Saúde Mental

Saúde mental: muito além do psicólogo e dos medicamentos

Cuidar de questões financeiras, do sono e da saúde física pode trazer melhorias substanciais à saúde mental, ajudando na insônia, depressão e ansiedade
Lucas Baraças é cofundador e CEO da Vigilantes do Sono. Formado em Engenharia da Computação pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Design Thinking pela Escola Politécnica da USP. Atuou como desenvolvedor de software, pesquisador de experiência do usuário e gerente de produto na Taqtile.

Compartilhar:

O cuidado com a saúde mental é um tema que veio para ficar e que deve ser tratado com cuidado. Enganou-se quem pensava que esta era uma onda que iria embora junto com a pandemia. Ainda vivemos momentos de incertezas e, mesmo que as fases com maior tranquilidade cheguem, não devemos nos afastar dos cuidados. Trata-se de uma questão que deve estar presente em nosso dia a dia, e são diversos os motivos para isso.

Um levantamento realizado recentemente pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), a pedido da Pfizer Brasil, apontou que a tristeza foi relatada por 42% dos pesquisados, seguida pela insônia e irritação, 38%, a angústia ou medo, 36%, e crises de choro, 21%. Os jovens na faixa dos 18 aos 24 anos foram os mais afetados. Metade dos entrevistados classificou a própria saúde mental como ruim ou muito ruim. São dados preocupantes e que mostram porque questões relacionadas à saúde mental não podem ser subestimadas.

Já outra pesquisa, esta conduzida pela Life Insights, indicou que 8 em cada 10 pessoas declararam sofrer com ansiedade. Assim como os indicadores mundiais, os resultados do estudo mostram que a condição é mais frequente entre as mulheres e os mais jovens. Como causas da ansiedade, o levantamento revela ainda que a principal delas é a preocupação com o peso, que afeta 51% dos entrevistados, seguido por outros problemas, como contas a pagar, 45%, e preocupações financeiras em geral, 40,8%.

Com os dados acima, podemos constatar que muitas das causas de ansiedade e depressão podem não estar relacionadas apenas à pandemia, como obesidade, saúde financeira, problemas com sono. Um insight ainda mais interessante com base nesses dados é que, quando pensamos em saúde mental, logo nos vem à mente o psicólogo ou aquele remédio mágico, que imaginamos ter o poder de resolver nossos problemas em poucos minutos. No entanto, será que não estamos tentando tratar apenas a consequência e deixando de olhar para o todo?

Como destacado nas pesquisas e estudos, problemas de saúde mental afetam as pessoas de várias formas. Começa com sintomas de insônia, por exemplo, que gera depressão, ansiedade, estresse e quando menos se percebe, tudo se transformou em uma série de problemas que, certamente, irá afetar a rotina da pessoa.

Um estudo realizado pela [Vigilantes do Sono](https://www.vigilantesdosono.com/), em 21 empresas e que reuniu 42 mil brasileiros em todo país, identificou que pessoas com problemas com o sono têm 284% maior probabilidade de ter depressão e 180% maior probabilidade de ter ansiedade.

## Cuidando da saúde mental de forma holística
O lado bom de tudo isso é que relações são bidirecionais. Isso significa que cuidar de questões financeiras, do sono e da saúde física, consequentemente trará melhorias substanciais à saúde mental. É o que mostra uma pesquisa da Vigilantes do Sono em parceria com o grupo Fleury. A empresa submeteu seus colaboradores ao programa de melhoria do sono, idealizado pela Vigilantes do Sono. Cerca de 97% dos funcionários participaram do estudo, que nos trouxe conclusões bastante positivas. Entre os participantes, houve redução de 40% no índice de insônia, 53% de redução no índice de ansiedade e 60% de redução no índice de depressão.

Estudo publicado na revista científica Behaviour Research and Therapy confirma o sucesso da tese de tratamento que envolve iniciativas de terapia padrão com recursos adicionais que visam atuar em outras frentes, como sono, saúde financeira, etc. Os resultados de desfecho clínico, ou seja, melhoria nos quadros de depressão e ansiedade, foram melhores do que quando aplicado apenas o cuidado com a saúde mental tradicional. Isso evidencia ainda mais que, para ser efetivos, não devemos olhar as iniciativas de forma isolada, mas sim olhando o indivíduo como um todo e oferecendo os recursos necessários para um tratamento mais holístico.

## O que fazer com todas essas possibilidades?
Claro, não é fácil coordenar diversas iniciativas e muito menos conseguir a adesão dos colaboradores ao falar de temas que ainda são tabus, contudo, é exatamente aí que existe uma oportunidade. Falar sobre saúde financeira, sono e prática de atividade física são temas muito mais desestigmatizados. Por vezes, podem justamente romper a barreira e atuarem como cavalos de tróia, sendo a porta de entrada para que pessoas mais resistentes passem a ser mais flexíveis e abordem com mais naturalidade questões de saúde mental.

Além disso, exigir linhas de cuidado e jornadas mais holísticas nas empresas que cuidam da saúde dos colaboradores pode ser uma forma de trazer soluções mais robustas e eficientes. A tecnologia pode e deve exercer um papel de apoio, seja para a pessoa cuidada ou aos profissionais de saúde. Vivemos em uma era cada vez mais digital e imediatista. Obviamente, não há solução mágica para o cuidado com a saúde mental, no entanto, a transformação digital impulsionada pela pandemia permitiu uma aceleração nunca antes vista no que se refere a atendimento remoto e telemonitoramento.

Com isso, é possível oferecer um atendimento e cuidado mais próximo e assertivo. Em meio a cenários de incertezas, a pauta da saúde mental deve continuar ganhando espaço em nossas discussões e devemos aproveitar este momento para aproximar as pessoas e desestigmatizar o tema.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

O Brasil tem muitos fundos ou muito risco? O que os números realmente mostram

O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

O que o espírito do tempo está tentando nos dizer? Afeto, autonomia e o desafio de construir o futuro

A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
31 de outubro de 2026 08H00
Conselhos, mentorias, projetos estratégicos, participações societárias e posições temporárias estão redesenhando o papel dos executivos mais experientes.

Renata Fabrini - Sócia-fundadora da Plongê

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de outubro de 2026 15H00
O artigo reflete sobre os riscos das chamadas “câmaras de eco algorítmicas” e sobre o papel da IA na construção de decisões mais robustas e menos complacentes.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA do Brasil

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de outubro de 2026 08H00
Ferramentas generativas estão acelerando a produção de conteúdo nas áreas de comunicação e relações públicas. O desafio é que rapidez não substitui contexto, discernimento nem responsabilidade.

Ana Paula Soares - Diretora-fundadora da Encaso Comunicação

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
29 de outubro de 2026 15H00
Pesquisas recentes indicam que o envelhecimento biológico pode ser medido, acompanhado e, em determinadas dimensões, influenciado. A partir dessa nova compreensão, cresce o interesse por abordagens capazes de identificar riscos precocemente e promover trajetórias de saúde mais duradouras ao longo da vida.

Natalia Gonçalves - Superintendente Pesquisa & Desenvolvimento e Diretora Instituto de Ensino e Pesquisa (IEPD) da Dasa

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
29 de outubro de 2026 08H00
A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Bernardo Murta - Principal Engineer da Dynamox

3 minutos min de leitura
Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução