Saúde Mental
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Como manter a boa saúde mental do líder e dos liderados?

Líderes podem enfrentar desafios na gestão do próprio estresse ao priorizar apenas a saúde mental dos seus liderados. Mas é possível trabalhar em benefício próprio, assim como de seus colaboradores

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A dinâmica incessante e as incertezas que permeiam os negócios contemporâneos exercem um impacto profundo em nossa vivência. Os líderes, embora busquem orientação em propósitos inovadores, frequentemente se veem imersos na administração de crises e na pressão por resultados. Agravando este panorama, emerge o esgotamento gerado pelo esforço de atender às demandas familiares além do expediente.

De fato, muitos gestores se vêem sobrecarregados pelo efeito cumulativo desse cenário caótico, caracterizado por constantes reviravoltas. E, neste contexto, somam-se as expectativas de guardar ativamente a saúde mental de seus colaboradores, priorizando o bem-estar deles. Adicionalmente, os líderes podem enfrentar desafios na gestão do próprio estresse.

Por vezes, nossos colegas de trabalho estão em um estado de burnout. Trata-se de esgotamento tanto físico quanto mental, frequentemente vinculado à sobrecarga de responsabilidades no trabalho (os profissionais da saúde mental agora também mencionam o burnout parental, que ocorre quando alguém fica sobrecarregado com as demandas dos filhos).

## Mas o que fazer?
De acordo com uma pesquisa da London School of Economics, estima-se que transtornos mentais como a depressão custem US$ 78 bilhões por ano devido à queda de produtividade. Por isso, empresas no mundo todo têm buscado cada vez mais soluções como treinamentos e apoio psicológico, tanto para líderes quanto para liderados.

Um exemplo é o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, que lançou uma inovação: um programa de capacitação em saúde mental, denominado socorristas mentais, direcionado aos líderes. Esse módulo foi concebido para se tornar uma parte intrínseca do treinamento contínuo dos 190 gestores da instituição hospitalar.

Para auxiliar os líderes a navegarem por esses desafiadores tempos, seguem algumas diretrizes úteis para aqueles que trabalham em prol da preservação da própria saúde mental, bem como a de seus colaboradores:

1. Compartilhe os desafios que enfrenta com um conselheiro confiável ou colegas próximos. Uma pesquisa global recente, realizada pelas universidades de Queensland, na Austrália, e Harvard, nos Estados Unidos, destacou que pelo menos metade da população poderá vivenciar transtornos de saúde mental até os 75 anos. Na realidade, acredito que os episódios devem acontecer mais vezes e muito antes dessa idade. É crucial reconhecer essa realidade e direcionar atenção adequada a essa questão.
2. Considere a proposta de “círculos de reciprocidade”, como mencionado pelo psicólogo organizacional Adam Grant. Estes grupos reúnem colegas para debater desafios e buscar soluções conjuntas. Se necessário, não hesite em buscar auxílio profissional.
3. Resguarde um momento específico para planejamento e ação. Uma vez concluído, evite revisitar incessantemente esses planos. Em vez disso, concentre-se em direcionar sua energia na obtenção de resultados positivos. Caso isso não surta o efeito desejado, terá clareza sobre os passos subsequentes.

## E como oferecer apoio aos seus colaboradores?

1. Familiarize-se com os recursos de saúde mental oferecidos pela empresa. Eduque-se sobre o suporte disponível e incentive os funcionários a usufruir desses benefícios. Em situações de dificuldades mentais, podem não ter a capacidade de explorar esses recursos por conta própria.
2. Torne-se um exemplo tangível de proteção à saúde mental. Suas atitudes podem contribuir para a desestigmatização das preocupações neste âmbito. Compartilhe suas práticas para manter equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, inspirando seus colaboradores a adotarem medidas semelhantes.
3. Mantenha as linhas de comunicação sempre acessíveis. Mais do que nunca, é crucial estabelecer um canal de diálogo aberto com sua equipe, abordando temas de trabalho, bem-estar e desafios. Esteja disposto a ouvir mais do que falar. Ponderar check-ins individuais mais frequentes, reuniões diárias ou períodos virtuais de “portas abertas” pode fortalecer essa conexão.
4. Auxilie seus colaboradores a atribuir significado às suas funções. Quando indivíduos têm metas claras e uma ligação genuína com seu propósito, o estresse tende a ser reduzido. Explore os anseios de carreira dos funcionários e incentive diálogos sobre o que os capacita a alcançar suas metas. Ao desempenhar um papel ativo nessa jornada, você contribui para elevar perspectivas, confiança e bem-estar mental.

O impacto mais amplo dessas ações pode reverberar positivamente nas organizações. Ao unir mentes saudáveis e resilientes, ampliam-se exponencialmente as chances de sucesso.

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