Saúde Mental
Oferecido por:

Por que falar de felicidade no ambiente de trabalho?

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

_”Em 20 anos de carreira eu nunca escutei isso, nenhum gestor me fez essa pergunta.”_

Recebi esse comentário de uma leitora, em uma discussão sobre felicidade no trabalho. A questão que eu levantei foi a seguinte: o seu líder já perguntou se você está feliz com o que faz? Se está feliz com o seu trabalho?

Essa foi uma das afirmações mais tristes que li até hoje. Fico imaginando como é passar quase toda a sua vida profissional sem ter o mínimo de intimidade com o seu líder, sem conseguir ter criado uma conexão um pouco mais próxima que leve a essa pergunta, que é ao mesmo tempo tão simples e tão poderosa.

Sem sentir que ele se importa com você.

Explorando um pouco mais a questão, resolvi fazer uma enquete na minha conta no Instragram (@lucianoresponde) com a mesma pergunta. Algumas centenas de pessoas responderam, e o resultado foi o seguinte:

Sim: 21%

Não: 79%

Considerando que uma grande parte dos meus leitores trabalha em empresas de tecnologia e no “mundo novo”, diria que o sim está até um pouco inflado. 

#### **Por que essa pergunta é importante?**

Perguntar se alguém está feliz no trabalho não é coisa de hippie, ao contrário. É uma maneira extremamente eficiente de trabalhar a relação entre o líder e o liderado, entender o momento de sua carreira, coletar feedback sobre o trabalho e descobrir questões que até então não tinham chegado até a nossa atenção.

Além de todos esses pontos que levantei acima, há um outro muito importante: mostrar que você se importa com a pessoa, e não apenas com as tarefas e os resultados. Pare e pense: como fica a sua motivação e energia quando você sabe que está fazendo algo para alguém que se importa de verdade? Alguém que mostra interesse genuíno sobre quem somos e como nos sentimos? Percebe a diferença? É esta a pessoa que você quer ali interagindo com seus clientes e correndo atrás da meta do time, uma pessoa motivada e com a energia lá no alto.

Eu não tenho dúvidas: felicidade no trabalho ajuda a bater meta.

Em 2006 estava começando a minha carreira no Google Brasil. Recebemos no escritório pela primeira vez os dois fundadores: Larry e Sergey. Foi um momento especial e todo o escritório estava mobilizado. Em um dos dias da visita, quando estava caminhando no corredor, encontrei o Larry. Ele acenou para mim e perguntou como estavam as coisas. Eu logo comecei a falar sobre o meu projeto de Analytics, e um outro que eu tinha com clientes, quando ele me parou e disse: “não, eu quero saber como você está pessoalmente. Está feliz aqui?˜. Levei um pequeno susto e disse que estava muito feliz. Ele sorriu e seguiu o seu caminho.

Essa é a primeira memória que tenho de alguém me perguntando se eu estava feliz com o meu trabalho. Na época achei aquilo incrível e com total sentido, na posição de liderança que ele tinha – e hoje vejo que isso é importante para qualquer posição de liderança – o que importa é como eu estava, como eu me sentia. Estando bem e feliz, o resto com certeza vai funcionar muito bem. E funcionava.

Até hoje guardo uma memória positiva desse encontro e dessa pergunta, por isso adotei totalmente esse hábito na minha vida como líder.

#### Está em uma posição de liderança? Quebre o gelo e experimente.

Se você faz parte daqueles quase 80% que nunca fizeram a pergunta para alguém do seu time, faça um experimento. Na próxima conversa que tiver com eles – e diria até mesmo por que não marcar uma conversa exclusiva para tratar disso – faça essa pergunta. Se sentir que é muito, há formas de fazê-la de uma maneira um pouco mais suave, por exemplo: pergunte como ele se sente trabalhando ali ou como estão as coisas. Contudo, sugiro usar a palavra felicidade. Quando ela bate no ouvido de quem recebe, muita coisa vem à tona. São essas coisas que queremos.

Feita a pergunta, escute. Apenas escute o que a pessoa tem a dizer. Se ela der uma resposta curta como “sim” ou “não”, explore mais. Peça para ela dizer as razões, o que está causando aquilo, o que poderia melhorar, como você poderia melhorar e por aí vai. Dedique de 15 a 30 minutos para o exercício.

#### Prepare-se para escutar um “não”.

Uma das coisas que pode acontecer em uma conversa desse tipo é o surgimento de questões sensíveis, ou um feedback um pouco mais pesado – até sobre a nossa performance como líder – e outros assuntos delicados. Se isso acontecer, a pior coisa que você pode fazer é rebater e retaliar.

Se alguém virar e dizer que não está feliz porque você não o reconhece, não o motiva ou que é injusto na maneira como distribui o salário, apenas escute. Se tentar rebater na hora, minimizar a preocupação ou mudar algo de supetão (como tirar o projeto de alguém que reclamou que está atolado), vai se mostrar fechado ou até mesmo vingativo. Se fizer isso, vai fechar essa porta maravilhosa que está tentando abrir.

Eles nunca mais responderão essa pergunta com sinceridade.

Sabe o que faço? Agradeço o feedback e digo que vou refletir sobre ele, que podemos conversar outro dia. Faça isso, reflita de coração aberto, leve o caso para outro colega líder para ver o que ele pensa.

#### Se você achar que não está preparado para escutar um não, nunca faça essa pergunta.

É isso, o meu objetivo aqui é oferecer um pouco da minha experiência com a questão da felicidade no trabalho. Algo tão simples que, para alguns, é um enorme tabu. Vou ser insistente: experimente trazer esse assunto para o seu time. Pode ter uma surpresa positiva.

O mundo precisa falar mais sobre felicidade, no trabalho e fora dele.

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução