xi Jinping, prometeu apoiar a globalização. Ele anunciou no primeiro semestre deste ano a iniciativa “Belt and Road” (cinturão e rota, em inglês), de US$ 900 bilhões, considerando-a “o projeto do século”. Ela materializa a ambição chinesa de liderança global e já houve um fórum multinacional para discuti-la, o Belt and Road Forum for International Cooperation. 

O projeto Belt and Road significa uma mudança de estratégia da China para o mundo e transformará consideravelmente a dinâmica mundial do comércio e da geopolítica. Nada disso será fácil, porém. Algumas nações permanecem céticas sobre a prática e a lógica do grande número de frentes da Belt and Road, enquanto muitos críticos rotularam a iniciativa de “neocolonialismo”. Certos países até se recusaram a validar esse imenso plano, preocupados com a falta de compromisso da China com a transparência e a sustentabilidade socioambiental. 

Contudo, o que torna a iniciativa potencialmente transformadora não é apenas o investimento e a infraestrutura técnica dos trabalhos. Mais importante do que isso são os novos valores e a filosofia que formam a base ideológica do projeto. O “espírito da Rota da Seda”, conforme colocou Xi, incorpora o espírito de “paz e cooperação, abertura e inclusão, aprendizado e benefícios mútuos”. Como uma das maiores beneficiadas com a globalização nas últimas décadas, a China está tentando alavancar sua compreensão sobre as necessidades das nações em desenvolvimento de transformar suas economias e aperfeiçoar o bem-estar de seu povo. 

Xi parece tentar desenvolver o projeto com seu poder de convencimento, não com a “força bruta” econômica. Isso é claramente muito desafiador e talvez arriscado. Mesmo assim, fornece a visão de uma nova ordem global. Historicamente, a ajuda de potências ocidentais costumava estimular o desenvolvimento econômico como meio de reforço às ideologias políticas ocidentais nos países beneficiados. 

Em compensação, a visão para a iniciativa Belt and Road, de acordo com os chineses, é formar “uma grande família de coexistência harmônica”, ao converter as lendas da antiga Rota da Seda em uma história moderna de crescimento inclusivo e cooperação mundial. Isso se parece um pouco com conto de fadas, mas a ideia chinesa é que a construção de pontes e estradas na Ásia Central e de portos na África e no Sul da Ásia ajudará essas nações a participar da economia mundial com o melhor de suas capacidades. Trata-se de algo diferente de forçar qualquer país a, em troca de socorro, obedecer ao comportamento político da parte poderosa. 

Além de infraestrutura física, o projeto incluiu a construção de “Rotas da Seda virtuais”, como estradas digitais que cruzam fronteiras. A China já lidera o mundo de muitas maneiras em e-commerce e outras formas de inovações digitais para negócios. Esse aspecto da iniciativa oferece grande potencial para todos os envolvidos. 

**FOCO NO LONGO PRAZO** 

A iniciativa de Xi apresenta oportunidades significativas tanto para empresas com sede na China como para as do resto do mundo. Mesmo assim, a maioria das companhias de fora da China ainda não descobriu exatamente como se envolver ou maximizar o potencial total da Belt and Road. É compreensível, dadas a complexidade da iniciativa e sua falta de clareza. 

Por ora, muitas pessoas enfatizam seus elementos tangíveis – como o tamanho e o escopo da infraestrutura, o investimento total e o grande número de países envolvidos – e afirmam que essa é uma missão irrealista. 

Especialistas alegam que a dimensão do projeto e a inexperiência chinesa em gerenciar ações dessa natureza levarão ao fracasso. Há, de fato, muitos desafios à frente, mas é preciso lembrar que a China já teve vários aprendizados desse gênero também. 

Ao mesmo tempo que muitas empresas chinesas estatais serão a vanguarda da Belt and Road, o setor privado terá papel relevante. Comparadas às estatais, as companhias privadas da China são, em geral, mais ágeis, centradas no mercado e empreendedoras. A ideia promovida por Xi poderia oferecer às melhores delas uma plataforma para crescerem e se tornarem globais. 

Ao longo da próxima década, veremos um grande salto na conectividade global, e a influência geopolítica da China tende a continuar a crescer. O país permanecerá migrando da periferia do palco mundial para o centro. Se bem executada, a Belt and Road poderá oferecer à economia mundial a sacudida necessária para crescer, tirando mais pessoas da pobreza e expandindo o mercado consumidor. O comércio entre países europeus e asiáticos, por exemplo, pode aumentar conforme a iniciativa faça as mercadorias serem embarcadas de maneira mais eficiente. 

Deve haver alguns tropeços pelo caminho, talvez alguns grandes. E também não é garantido que a China tenha todas as ferramentas e os recursos para tratar cada problema corretamente, pelo menos não de início. Precondições, como o contínuo bom desempenho da economia chinesa, são igualmente necessárias. O país vai aprender e adaptar-se em pleno voo. 

A Belt and Road não será fácil e seu impacto não se dará da noite para o dia, mas não é sábio desconsiderar a capacidade da China de torná-la um sucesso.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução