Uncategorized

O unicórnio alemão

Conheça a startup de US$ 3 bilhões de valor de mercado Delivery Hero, que muda a forma de pedir comida e coloca em xeque até mesmo a opção de cozinhar em casa
A entrevista foi realizada por Thomas Schumacher e Dennis Swinford, profissionais da McKinsey sediados, respectivamente, nos escritórios de Düsseldorf, Alemanha, e Seattle, EUA

Compartilhar:

Com sede em Berlim, Alemanha, a Delivery Hero opera em 33 praças de cinco continentes, processando 14 milhões de pedidos de comida por mês e também oferecendo aos clientes recomendações e avaliações dos restaurantes. Tem valor de mercado estimado em US$ 3 bilhões e é uma das startups chamadas de “unicórnios” pelo mercado. 

Niklas Östberg, seu fundador e CEO de 35 anos, conta como a Delivery Hero vem criando tanto valor: 

**O MODELO DE NEGÓCIO**

“Estamos posicionados onde usuários e restaurantes se encontram. O elemento central de nosso negócio é uma plataforma online que nos possibilita mapear os usuários e os restaurantes que estão ao redor deles. 

As pessoas são atraídas para a plataforma e se tornam leais a ela porque a ferramenta as ajuda a identificar os restaurantes disponíveis e quais deles são os melhores. Também é conveniente porque elas podem pagar online e até mesmo recuperar pedidos. 

Para os restaurantes, é igualmente um bom modelo. Eles podem ampliar o número de pedidos e, como o custo variável da comida é bem baixo, o aumento incremental de clientes é muito lucrativo. 

Portanto, os restaurantes querem estar em nossa plataforma e nós cobramos deles uma taxa por encaminhar os pedidos. Tudo é automatizado e online, de maneira que nosso lucro bruto por pedido fica ao redor de 90%. 

É por isso, aliás, que queremos crescer e ganhar escala: se você tem 90% de lucro bruto e custos variáveis baixos, pode ficar mais próximo, em teoria, de obter 90% de lucro líquido. Em alguns mercados, já chegamos a 6% de margem Ebitda [percentual de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização].” 

**OS CONCORRENTES**

“A forma tradicional de encomendar comida é pelo telefone. Portanto, este é nosso maior concorrente. Além disso, a maioria das pessoas ainda cozinha, embora apenas parte delas realmente goste de fazer isso. Mais e mais gente deixa de cozinhar à medida que consegue ter acesso à comida saudável que querem e quando querem. 

Esse é nosso desafio: tornar o setor mais eficiente, para fazer com que seja mais acessível. Nosso foco inicial é atrair os clientes que pedem comida por telefone, para depois conquistar novos clientes, melhorando o serviço. Cada aumento incremental nos deixa perto de nosso objetivo e, em algum momento, talvez nosso serviço seja tão bom que as pessoas não tenham mais de cozinhar em casa.” 

**A FORMA DE INOVAR**

“Eu diria que nossa disrupção se dá em relação a um setor de restaurantes ineficiente, ao serviço ruim, aos processos manuais que não funcionam, à maneira como os restaurantes se conectam com os clientes – nem todos podem desenvolver a própria plataforma de encomendas online. 

Também estamos inovando no que diz respeito às ineficiências no sistema de delivery, que tem um custo elevado para manter frotas próprias e coordenar todas as entregas e que, ainda por cima, não oferece a comida que os consumidores querem. Para muitas pessoas, delivery ainda é sinônimo de pizza ou comida de baixa qualidade.” 

**O MODELO DE GESTÃO**

A centralização é, de certo modo, sempre mais eficiente, porque você pode fazer algo uma vez e multiplicar pelas diversas unidades. De outro lado, dar autonomia e responsabilidade às pessoas tem também um valor enorme. O que raramente funciona é adotar 100% uma abordagem ou outra; o segredo está no equilíbrio. 

Damos aos líderes locais autoridade para estimular o empreendedorismo e o esforço para vencer no mercado. No entanto, temos de estabelecer as regras. Também precisamos definir a cultura da companhia. 

Além disso, é fundamental encontrar pessoas com cabeça de dono, em vez de gestores que põem sua carreira e seus interesses financeiros como prioridade número um. E deve-se oferecer a elas um sistema de incentivos que reflita, o máximo possível, o sentido de posse. 

Por fim, temos uma cultura voltada para os dados. Decisões baseadas em informações objetivas são o que nos une. Os líderes locais têm a palavra final, mas devem provar, com dados, que seu caminho é o melhor.” 

**O FUTURO**

“Precisamos sempre nos manter na ponta em relação à inovação e à velocidade de movimentos no mercado. 

