Estratégia e Execução

Não é apenas cringe: impactos das gerações nas estratégias de CX

Entenda como empresas e marcas podem construir e executar estratégias de customer experience olhando para as peculiaridades que constituem e demarcam as diferentes gerações
É head de marketing e comunicação da Syngenta. Publicitária, é especialista em Marketing pela FAAP e em Branding pela Northwestern University - Kellogg School of Management. Há mais de 23 anos no time da Syngenta, a executiva é responsável pela inserção da companhia no digital.

Compartilhar:

Substituir a fala “aqui o cliente sempre tem razão” pela frase “aqui, o consumidor está em primeiro lugar” pode até parecer clichê. No entanto, quando ouço ou vejo essa afirmação, sinto uma percepção comum de que isso é um belo discurso, ainda longe de ser a realidade para uma série de empresas que afirmam adotar essa prática.

Há alguns anos, a estratégia de valorizar a experiência do cliente tem se tornado cada vez mais relevante. O cliente, seja ele pessoa física ou jurídica, assume efetivamente o papel central das relações comerciais. [Como protagonista, cabe a ele a figura de decisor](https://mitsloanreview.com.br/post/empresas-customer-centric-e-a-jornada-do-novo-consumidor-no-varejo). Potencializado pelo isolamento social durante a pandemia, o ambiente digital tornou-se o ambiente ideal e propício para se colocar em prática a customer experience.

Na minha percepção, colocar o consumidor no centro da estratégia da empresa, é o caminho mais lógico e racional, quase que uma questão de sobrevivência para qualquer negócio. Portanto, viabilizar um sentimento positivo em cada uma das interações feitas entre uma empresa e seus clientes, deveria ser uma das principais metas de qualquer empresário. O ideal mesmo seria que esse raciocínio se desdobrasse em todo relacionamento, independentemente do canal em que ele aconteça, seja presencialmente, por telefone ou por meios digitais, como no atendimento via chat, ou pelas redes sociais.

Numa economia acostumada a colocar os holofotes no produto ou serviço a ser negociado, na qual o principal objetivo está relacionado ao lucro e ao aumento de vendas, essa inversão de papéis gera desconforto e, porque não dizer, uma certa resistência. Com isso, executivos e empresários mais flexíveis saem na frente e adotam um conceito de gestão mais contemporâneo, que compreende a máxima de que não basta ter um produto ou serviço incrível, é essencial que o cliente tenha uma percepção positiva também sobre sua marca.

Assim, ao inverter o papel e se colocar no lugar do cliente, tendo como foco o seu foco, é possível construir experiências extraordinárias e estabelecer uma relação mais longa e leal com aquele que de fato é o tomador de decisões. Grandes companhias como Apple, Amazon, Starbucks e Disney provam que isso é viável. Fazem parecer algo simples, mas não é.

## Estereótipos geracionais

Aqui chega o momento de trazer à tona o impacto da diferença geracional na construção de [estratégias de CX](https://www.revistahsm.com.br/post/investimento-em-customer-experience-diferencia-pmes). Afinal, atualmente, é comum que empresas tratarem a geração Z e millennials (ou geração Y) como sendo a mesma, o que é um equívoco.

Por exemplo, em 2021 os millennials estão na faixa etária entre os 27 e 40 anos. Em sua maioria, são pessoas que cresceram diante da crise financeira global e em meio à aceleração na tecnologia digital. Tais consumidores já saíram da universidade, possuem uma trajetória profissional e alguns até constituíram família. Pode ser considerada a geração com maior impacto na economia atual, pois tem grande poder financeiro de afetar os negócios.

Como característica, a geração Y é constituída por pessoas que têm pouca paciência para serviços ineficientes e ruins, por isso buscam ferramentas digitais que possam ajudá-los no gerenciamento do seu dia a dia. Desse modo, preferem ser assistidos por alguém para concluírem suas escolhas de compra, além de confiarem muito no histórico de grandes marcas.

Enquanto isso, a[ geração Z desafia estereótipos](https://www.revistahsm.com.br/post/os-novos-ecossistemas-que-influenciam-a-geracao-z) e dita suas próprias regras. Nela estão os nascidos entre 1995 e 2015, seres que serão responsáveis pelo futuro das relações de consumo. É por causa desse público que é preciso reinventar a forma de vender e de estabelecer relacionamentos com clientes. Afinal, para essa geração, é necessário bem mais do que uma loja física, um site e suas contas nas redes sociais.

Movidos por propósitos, as pessoas da geração Z são cidadãos preocupados com seus valores pessoais. Assim, a reputação e a maneira como a marca se posiciona perante dilemas sociais, interferem diretamente em aspectos extremamente importantes como a comunicação, sustentabilidade, diversidade, preocupações com o meio ambiente, etc.

Com essa análise simples é possível perceber que há uma diferença considerável nos estereótipos dessas gerações. Contudo, vale esclarecer que essas não são as únicas gerações que interferem no consumo. Lembrem-se que antes dessas gerações, temos os numerosos baby boomers, nascidos após a Segunda Guerra Mundial até o início dos anos 60, e há, ainda, a geração X, composta por aqueles que nasceram entre os anos 60 até o início dos 80. Evidentemente, são perfis mais analógicos, mas que atuam consideravelmente na economia.

