Uncategorized

Aprender no trabalho: novo tipo de treinamento corporativo com autoliderança

Compartilhar:

Trabalhar com uma equipe treinada e que vê na função uma forma de crescer profissionalmente tem efeitos diretos no mercado, especialmente em empresas em que rapidez e produtividade são pontos-chave. Mas se sabemos que o conhecimento não é algo linear, e que pode acompanhar a trajetória de uma pessoa até o fim de sua vida, por que ainda somos estimulados a aprender apenas quando estamos nas escolas e na faculdade e, depois, entrar em uma rotina de operações mecanizadas?

O ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2018, Paul Romer, veio ao Brasil recentemente e falou exatamente sobre a importância de que, para sobreviver no ambiente de trabalho, é preciso que os profissionais estejam em ocupações em que **aprendam algo novo.** Para ele, isso não deve ser uma preocupação apenas de empresas digitais – que, por sua natureza, precisam que os funcionários estejam “afiados” em relação às novidades tecnológicas. 

Corporações que tenham um sistema moderno de gerência também têm total capacidade de levar o ensinamento para a jornada de trabalho do colaborador. 

Faz sentido, neste campo, pensar em diferentes recursos que despertem o interesse das pessoas, conectando-as à inteligência artificial, experiências de realidade virtual, entre outras ferramentas. Tudo isso se alia a essa mudança de paradigma: em vez de formatos extensos de treinamentos, as empresas oferecem conhecimento para as pessoas enquanto elas estão no expediente – e podem acessar respostas pontuais a suas questões.

A esse novo paradigma se dá o nome **“Learning in the flow of work”**, cunhado pelo fundador da Bersin by Deloitte, líder nas pesquisas de recursos humanos, talentos e liderança, e da Bersin Academy, Josh Bersin. Referência na área de tecnologia e de gestão de talentos, o autor traz uma proposta muito facilitada para o setor: a de que devemos nos espelhar em produtos como Spotify, Netflix e suas estratégias de oferta aos assinantes.

 Pense em seu dia a dia: nessas plataformas, quase sempre você é induzido a continuar assistindo ou ouvindo coisas que sejam de seu interesse, a partir do “pontapé de escolha” que você deu.

No processo de aprendizagem de Bersin, acontece a mesma coisa. Dar o que a pessoa quer de informação, pontualmente, muitas vezes pode ter efeito ainda mais impactante no seu dia a dia do que convocá-la para uma aula ou apresentação que tome tempo, gere entrave na produtividade e não estimule sua absorção de conhecimento.

Faz parte dessa lógica o que alguns especialistas em RH têm chamado de “autoliderança”. É preciso entender, de certa forma, que a capacitação também tem o elemento relacional e que passa pelos aspectos pessoais do colaborador.

Assim, é muito interessante que o indivíduo que passa por ela se sinta autônomo e capaz de vivenciar o “self driven learning”, isto é, conduzir os estudos por sua conta. Suas aspirações e sua evolução precisam estar combinadas com o ensinamento daquilo que “é necessário para aquele momento”. É a lógica que rege o relacionamento com o consumidor e que pode ser transposta para as ações internas.

Mesmo porque quando se fala de aprendizagem, estamos falando de tempo; e, segundo pesquisa da própria Bersin, de 2015, com 700 organizações, os colaboradores tinham em média 24 minutos semanais para o “estudo formal”. Para quem isso é apenas “cobrado” no final do dia, pode ser uma “perda de tempo não-remunerado”. E, para quem é gestor, a dedicação escassa pode ser um problema dentro da equipe.

Se você usa pouco o EAD e não insere conhecimento na rotina dos colaboradores, aqui vai um questionamento: por que não distribuir esses minutos de treinamento para vendedores, líderes, equipes técnicas no ambiente de trabalho?

A saída parece ser uma tendência positiva para os dois lados: a corporação se torna uma base de conhecimento e o colaborador acessa interfaces de ensino oficiais que, inclusive, podem ser monitoradas. Plataformas próprias de vídeos e áudios e sites exclusivos para o público interno fazer parte desse novo mundo. Que tal tentar em sua empresa?

Compartilhar:

Artigos relacionados

O RH precisa parar de provar que é importante

Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

O que a Odisseia pode ensinar às empresas sobre liderança e crise

Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

A confiança é a nova infraestrutura da velocidade

Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Quanto vale uma franquia da Omie?

Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Como a inteligência artificial pode destravar R$ 2,5 trilhões em crédito

Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo