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MVPs para ganhar coragem

É mais ou menos isso que a coach Sabina Nawaz propõe em seus workshops. Segundo ela, isso começa por experimentos contra o medo de falhar em uma mudança

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O empresário chinês Jia Jiang estava comemorando uma nova aquisição importante quando o acordo melou. Ele sabia que sobreviver à rejeição é uma habilidade necessária como empreendedor, mas odiava se sentir rejeitado. Então, Jiang decidiu aumentar sua imunidade à rejeição com uma série de cem pequenos experimentos diários, nos quais ele provavelmente ouviria “não”. Os experimentos iam desde pedir para jogar futebol no quintal de um estranho até perguntar, durante uma entrevista ao vivo na TV, se ele poderia apresentar a previsão do tempo.

Esses experimentos foram MVPs de Jiang. (MVP é a sigla em inglês para produto mínimo viável.) Ele estava fazendo experimentos para se imunizar contra novas rejeições nas empreitadas seguintes, e até lhe renderam um livro, já publicado no Brasil – Sem Medo da Rejeição.

Jiang costuma ser citado pela coach Sabina Nawaz porque experimentos como os dele são parte de um framework que ela criou para as pessoas desenvolverem coragem, habilidade importante para empreendedores, gestores e todo mundo que precisa fazer mudanças e seguir novos caminhos. Em seu LinkedIn, a coach recomenda três hábitos diários para construir coragem. Um é fazer experimentos contra o medo de mudar. Outro é treinar – lato sensu. Significa desde um sedentário começar a treinar corrida até uma pessoa autoritária treinar ser mais gentil com as outras. E o terceiro é o que Nawaz chama de “reframe” – buscar migrar de uma coisa que não se faz bem para outra em que se brilha.

Aqui vamos detalhar os experimentos. Citando Jiang e a socióloga Christine Carter – para a qual ter sucesso em mudanças depende de aceitar o insucesso –, Nawaz escreveu recentemente sobre experimentos para adquirir novos hábitos na Harvard Business Review. No artigo da HBR, ela oferece táticas para que o hábito novo não se dissolva em algumas semanas, e sim evolua para uma estratégia de vida. Nós organizamos essas táticas em cinco pontos:

1. Imunize-se contra o fracasso. Você deve fazer como Jia Jiang. Não gosta de falar em público? Sua voz vacila e gagueja, sentindo-se mais autoconsciente a cada momento? Faça pequenos experimentos. Grave a si mesmo falando uma frase e depois assista ao vídeo, ou simplesmente obrigue-se a fazer uma pergunta em voz alta em uma reunião em que você não precisaria falar. Ao se expor em pequenas doses à força que estamos tentando construir, é menos provável que soframos consequências sérias se falharmos – e podemos até, quem sabe, talvez, triunfar. A cada passo, fortalecemos nossa imunidade às desvantagens de um novo hábito, aumentando as chances de aceitá-lo.

2. Assuma o compromisso antes de se acovardar. Nosso entusiasmo em estabelecer grandes metas para nós mesmos geralmente é acompanhado do medo de fracassar. Você já se convenceu de que hoje é o dia errado para deixar de procrastinar?

Provavelmente. Mas há uma janela de oportunidade aberta entre sonhar com isso e o pânico de não conseguir. Use essa janela se comprometendo com alguém.

Por exemplo, mande uma mensagem instantânea a um colega com quem você precisa ter uma conversa difícil e está procrastinando: “Gostaria de discutir nossa abordagem de design. Podemos marcar um horário na próxima semana?”. Antes mesmo de iniciar um projeto difícil, escreva um e-mail sobre ele a seu cliente. Ao começar com o e-mail, você cria impulso para que aquilo saia de sua cabeça e se materialize, já que se responsabilizou perante outra pessoa. Uma vez que aquilo está fora de sua cabeça, fica muito mais difícil desistir.

3. Divulgue o que você aprendeu com erros. Como diz o ditado, não importa a queda, mas como você se levanta. Quando você falha em pequenas coisas, identifique o que aprendeu no processo. Tendemos a evitar os holofotes (às vezes inventando um ou dois dias de alguma doença) quando não conseguimos a fórmula perfeita. Mas, em vez disso, devemos aprender a conter a vergonha do fracasso e fazer esse aprendizado reverberar. Enquadre tudo como um MVP. Isso lhe dá uma mentalidade de aprendiz, torna a perfeição desnecessária e permite que você se mova mais rápido e obtenha feedback útil e apoios.

4. Meça seu progresso. A melhor maneira de progredirmos da maratona de ver filmes no sofá para correr uma maratona não é se estressar todas as manhãs em que não conseguimos acordar para correr. Cada vez que nos envergonhamos ou nos culpamos, minamos a motivação para continuar. Em vez de avaliar cada dia de corrida individualmente, mantenha um registro de seus esforços ao longo do tempo, e você perceberá que já chegou longe.

5. Permita-se parar. Quando chegar ao auge do novo hábito – você está mandando bem e gostando disso –, fique atento a um possível declínio: defina um limite de tempo para correr, por exemplo, e não o exceda. E não corra nos dias de mau humor.

__Leia mais: [O esporte como inspiração para a carreira e a vida](https://www.revistahsm.com.br/post/o-esporte-como-inspiracao-para-a-carreira-e-a-vida)__

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