## Estratégias de CX

Diante de personas tão diversas, como estabelecer estratégias de CX eficazes? Para alguns setores como o agronegócio, por exemplo, esse trabalho é bem complicado. Afinal, dependendo da região do país, há uma mescla de gerações e a sucessão familiar nas lavouras acontece num ritmo diferente.

Segundo o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE, a população rural está diminuindo e ficando mais velha. Apenas 6,7% dos rurícolas têm menos do que 25 anos, enquanto o maior contingente de produtores rurais possuem entre 40 e 45 anos (26,3%), seguidos pelos que têm entre 50 e 55 anos (20,5%), entre 25 e 35 anos (14,36%) e 11,22% com mais de 65 anos.

Diante da heterogeneidade de gerações tão evidente, para conseguir atender as necessidades de seus públicos e implantar novos conceitos de gestão focados em CX, as empresas precisam investir em treinamentos e capacitação para seus colaboradores e devem criar programas de fidelização e relacionamento com clientes.

Além disso, diante de personas tão distintas, é preciso desenvolver tecnologia e inovação para a confecção de produtos mais sustentáveis, bem como investir em transformação digital para gerar conectividade e agilidade nas relações, dentre outras iniciativas estratégicas.

Vale lembrar ainda, no contexto geral da estratégia de CX, que o olhar e a execução da experiência do cliente vão além da facilidade de navegação de um site ou da experiência que o consumidor tem na hora da compra.

Como gestor de um negócio, pense e aja de maneira estratégica. Afinal, independente da faixa etária, todo cliente gosta e quer estar em primeiro lugar. Daí a relevância de personalizar as experiências sem abrir mão de recursos tecnológicos responsivos, capazes de adaptar-se a grande variedade de dispositivos que vão permitir que cada um de seus stakeholders se conectem com a empresa de maneira especial e única, conforme aquilo que busca.

Reavalie a relevância de encantar o consumidor, oferecendo a ele mais do que um discurso e, sim, uma experiência encantadora, de acordo com aquilo que o deixará mais confortável, seguro, confiante, satisfeito e feliz.

Lembre-se que ser apenas inovador em CX não garantirá o sucesso de sua empresa. Hoje, temos que pensar no ser humano em sua integralidade. Cuidar de suas especificidades. Pensar no todo sem deixar de sentir o indivíduo. Afinal, é ele quem decide.

*Gostou do artigo escrito por Renata Moya? Saiba mais sobre estratégias de CX assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e ouvindo [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) na sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz um compilado dos principais insights que emergiram da edição do ATD Summit 2026. Realizada em Los Angeles, entre os dias 17 e 20 de maio, as reflexões desse evento global precisam entrar, com urgência, na agenda de líderes e organizações.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de maio de 2026 14H00
Ao propor o conceito PACE, este artigo argumenta que a inteligência artificial não apenas intensificou o caos, mas criou uma nova infraestrutura de ação - deslocando o foco da sobrevivência para a capacidade de operar, decidir e criar valor em um mundo reprogramável.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT e membro do Conselho de Administração da IMA

13 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
27 de maio de 2026 08H00
A crise do trabalho não é de esforço - é de estrutura. Este artigo mostra que nunca se investiu tanto em produtividade, e nunca o trabalho pareceu tão insustentável.

Tiago Amor - CEO na Lecom

3 minutos min de leitura
Estratégia
26 de maio de 2026 14H00
O problema das govtechs não é a burocracia - é tratar o governo como cliente quando ele deveria ser parceiro.

Luiz Costa - Gerente de Inovação da Dome Ventures e Lincoln Ferdinand - Gerente de Marketing da Dome Ventures

3 minutos min de leitura
Estratégia, Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de maio de 2026 07H00
Ao criticar abordagens superficiais e reativas, este artigo mostra por que cumprir a norma não basta - e como organizações precisam ir além do diagnóstico de risco para construir, de fato, ambientes que sustentem o florescimento humano.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

11 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
25 de maio de 2026 17H00
Diante da crescente complexidade dos negócios, este artigo propõe uma mudança estrutural: sair de modelos organizacionais fragmentados para desenvolver a nexialidade - a capacidade de conectar inteligências, integrar decisões e operar como um sistema coletivo em rede.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

7 minutos min de leitura
Estratégia
26 de maio de 2026 14H00
Quando a inteligência deixa de ser centralizada, a criatividade deixa de ser limitada - e a organização inteira passa a responder melhor ao mundo real.

Marcos Brabo - Chief Strategy Officer (CSO) e sócio da Agência Ginga

4 minutos min de leitura
Estratégia
25 de maio de 2026 08H00
Ao olhar para o fitness como laboratório de comportamento, este artigo revela por que engajamento real não nasce da atração inicial, mas da capacidade de transformar intenção em rotina por meio de conveniência, personalização e pertencimento.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de Pessoas
24 de maio de 2026 12H00
Quando a energia do Mundial entra no cotidiano corporativo, o humor, empatia e pertencimento se modificam; e quem ganha é a corporação, com o incremento do comprometimento de colaboradores e impactados

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

0 min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
24 de maio de 2026 08H00
Este artigo propõe uma nova lógica de liderança: menos controle, mais calibração - onde a inteligência artificial não reduz a agência humana, mas redefine a forma como decidimos, pensamos e lideramos em contextos de incerteza.

Carlos Cruz - Pesquisador, Escritor e Consulting Partner Executive na IBM

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão