TBT HSM Management

Minha “memorabilia” de HSM Management

Mais cinco recortes dos 25 anos desta revista – agora, com curiosidades e histórias dos bastidores
Adriana Salles Gomes é diretora-editorial de HSM Management.

Compartilhar:

Os colegas me incumbiram de fazer um #tbt de insider, compartilhando curiosidades. Lembrei-me imediatamente de duas perguntas que ouvi muito: (1) O que significa HSM? (2) Como começou?
Pois H é Harry (Ufer), S é Salibi (José Neto) e M é Marina (Domingues), o trio de fundadores da HSM, dos quais gosto demais. A revista frutificou de uma sementinha singela: o Folha Management, um encarte veiculado por um tempo às segundas-feiras no jornal Folha de S. Paulo, que ilustra esta coluna e eu tive o prazer de criar e editar. Os sócios gostaram da experiência e escalaram [risos]. Fora isso, me ocorreram mais cinco perguntas:

## 1. Como a hsm transferiu know-how de evento para revista sem ser do ramo?
O conceito não existia, mas CX já era uma obsessão para Harry, Salibi e Marina. Eles tomavam decisões com base nisso e sabiam que a revista precisava proporcionar a mesma coisa. Por exemplo, não fui a primeira opção como editora, apesar do sucesso do Folha Management, porque eles acharam que um acadêmico seria mais indicado do que um jornalista, pela profundidade que traria. Mas, ainda na fase de testes, viram que não funcionava – e a razão era a experiência do leitor. A revista tinha de ser uma leitura para executivos, e as condições destes são bem específicas: têm pouco tempo, precisam de clareza e objetividade para usar o conhecimento, querem ser motivados a ler. Quando mostrei o tipo de edição que eu fazia, os sócios entenderam na hora.

## 2. HSM trata bem OS clientes, mas e os outros stakeholders?
Nunca tinha visto gente levar tão a sério as melhores práticas até conhecer o H, o S e a M. Desde o primeiro número, a revista dizia que, se você quer que o cliente seja bem tratado, você tem de tratar bem seu funcionário – e ser leal com fornecedor. Éramos movidos a feedbacks. Eles transmitiam não só o que viviam no dia a dia dos negócios, mas o que seus clientes viviam, e seus clientes eram “apenas” a comunidade executiva mais avançada do Brasil.
Mas veja: o foco nos clientes definitivamente nunca pôs funcionários e fornecedores de escanteio. Tenho um caso engraçado para ilustrar. Uma vez fizemos um Dossiê sobre gestão de esportes, e o diretor de arte na época resolveu usar como header das páginas a imagem da maior torcida do Brasil (em volume de torcedores), que era, e ainda é, a do Flamengo. Não é que um assinante cancelou a assinatura por não tolerar uma revista que publicasse algo do Flamengo? Eu respondi, argumentando que o texto nem mencionava o time, mas sem sucesso. Não, o cliente não tinha sempre razão. Recebi todo o apoio dos sócios apesar de ter autorizado a foto. E isso me deu segurança psicológica para continuar a inovar na edição.
Outro aspecto que dava segurança era a coerência. Eles faziam o que falavam. Quer prova? Os fundadores vinham às reuniões de fechamento com o boneco da revista inteiro sublinhado com marca-texto. Na primeira vez, levei um susto com o amarelão nas páginas; achei que iam querer mudar tudo. Mas não: eram coisas que iam implementar na HSM. A coerência se manteve sob a batuta do Maurício Escobar, quando a HSM virou parte da Ânima, e mesmo quando esta abriu o capital. E foi assim com todos os executivos que lideraram o negócio (Carlos Júlio, Flávio Cordeiro, Guilherme Soárez, Marcos Braga, Poliana Abreu, Reynaldo Gama etc.)

## 3.Como vocês trazem receitas de gestão dos estados unidos quando o ambiente de negócios e os desafios do brasil são tão únicos?
A pessoa vê palavras e nomes ingleses e deduz que a revista é americanizada… Não, não, não! Nunca fizemos “copia e cola”; sempre foi antropofagia – acessávamos o conhecimento de ponta global e adaptávamos às circunstâncias brasileiras. E publicamos americanos, europeus, asiáticos, latino-americanos aos montes, além dos brasileiros. Quando surgiu, a revista veio fazer o Brasil gerencial parar de olhar para o umbigo; era um umbigo atrasado. Ajudamos o Brasil a enxergar o mundo quando a globalização começou a ser o paradigma. Uma curiosidade é que, por muito tempo, fomos uma redação distribuída – não posso não citar a querida Alicia Cerri, a Adriana argentina.
Evidência do olhar sob demanda para nosso leitor é a canseira que dávamos nos entrevistados. Perdi a conta das entrevistas que começavam com meia hora da agenda e duravam duas horas ou mais: de cara, isso aconteceu com Ray Kurzweil, Dan Ariely, Nassim Taleb, Charlene Li, Sir Ken Robinson, David Feffer, Vicente Falconi… Com Silvio Meira, já passei a tarde toda num restaurante – Spadaccino, da Paula Lazzarini, a primeira gerente de HSM Management que fechou o lugar para nós –, numa maravilhosa entrevista regada a vinho. E dica: leitor (o nosso, sobretudo) não lê passivamente; põe em seu contexto.

## 4. Por que a revista demorou a ser digital?
Ela foi concebida como um instrumento de comunidade – a mesma que frequentava os eventos HSM e assinava a Management TV. Então, ficava abrigada no site da empresa-mãe, dividindo espaço com os eventos. Mas, apesar de comunidade ser algo muito atual, ecossistema também é – e faltou, sim, visão ecossistêmica. Foi providenciada, de 2016 em diante. Agora somos parte do ecossistema HSM, mas com vida própria. E mais plataforma que revista.

## 5. Sendo bimestrais, vocês não perdem o calor do momento?
Nosso radar está sempre ligado captando o que importa, gerando e entregando valor, mas não é só: quando a revista já está entrando na gráfica, não raro peço para pivotar. Planejamos muito para poder ir fundo, mas se algo se impõe… Não à toa, o Salibi, coautor, mentor, amigo, me chama de chata [risos]. Houve atrasos de entrega? Sim. E me penitencio. Mas lembro que esta é revista de lifelong learning – mais que a primeira a chegar, deve ter tudo que for relevante. Passei o bastão a editoras melhores que eu, mas sigo dando meus pitacos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Contratar, promover ou buscar fora: a decisão que separa o líder do gestor

Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo