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Aprendendo no desconforto: 4 aprendizados de trocar uma multinacional por uma startup

Ser empreendedor ou intraempreendedor? Confira o que mais combina com você, a partir dos aprendizados obtidos pelo nosso colunista na prática tanto em empresas já estabelecidas quanto startups

Colunista Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky

22 de Setembro

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Artigo Aprendendo no desconforto: 4 aprendizados de trocar uma multinacional por uma startup

Após 25 anos atuando em grandes multinacionais, em posições de marketing, transformação digital e inovação decidi sair da minha zona de conforto profissional, para iniciar uma nova carreira, agora em startups.

Por haver liderado transformações digitais, durante 13 anos e estar familiarizado com tecnologia e metodologias ágeis, acreditava que esse seria um passo tranquilo e a transição suave. Não foi!

Enquanto no intraempreendedorismo temos recursos disponíveis e liberdade limitada para fazer, no empreendedorismo encontramos o inverso – recursos limitados e liberdade total.

Essa flexibilidade total pode parecer um sonho para quem olha do lado de fora, mas ela traz a responsabilidade de tomar decisões difíceis e muitas vezes sem nenhum parâmetro histórico. Afinal, há boas chances de você estar criando algo novo.

É outra natureza de negócio. É outro modo de pensar e operar. E antes que você já esteja pensando em perguntar qual é o melhor, aí vai minha resposta: depende.

Abaixo listo quatro grandes aprendizados ou descobertas que podem ajudar você a fazer essa reflexão:

1) Autonomia

Existe uma ilusão que dentro das empresas tradicionais temos alguma autonomia e poder de decisão real, quando, na verdade, tudo precisa ser negociado e alinhado com outras pessoas, especialmente se você está no meio da estrutura em cargos médios.

Já em uma startup, você “corre o risco” de ser a pessoa com mais conhecimento e habilidade em determinado assunto. Logo, a decisão passa a ser sua. Você pode até consultar e perguntar para alguém mais, mas a decisão e suas implicações serão suas e não mais compartilhadas.

Na primeira vez que me deparei com uma decisão importante para tomar e notei que não havia ninguém para alinhar ou debater sobre ela, fiquei assustado. O que parecia um sonho virou desconforto.

Poder tomar uma decisão é, sim, libertador, mas também gera um senso de responsabilidade com o negócio muito, mas muito maior. Conhece aquela expressão: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”?

2) Diversidade

Estamos acostumados a conversar e tratar sobre diversidade ainda num olhar superficial. E quem duvida, basta andar por qualquer empresa ou universidade e fazer um censo de diversidade real.

Temos muitos vieses inconscientes, que nos forçam a buscar formar equipes nos mesmos padrões, com uma desculpa de fit cultural.

Nas startups, você se depara com uma diversidade grande de ideias, experiências, idades, formações e crenças que, combinadas com uma estrutura mais horizontal e menos hierárquica, gera desconforto.

Com estruturas mais enxutas, as equipes são formadas com base nas habilidades necessárias ao negócio e não de maneira culturalmente uniforme. Existe uma colaboração em rede, que nunca havia visto em grandes empresas.

O foco está na tarefa a ser executada e não em quem ou como ela será executada. Lidar com essa diversidade de pensar e fazer me forçou a expandir minha consciência para além de muitas crenças, que – hoje reconheço – me limitavam, em um exercício contínuo de empatia e colaboração.

3) Habilidades

Estruturas organizacionais em caixinhas e descrições de cargos fazem pouco sentido em startups. Você está lá para contribuir com as habilidades necessárias para o negócio.

O olhar vertical das disciplinas se transforma, rapidamente, num olhar horizontal de contribuição ao crescimento e estruturação do negócio.

Se nas empresas você gera desconforto quando atua fora da sua descrição de trabalho, na startup isso é muito bem-vindo, afinal estão todos com foco no negócio e não em preservar funções.

Descrições de cargos não existem nas startups menores. Papéis mudam, evoluem e se complementam, de acordo com os desafios a enfrentar. O fundador ou CEO coloca a mão na massa tanto quanto o analista. A diferença é que ele ou ela também precisa conversar com investidores e dar o norte ao negócio.

Contribuições e mudanças de escopo de trabalho são constantes até que se encontre o melhor encaixe entre as habilidades necessárias.

4) Vulnerabilidade

Muitas vezes confundida com fragilidade, o exercício da vulnerabilidade é mandatório no mundo startup.

Explico. Você está em um ambiente desestruturado e em crescimento, onde provavelmente estará criando algum produto ou serviço nunca feito antes. Logo, é normal ter muito mais perguntas que respostas.

Atuar numa startup é viver em modo beta todos os dias. É conseguir declarar sem medo “eu não sei”, “me ajuda” ou “como faço ou funciona isso”.

Enquanto em uma grande empresa essa vulnerabilidade ainda é evitada, em uma startup ela equivale à curiosidade de estar em modo de aprendizado contínuo.

Diferente de uma empresa estruturada, onde eu discutia sobre os treinamentos necessários com Recursos Humanos, em uma startup qualquer um que se depara com uma tarefa e um gap de conhecimento, simplesmente vai atrás e faz o treinamento necessário.

Vivemos num mundo de conteúdo e conhecimento abundantes. Basta buscar. E chegou a hora da reflexão: onde você seria mais feliz profissionalmente? Em uma empresa mais estruturada e previsível ou em uma mais desestruturada e imprevisível?

Lembre-se que não existe resposta certa, mas sim um encaixe de perfil. Na dúvida experimente!

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Colunista

Colunista Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky

Alexandre Waclawovsky

Palestrante, autor, intraempreendedor convicto, Wacla tem mais de 25 anos de experiência em multinacionais e startups nas áreas de marketing, inovação, gestão e desenvolvimento de novos negócios. Administrador com especialização em marketing de serviços (FGV), transformação digital (Hyper Island) e inovação (Stanford), deu aula sobre transformações no marketing e negócios no MBA de gestão empresarial na Fundação Dom Cabral. Fundador da New Way Consultoria, focada em inovação e empreendedorismo e co-fundador da Senior 45!60, primeira aceleradora de negócios composta por profissionais sênior do mercado. Foi CMO as a Service na Healthtech Cíngulo, na HR Tech de D&I Empodera e na Labora, HR Tech de profissionais 50+. Presidiu o comitê de mídia na Associação Brasileira de Anunciantes (ABA).

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