Do ponto de vista do valor de mercado, estamos em boa posição. Isso é verdade mesmo que não cresçamos mais de 50% nos próximos cinco anos – e acho que cresceremos –, mesmo que não melhoremos o desempenho de nossas unidades – e acho que melhoraremos. Acredito ainda que seremos capazes de aumentar nossos preços, mas nosso valor não reflete o futuro, e sim o presente. ”

Compartilhar:

Artigos relacionados

74% das marcas poderiam desaparecer – e ninguém sentiria falta

No ritmo do mundo, só permanece quem sabe se adaptar. Este artigo mostra por que a relevância das marcas não depende mais de presença ou investimento, mas da capacidade de interpretar o tempo, integrar diversidade e transformar propósito em ação concreta.

O Brasil na corrida farmacêutica global

Este é o segundo artigo de uma série que explora o setor farmacêutico brasileiro, suas capacidades industriais, dependências e posição na nova corrida global da saúde. Para sua elaboração, foram consideradas contribuições de Reginaldo Braga Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne algumas das principais fabricantes nacionais de medicamentos. Recomenda-se também a leitura do primeiro artigo da série.

Sem operação, agentes inteligentes são apenas promessas

IA sem operação é só experimento caro. Este artigo revela por que a maioria das iniciativas ainda não gera impacto real – e como o verdadeiro desafio não está na tecnologia, mas na capacidade de estruturar, governar e operar processos em escala.

Liderança
23 de abril de 2026 16H00
A partir das trajetórias de Luiza Helena Trajano e Marcelo Battistella Bueno, este artigo revela por que grandes líderes não se formam sozinhos - e como a mentoria, sustentada por vínculo, presença e propósito, segue sendo um pilar invisível e decisivo da liderança em tempos de transformação acelerada.

Michele Hacke - Palestrante TEDx, Professora de Liderança Multigeracional e Consultora HSM

8 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
23 de abril de 2026 08H00
Medir bem não garante decidir certo: por que sistemas de gestão falham em ambientes complexos? Este artgo traz o contraste entre a perspectiva positivista do BSC e o construtivismo complexo de Stacey revela os limites de cada abordagem e o que cada uma deixa sem resposta

Daniella Borges - CEO da Butterfly Growth

8 minutos min de leitura
Cultura organizacional
22 de abril de 2026 15H00
A IA não muda a cultura. Ela expõe. Este artigo argumenta que ela apenas revela o que o sistema permite - deslocando o papel da liderança para a arquitetura das decisões que moldam o comportamento real.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Diversidade
22 de abril de 2026 07H00
Este artigo traz uma provocação necessária: o conflito entre gerações no trabalho raramente é sobre idade. É sobre liderança, contexto e a capacidade de orquestrar talentos diversos em um mercado em rápida transformação.

Eugenio Mattedi - Head de Aprendizagem na HSM e na Singularity Brazil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
21 de abril de 2026 14H00
Este artigo mostra por que crédito mais barato, sozinho, não resolve o endividamento - e como o Crédito do Trabalhador pode se transformar em um ativo estratégico para empresas que levam a sério o bem‑estar financeiro de suas equipes.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
21 de abril de 2026 08H00
Quer trabalhar fora do Brasil? Se o seu plano é construir uma carreira internacional, este artigo mostra por que excelência técnica já não basta - e o que realmente abre portas no mercado global.

Paula Melo - Fundadora e CEO da USA Talentos LLC

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
20 de abril de 2026 15H00
Este artigo convida conselhos de administração a reconhecerem a inteligência artificial como uma nova camada de inteligência estratégica - silenciosa, persistente e decisiva para quem não pode mais se dar ao luxo de decidir no escuro.

Jarison James de Lima é associado da Conselheiros TrendsInnovation, Board Member da ALGOR e Regional AI Governance Advisor no Chapter Ceará

5 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de abril de 2026 07H00
Se talentos com deficiência não conseguem sequer operar os sistemas da empresa, como esperar performance e inovação? Este texto expõe por que inclusão sem estrutura é risco estratégico disfarçado de compliance

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
19 de abril de 2026 10H00
Ao tornar os riscos psicossociais auditáveis e mensuráveis, a norma força as empresas a profissionalizarem a gestão da saúde mental e a conectá-la, de vez, aos resultados do negócio.

Paulo Bittencourt - CEO do Plano Brasil Saúde

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
18 de abril de 2026 09H00
Este é o quarto texto da série "Como promptar a realidade" e aprofunda como futuros disputam processamento antes de existir como evidência - mostrando por que narrativas constroem organizações, reescrevem culturas ou colapsam democracias, e como reconhecer (ou escolher) o prompt que está rodando agora.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University.

27 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão