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Foco: arma do corajoso ou escudo do covarde?

Focar não é fácil, mas a gente discute para acharmos direcionamentos, não é mesmo? Então, você ja tem o seu? Sabe o que quer?

Colunista Eduardo Paraske

Eduardo Paraske

17 de Junho

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Artigo Foco: arma do corajoso ou escudo do covarde?

Vamos falar de foco. Essa palavrinha mágica que todo coach e todo líder adora, que está em todas as frases motivacionais do Instagram.

Mas afinal, foco é a arma do corajoso ou o escudo do covarde?

Primeiro, o lado heroico do foco. Imagine um arqueiro, flecha no alvo, olhos fixos. Ele sabe o que quer e não perde tempo com distrações. O foco é a arma que o faz chegar ao topo. Vejamos Elon Musk, por exemplo. O cara, apesar de ser o maior exemplo de babaca competente do século, não estava brincando quando decidiu ir a Marte. Ele largou o que era secundário, focou em seus objetivos e, bem, estamos falando de foguetes retornáveis hoje.

Outro exemplo é J.K. Rowling. Antes de “Harry Potter” virar um sucesso global, Rowling passou por dificuldades financeiras. Seu foco em terminar o livro, apesar das rejeições iniciais, transformou sua vida. Ela não se desviou, mesmo quando tudo parecia impossível.

Temos outros inúmeros bons exemplos onde o foco é a chave do sucesso, e não desistir vira uma máxima: Cafu, Beatles, Rolling Stones. Até a história da Nathalia Arcuri é incrível sobre isso.

Foco exige coragem. Coragem para dizer não a oportunidades tentadoras mas que desviam você do caminho. Imagine deixar um emprego seguro para investir tudo em um negócio próprio. É preciso coragem para manter o foco quando o caminho é cheio de incertezas. Quando não existe garantia de nada, o foco é tudo.

Agora, o lado sombrio do foco é quando ele vira uma desculpa, um escudo para não arriscar. Ah, o conforto do conhecido! Quantas vezes vemos pessoas que dizem estar "focadas" em algo que já não lhes traz mais alegria ou resultados? Na verdade, estão com medo de tentar algo novo. “Estou focado no meu trabalho atual” pode muito bem ser traduzido para “Estou apavorado com a ideia de mudar”.

Um dos maiores exemplos mundiais onde o "foco" foi a semente inicial da merda é a Kodak. A empresa, que foi líder em filmes fotográficos, se recusou a focar na transição para a fotografia digital, mesmo tendo inventado a primeira câmera digital. O foco no modelo de negócio antigo, por medo de mudança, levou a empresa à falência. Este é o perigo, onde o foco é bola de peso, é escudo para não mudar, e não arma para evoluir.

Pessoas que disfarçam medo de mudança como foco perdem a chance de inovar. Estão tão presas ao “seguro” que não veem a oportunidade quando ela bate à porta. E o pior? Muitas vezes, o velho e o conhecido já não trazem mais benefícios, não mudam o jogo.

Até pra mudar o foco é preciso ter foco. Já ouviu falar dos feras que morrem ao tentar escalar o Everest? Será que eles estavam super focados em morrer, ou será que poderiam ter mudado o foco quando a coisa começou a ficar fora de controle?

Ninguém nunca vai saber.

Então, qual é a solução? Saber exatamente o que você quer e onde quer chegar. Se seu foco não está alinhado com seu propósito, ele se torna uma prisão. Foco deve ser uma ferramenta para o progresso, não uma desculpa para a estagnação.

Seja fã do foco, mas não deixe seu radar para o novo empoeirar. O novo vai bater na sua porta, e se o foco nunca deixar nada entrar, talvez seja hora de desconfiar dele.

E diga-se de passagem, focar é o máximo, mas a vida é muito curta para a gente não desfocar nenhum pouquinho.

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Colunista Eduardo Paraske

Eduardo Paraske

Eduardo Paraske

Eduardo Paraske é co-fundador e sócio da Deboo e 1601 - Consultoria. Tem mais de 16 anos de experiência em multinacionais, como Google, Waze, Samsung, Unilever, Roche Pharmaceuticals e Outback Steakhouse. Além disso, é mentor de startups pelo Google for Startups.

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