Dossiê: Jovens Talentos, Desenvolvimento pessoal, Gestão de pessoas

Microlearning é aposta para programas de desenvolvimento

Formato flexível e versátil da metodologia é atraente para o onboarding, treinamentos e atração e retenção de talentos
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

A pandemia e o tão apregoado distanciamento social fizeram com que muitos jovens brasileiros buscassem conteúdos online voltados ao desenvolvimento das hard e soft skills – muitos deles disponíveis via microlearnings. Essa foi uma das constatações da pesquisa *[The Truth #7](https://info.eureca.me/pesquisa-the-truth-7)*, elaborada pela consultoria Eureca em 2020. Seus achados podem (e devem) ser utilizados pelas áreas de gestão de pessoas das empresas com o objetivo de atrair e reter os novos talentos do mercado.

De acordo com o levantamento, que ouviu 1.153 jovens em todo o Brasil com idade média de 24 anos, quase metade dos entrevistados (48,14%) disse estar mais interessado em se desenvolver por meio de canais digitais e online. Outra boa notícia é que 79,2% dos pesquisados já têm o hábito de estudar.

Entretanto, é para os 20,6% – os quais dizem não ter o hábito, mas gostariam de desenvolvê-lo – que o RH pode realmente fazer a diferença. Incríveis 100% desses jovens (que desejam ter o hábito de estudos, mas ainda não o têm) acreditam que microlearnings aumentariam seu aprendizado, especialmente [devido ao seu formato versátil](https://www.revistahsm.com.br/post/impactos-da-educacao-a-distancia-na-sustentabilidade), como vídeos e textos curtos relacionados a conteúdos de treinamentos formais.

## O que é o microlearning?
Microlearning é um formato de aprendizagem flexível, cujo princípio é quebrar um assunto mais complexo em pequenas pílulas com informação objetiva e focada. Assim, ele incentiva o aprendizado por partes, ou seja, de forma contínua e rotineira.

Sua principal característica é ensinar um tema, em linguagem simples e direta; e a “aula” deve ter duração de até cinco minutos. Segundo o professor Larry D. Rosen, psicólogo e autor do livro *The Distracted Mind*, esse é o tempo máximo que uma pessoa consegue se concentrar em algo sem desviar a atenção para outra coisa qualquer.

A modalidade do microlearning é online, e o ideal é que o conteúdo possa ser acessado por diferentes dispositivos [a qualquer hora e de qualquer lugar](https://www.revistahsm.com.br/post/o-sucesso-do-trabalho-hibrido-no-mundo-pos-pandemia). Uma dica é reunir diferentes linguagens para ensinar o conteúdo, o que costuma prender mais a atenção da pessoa. O uso de recursos multimídia na educação, de uma forma geral, resulta em maior compreensão e retenção do que é ensinado.

São muitas as possibilidades de linguagem a serem usadas no microlearning, mas sempre prezando pela curta duração e acessibilidade. É possível encontrar microlearnings em formato de artigos, áudios, imagens, infográficos, podcasts, questionários, quizzes, testes, textos, vídeos e jogos (games com missões e pontuações).

Qualquer formato – ou mix de formatos – é válido. Entre eles, uma boa pedida é criar um aplicativo gamificado, que seja customizado e alinhado ao negócio da companhia. Esses aplicativos até podem estabelecer, por exemplo, rankings e prêmios aos jogadores, enquanto se estimula a capacitação e o engajamento dos participantes.

## Aplicações diversas
Os microlearnings servem para quase todas as situações em que o objetivo é ensinar algo novo para os funcionários ou atualizar expertises já adquiridas. Além disso, o método pode ser adotado para que uma série de conteúdos relevantes para o business da organização fique disponível aos colaboradores para consulta, dúvidas pontuais ou para solucionar problemas que possam surgir no dia a dia. O microlearning, portanto, funcionaria como uma biblioteca personalizada e de confiança sobre o negócio.

Como é bem aceito pelos jovens, conforme indicado pela pesquisa da Eureca, a metodologia pode auxiliar o RH no processo de recrutamento e seleção e de boas-vindas a novos colaboradores. Ao serem contratados, eles podem aprender sobre a empresa, seus valores e sua missão, sua cultura organizacional de um jeito mais leve, moderno e divertido.

As atividades inerentes ao cargo também podem ser passadas por meio desse [método de aprendizagem](https://www.revistahsm.com.br/post/educacao-precisa-focar-nas-necessidades-do-mercado-em-transformacao). Uma vez que o microlearning apresenta fácil assimilação e alto aproveitamento, o RH possui a oportunidade de criar vídeos e textos curtos para o treinamento e o desenvolvimento de colaboradores, especialmente para os jovens, público especialmente engajado neste tipo de formato.

De forma complementar, o RH ainda pode criar espaço virtual para chat e ferramentas colaborativas para promover maior socialização entre as pessoas. Isso também pode abrir espaço para a troca de experiências entre novos e antigos colaboradores ou entre funcionários de diferentes gerações.

## Benefícios para a educação corporativa
Inicialmente, oferecer microlearnings vai de encontro a uma expectativa da juventude, segundo o levantamento da Eureca. Isso gera engajamento e pertencimento, fatores que reforçam a retenção de talentos. Entretanto, há muitos outros benefícios para a educação corporativa.

Por serem de curta duração, os microlearnings permitem que os profissionais recebam treinamento sem impactar a rotina do trabalho ou sem causar queda na produtividade. Além disso, com o uso desse formato, a assimilação é mais elevada, em especial para ocasiões em que o [ensinamento é aplicado automaticamente no dia a dia](https://www.revistahsm.com.br/post/uma-nova-experiencia-em-educacao-corporativa).

O processo de aprendizado em pequenas sessões, quando acessadas periodicamente, leva com o passar do tempo à criação de hábitos. A organização, portanto, ganha colaboradores que adotam o lifelong learning – profissionais que buscam sempre aprender mais no decorrer da vida são muito desejáveis por qualquer empresa de vanguarda.

Logo, a proposta dos microlearnings facilita a criação e produção de [conteúdos personalizados pelo RH e garante agilidade ao processo](https://www.mitsloanreview.com.br/post/fast-learning-o-imperativo-da-nova-realidade), seja para quem fornece a metodologia ou para quem a consome. Outra vantagem é a atualização e gestão do conteúdo, de maneira fácil e rápida, já que está em ambiente digital.

Sempre é bom lembrar que uma empresa é feita por pessoas. Para se manter relevante, ela precisa evoluir sempre. Com o alto número de jovens desempregados – mais de 600 entre os quase 1200 entrevistados pela consultoria –, sua atração é importante para empresas que desejam se manter inovadoras e atualizadas. E a juventude está ávida por uma posição no mercado de trabalho para provar seu valor.

__*O E-Dossiê: Jovens Talentos é uma coprodução de HSM Management e Eureca.*__

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
6 de outubro de 2026 14H00
Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
6 de outubro de 2026 08H00
Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

9 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
5 de outubro de 2026 14H00
Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução