Diversidade, Liderança

O coronavírus e o RH: 3 dicas para seguir em operação e preservar a normalidade

Especialistas dão sugestões de como manter as atividades em andamento em tempos de distanciamento social e trabalho remoto

Compartilhar:

A disseminação do coronavírus virou a rotina das empresas de cabeça para baixo. Para cumprir a recomendação de manter o distanciamento social, de modo a evitar novas contaminações, as companhias estão precisando adaptar as atividades de uma hora para outra. 

No olho do furacão, os departamentos de Recursos Humanos se desdobram para dar conta da nova realidade. Mas o que fazer para seguir em operação e preservar um grau de normalidade no ambiente corporativo? 

Em setores como o de tecnologia, em que esquemas de trabalho remoto não são uma novidade, o home office ganhou espaço. A

 HBSIS Ambev, de Blumenau, por exemplo, liberou o trabalho remoto para os 900 colaboradores por tempo indeterminado – e tornou o sistema obrigatório para profissionais de grupos de risco (faixa etária avançada, gestantes, diabéticos e imunodeprimidos). 

Para as empresas em que o sistema ainda não é comum, três especialistas em RH dão sugestões de como manter as atividades o mais próximo possível do habitual.

Veja quais são a seguir.

Processos seletivos: ideal é mantê-los e reforçar a comunicação com candidatos
——————————————————————————

As mudanças no expediente das empresas, além da recomendação de evitar aglomerações e transporte público, podem afetar uma das atividades mais importantes das equipes de RH: recrutamento e seleção. 

Para as companhias que demandam profissionais qualificados, raros no mercado, a desmobilização dos processos seletivos é um prejuízo. “Há seleções que duram semanas. 

Uma interrupção no processo pode levar a empresa a perder bons candidatos pelo caminho”, diz Paulo Lazári, CEO da Recrutei, plataforma para gestão de recrutamento e seleção. 

Para conseguir manter a normalidade, algumas ações são necessárias. “Ainda que adaptados, os processos seletivos devem ser mantidos sempre que possível, com reforço de comunicação e alinhamentos com os candidatos”, avalia Lazári. 

Se não for possível entrevistar um profissional pessoalmente, por exemplo, é viável lançar mão de videoconferências. 

Se uma avaliação estava prevista para ser presencial, existem formas de fazê-la a distância. “O mais importante é a empresa demonstrar que está se mobilizando para minimizar o impacto da pandemia. Adiamentos sucessivos, já que não se sabe quanto tempo a fase crítica vai durar, podem levar à perda de confiança no processo”.

Comunicação reforçada: reuniões de check-in para estabelecer metas e prioridades
——————————————————————————–

Como garantir que o colaborador vai entregar os resultados e se manter produtivo trabalhando a distância? Essa é uma das principais questões levantadas sobre o home office, e a solução é reforçar a comunicação com reuniões de alinhamento, essenciais para garantir o sucesso do trabalho remoto. 

“O alinhamento 1:1 é um ritual de liderança importante para debater, direcionar e priorizar tarefas. São momentos em que o líder pode passar para o colaborador o planejamento das próximas ações e estabelecer metas para que a produtividade não seja medida por horas de trabalho, e sim por entregas cumpridas”, diz Cesar Nanci, CEO da Pulses, startup que desenvolve soluções de clima organizacional.

Uma saída é fazer reuniões semanais de check-in, estabelecendo metas e prazos, verificando o andamento das tarefas e checando o que foi finalizado. 

Além disso, é necessário verificar aspectos sobre bem-estar e eventuais dificuldades e problemas que os colaboradores podem estar sentindo. 

Nanci também reforça a importância dos líderes estabelecerem uma relação de confiança, propiciando condições seguras para que as pessoas possam fazer seu melhor em um cenário restritivo. “São em situações como essas que soluções criativas aparecem. Incentive olhares diferentes sobre o negócio e as atividades do dia a dia”.

Treinamento dos colaboradores: ensino a distância é opção para manter a produtividade
————————————————————————————-

O momento de reclusão forçada da população pode ser uma oportunidade para investir na qualificação a distância dos colaboradores, fornecendo – ou indicando – cursos de acordo com as habilidades que as empresas desejam potencializar. 

Preservar treinamentos que já estavam previstos, adaptados para a modalidade online, também pode ajudar a manter o time unido e engajado com as atividades cotidianas do trabalho. “A autoaprendizagem, que já era uma tendência, hoje se mostra uma solução real para valorizar o tempo em casa”, diz Luiz Alberto Ferla, fundador e CEO do DOT digital group, empresa de educação digital. 

Na China, por exemplo, onde a pandemia de Covid-19 teve origem, o ensino a distância cresceu 20% nos últimos meses, já que cada vez mais pessoas estão buscando a tecnologia para estudar por conta própria. 

No Brasil, a TIVIT, empresa líder em serviços integrados de tecnologia na América Latina, com mais de 10 mil colaboradores, cancelou todos os cursos e atividades presenciais e está focando 100% na capacitação online. “A pessoa tem autonomia para criar a própria jornada educacional e escolher quais conteúdos consumir para se desenvolver de acordo com os seus objetivos. Também pode acessar os conteúdos em dispositivos móveis, o que facilita ainda mais a capacitação e a administração do tempo”, observa Ferla.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Menos chat, mais gente

Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar – e pensar por conta própria

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
8 de março de 2026
Falta de diagnóstico, de planos de carreira, de feedbacks estruturados e programas individualizados comprometem a permanência dos profissionais mais estratégicos nas organizações brasileiras

Maria Paula Paschoaletti - Sócia da EXEC

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
7 de março de 2026
Por que sistemas parecem funcionar… até o cliente realmente precisar deles

Marta Ferreira - Cofundadora e presidente da Spread Portugal

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
6 de março de 2026 06H00
A maior feira de varejo do mundo confirmou: não faltam soluções digitais, falta maturidade humana para integrá‑las.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...