Cultura organizacional

Avalie a cultura da sua empresa antes de aderir ao trabalho híbrido

Lideranças precisam encontrar os melhores caminhos para gestão, engajamento e desempenho dos colaboradores para adotar esse novo modelo de trabalho
Lívia Brandini é consultora sênior em gestão de mudança, pessoas & cultura, fundadora e CEO da Kultua, founder institute graduate & mentora, com MBA em gestão de negócios pela Universidade de São Paulo (USP). É entusiasta da tecnologia nos processos de transformação empresarial, com mais de oito anos de experiência em gerenciamento de projetos e consultoria lean no segmento de serviços industriais diversificados em multinacionais alemãs, como ThyssenKrupp e KAEFER.

Compartilhar:

Nos últimos três anos, vimos uma importante transformação na relação entre colaboradores e empresas. Da noite para o dia, foi necessário se adaptar a um formato de trabalho remoto e muitas organizações não estavam preparadas – principalmente aquelas com estruturas mais tradicionais. Para isso, a colaboração foi testada ao seu limite. Já para as instituições que nasceram com o DNA de inovação, as adaptações foram, em sua maioria, mais ágeis e bem-sucedidas.

Agora, com os escritórios adotando o modelo híbrido, as lideranças precisam achar os melhores caminhos para gestão, engajamento e desempenho dos times. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Google em parceria com IDC Brasil, que escutou cerca de 900 funcionários de empresas brasileiras em diversos setores e tamanhos por 12 meses durante a pandemia, 43% dos profissionais que participaram do estudo afirmaram que o formato de trabalho escolhido foi o híbrido.

Ou seja, boa parte das organizações não apenas se adequaram, como entenderam que o novo formato trouxe bem-estar e produtividade. O levantamento ainda apontou que 75% dos entrevistados, mesmo diante dos desafios impostos, se sentiram melhor e mais produtivos trabalhando à distância.

No entanto, mesmo com uma boa aceitação do mercado, a migração para um modelo híbrido permanente deve ser avaliada com cautela. E, para isso, a liderança deve entender a percepção dos colaboradores sobre o tema. É importante diagnosticar o quanto o modelo de trabalho escolhido pode acelerar ou prejudicar a real cultura instalada na organização e, consequentemente, seu processo de mudança.

O estudo do Google diz que: “É necessário ter as ferramentas que assegurem segurança e agilidade a esse modelo de trabalho, mas também manter no radar que a cultura deve ser constantemente trabalhada para ajudar todos a navegarem nessa mudança, garantindo o bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional”.

Portanto, a cultura organizacional interfere profundamente na aceitação e sucesso dos processos de mudança. Por exemplo, se observarmos aquelas empresas centenárias, quando se fala em mudanças organizacionais, as incertezas e dúvidas são frequentes com uma possível tendência à resistência. Já uma startup, nativa digital, o processo de mudança está enraizado e ocorre de modo mais fluido a partir de experimentos ágeis.

Por isso, sempre precisamos avaliar alguns pontos: o seu time tem permissão e autonomia para fazer diferente? Como sua organização lida com falhas? Os líderes e colaboradores acreditam verdadeiramente e se engajam nas novas iniciativas da empresa? Essas são reflexões correlacionadas com a abertura à mudança.

## Como você gerencia e lidera uma equipe diz muito sobre gestão de mudança
Outro elemento para o sucesso das transformações está em como a liderança conduz e envolve os colaboradores no processo de mudança. O filósofo alemão Albert Schweitzer defendia que “dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros; é a única”. Ou seja, para as mudanças serem efetivas, é preciso praticar o “walk the talk” – expressão que traduz a aderência entre discursos e ações efetivas.

Um bom exercício para a liderança é buscar responder à seguinte pergunta: “em quais exemplos e padrões de comportamento minhas equipes têm se espelhado no dia a dia?”. Ou seja, as decisões, posicionamentos, formas de comunicação e, até mesmo, os silêncios de gestores frente a determinadas situações modelam constantemente a cultura do ambiente de trabalho – seja ele físico ou virtual.

Uma cultura forte, autêntica e coerente tem o poder de alavancar a visão estratégica e performance, ao criar vínculos significativos com seus colaboradores. Afinal, essas organizações reconhecem que as pessoas são seu diferencial mais valioso e, por isso, estimulam o senso de pertencimento e conectividade em sua gestão. Além de gerar uma melhor experiência e bem-estar para todos, a consequência natural disso é o aumento do engajamento, da produtividade e da capacidade de mudança organizacional.️

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa – o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança