Diversidade

Como utilizar as forças de caráter

As organizações e carreiras têm muito a ganhar com isso; veja exemplos práticos de ações| Por Ryan Niemiec

Compartilhar:

Uma abordagem baseada nas forças de caráter, bem construída, é, na melhor das hipóteses, transformadora e na pior, bem-intencionada. Um atributo central da abordagem baseada nessas forças é que ela fornece um complemento indispensável para a abordagem baseada nas deficiências, ou oferece aos clientes uma alternativa significativa que será vista por alguns como especialmente benéfica e revigorante. 

Existem seis estratégias de integração de forças de caráter às pessoas:

1. Reconhecer, rotular e afirmar as forças em si mesmas.

2. As forças de caráter são sociais, portanto nunca pare de fazer strengthspotting com os outros.

3. Alinhar as forças de caráter com atividades e tarefas.

4. Utilizar o modelo da prática baseada nas forças.

5. Incorporar as forças de caráter com sua teoria e abordagem profissional.

6. Utilizar as próprias forças de caráter nas sessões e reuniões.

Em meu livro detalho as seis, mas aqui vou focar na número 3, de alinhamento das forças de caráter com atividades e tarefas.

Se as forças de caráter são recursos naturais de energia em nós, e as forças de assinatura são parte central de nossa identidade, então por que não utilizá-las deliberadamente em todos os domínios de nossa vida diária? A frase “alinhamento das forças de caráter” capta esse conceito de trazer as melhores partes de quem somos para o espaço do momento presente em que nos encontramos. As pessoas não querem apenas fazer as coisas que podem fazer bem, mas também fazer as coisas que se importam em fazer bem.

Um estudo recente com colaboradores dos Estados Unidos mostrou que 64% dos colaboradores pensam que o sucesso no trabalho depende de construírem suas forças, enquanto apenas 36% pensam que o sucesso aumentará se corrigirem suas fraquezas. Contudo, apenas metade dos colaboradores relata utilizar suas forças de assinatura todo dia, e 27% relatam não receber reconhecimento algum de seus chefes por suas forças. É necessário que haja oportunidades para se criar um alinhamento entre as forças de caráter no local de trabalho.

As pesquisas estão revelando a importância do alinhamento das forças de caráter no trabalho e mostrando uma associação importante entre forças e interesses quando se trata do job crafting. 

Em um estudo, os colaboradores foram selecionados de maneira aleatória para o grupo de alinhamento das forças, ou para o grupo de controle. Foi solicitado aos trabalhadores do grupo de alinhamento das forças que planejassem e utilizassem mais suas quatro forças de assinatura do topo no trabalho durante suas tarefas específicas e atividades.

Esses colaboradores experimentaram aumentos significativos do trabalho como um chamado, e da satisfação global na vida, comparados aos colaboradores do grupo de controle, e essas mudanças foram sustentadas por seis meses. Como o alinhamento das forças de caráter pode ocorrer no ambiente de trabalho? 

Vejamos três exemplos de uso das forças de assinatura curiosidade e bondade, no trabalho.

**1. TAREFA: Enviar e-mails aos clientes**

Usando a Curiosidade

Utilize uma linguagem nas mensagens que mostre interesse, novidade e curiosidade.

Usando a Bondade

Priorize as necessidades do cliente, sendo generoso sempre que possível.

**2. TAREFA: Participar de reuniões diárias de avaliação**

Usando a Curiosidade

Faça pelo menos uma pergunta que explore possibilidades em cada reunião.

Usando a Bondade

Seja gentil e ofereça água e café aos funcionários, verifique como estão.

**3. TAREFA: Resolver os problemas trazidos pela equipe**

Usando a Curiosidade

Enfatize a abordagem de entrevista, em vez da abordagem autoritária; ajude a equipe a explorar soluções para cada situação única.

Usando a Bondade

Seja realista com sua compaixão pela dificuldade do colaborador; escute atentamente; mostre a ele que você o apoia.

Organização
———–

As taxas de desengajamento dos trabalhadores estão acima de 79%, segundo o Gallup, e há um desalinhamento entre as forças de caráter exigidas dos indivíduos e as forças de caráter que são naturais deles. 

O contexto organizacional/local de trabalho tem sido um domínio particularmente robusto de estudo para a ciência do caráter. Os resultados costumam ser muito bons. Por exemplo, um estudo sobre apoio supervisionado mostrou que os funcionários que receberam apoio do supervisor (mas não o apoio de colegas) aumentaram a utilização de suas forças no dia seguinte (Lavy, Littman-Ovadia, & Boiman-Meshita, 2016). Esses mesmos pesquisadores publicaram outro estudo sobre o ambiente de trabalho mostrando que a utilização de todos os tipos de forças (forças de assinatura e forças menores) estava associada com resultados positivos. Por exemplo, as forças de assinatura foram a maior contribuição para o desempenho no trabalho, comportamentos de cidadania organizacional, e menos comportamentos contraproducentes. 

Poderia ser citado muito mais. Um estudo qualitativo examinou a utilização das forças de caráter por mulheres no local de trabalho e constatou que, em todos os casos, as forças levaram a um círculo virtuoso no qual a utilização das forças as ajudou a superar barreiras que haviam impedido o emprego das forças antes. Outro estudo com funcionários mostrou que empregar as forças de assinatura de novas maneiras combinadas a uma reunião estruturada de dez minutos foi benéfico para aumentar a utilização das forças e o número de metas traçadas, comparado ao grupo que utilizou apenas forças de assinatura de novas maneiras. 

O importante é: recomenda-se que as organizações encontrem formas de ajudar seus colaboradores a utilizar suas forças mais frequentemente, pois sua utilização em geral tem sido associada a níveis de autoeficácia e comportamento proativo dos colaboradores, a afeto positivo e capital psicológico e a absenteísmo reduzido. Com certeza, o clima de uma organização pode também apoiar os colaboradores a empregar suas forças. Em um estudo com 442 colaboradores de 39 departamentos em 8 organizações, o clima psicológico baseado nas forças estava associado ao afeto positivo e ao desempenho no trabalho.

*** Artigo baseado nos highlights do livro _Intervenções com forças de caráter_, de Ryan Niemiec (ed. Vida Integral).**

Compartilhar:

Artigos relacionados

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

76% das organizações já têm um Chief AI Office (CAIO). E agora, qual é o papel do CEO?

Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Empresa familiar sem governança é refém do fundador; com governança, vira legado

O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo