Empreendedorismo

O protagonismo das cooperativas de crédito

Promovendo desenvolvimento por meio de um modelo de negócios sustentável, as cooperativas de crédito se destacam em momentos de crise. Entenda.
Dirigente da Sicoob Credisul no Norte do Brasil, conselheiro fiscal do Sescoop/RO e presidente estadual da JARO - Junior Achievment/RO. Engenheiro de produção, com MBA em gestão empresarial e gestão do agronegócio, mais de 20 anos de experiência profissional, sendo 16 em grandes instituições financeiras nacionais e internacionais, atuando no estado de São Paulo.

Compartilhar:

Quando a crise chega, o brasileiro já sabe: vai haver dificuldade, o dinheiro ficará mais caro e mais garantias serão necessárias para conseguir crédito. Mas será que precisa ser assim? De fato, essa costuma ser a lógica das grandes instituições financeiras que, ao colocarem a alta do risco de inadimplência no centro da discussão, perpetuam há anos um modelo pouco inclusivo. 

Mas e se em vez de clientes todos fossem sócios de uma instituição financeira? Com direito a votar e ser votado, podendo opinar e ajudar a decidir os rumos do negócio e poder ser remunerado por isso, independentemente do tamanho da empresa ou renda da pessoa física. Pois é assim que as cooperativas de crédito atuam, promovendo desenvolvimento econômico por meio da inclusão e educação financeira, justiça social e, principalmente, amparando seus sócios nos momentos em que mais necessitam. 

Durante muitos anos o trabalho das cooperativas passou desapercebido pela maioria da população, principalmente nos grandes centros, pois esse modelo de negócio era até então igual a um formigueiro – um trabalho silencioso, com pouquíssima exposição na mídia, mas sempre com muito esforço e pensando na coletividade. E sua efetividade pode ser comprovada pelos saltos de crescimento que as cooperativas tiveram nos momentos mais difíceis da economia.

 Porém, isso vem mudando nos últimos anos, pois existe uma movimentação muito importante no que tange o fortalecimento desse modelo por meio de normas, regras e fiscalizações bem definidas, fusões e incorporações, apoio do Banco Central e o melhor – tudo isso sem perder um de seus princípios mais importantes que é o interesse pela comunidade.  

Todo esse trabalho está começando a ser reconhecido pelas pessoas e empresas que buscam parceiros que realmente se importam com elas. Como nas cooperativas quem demanda atendimento é um sócio, não somente um cliente, a responsabilidade aumenta, pois os recursos movimentados são de todos que participam e é muito importante que se conheça bem cada um deles. Outro fator importante é também viver o dia a dia das localidades onde estão de forma participativa e democrática.

 As cooperativas possuem praticamente todos os produtos e serviços financeiros que os bancos oferecem, podendo atender as principais demandas de todos os públicos, mas com uma abordagem totalmente diferente, extremamente humanizada, levando não só o que está na prateleira, mas também soluções customizadas com melhores condições. E, enquanto vemos a redução ano após ano das agências bancárias, as cooperativas não param de abrir novos pontos de atendimento, que somados hoje representam 18% do total no Brasil. Mais de 450 localidades só possuem as cooperativas como opção de instituição financeira. 

Costumo dizer que o papel das cooperativas é extremamente importante principalmente em comunidades menos favorecidas, pois levam desenvolvimento ao lugar, a humanização do atendimento, a pulverização dos negócios, em vez de simplesmente explorar o que eles têm para oferecer. Vale destacar que toda a riqueza e o fluxo de dinheiro transitado pelas cooperativas ficam na localidade onde estão, fazendo automaticamente que o desenvolvimento seja mais rápido e consistente.

## Protagonismo na pandemia

Essa proximidade junto aos cooperados levou as cooperativas a serem as primeiras a se mobilizarem no início da pandemia, colocando suas estruturas a serviço deles, com prorrogações de operações, aberturas de linhas de crédito para amparar folhas de pagamento evitando assim demissões, negociações e renegociações das mais diversas formas, sem se aproveitarem da situação e, na maioria dos casos, levando a uma redução nas taxas praticadas. 

As linhas subsidiadas pelo governo demoraram a chegar e, quando ficaram disponíveis, os recursos destinados às cooperativas foram incipientes. Porém, com as devidas autorizações, algumas utilizaram recursos próprios nas condições propostas pelo PRONAMPE, por exemplo, para atender parte da demanda reprimida. 

Para se ter uma ideia, em uma pesquisa recente realizada pelo Sebrae com mais de dez mil micro e pequenas empresas e MEIs, que buscaram crédito no mercado durante a pandemia, somente 12% tiveram sucesso nos bancos privados, 9% nos públicos enquanto 31% alcançaram seus objetivos nas cooperativas. 

Portanto, concluímos que esse modelo caipira, próximo e participativo de fazer negócios realmente funciona e pode não só trazer alento para as comunidades mais necessitadas, mas também desenvolvimento por meio da bancarização de pessoas desassistidas por instituições financeiras tradicionais.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

A IA aumentou a produtividade, mas quem está ganhando tempo?

Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

A IA não está substituindo os bancos. Está mudando o trabalho dentro deles.

O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

A Reforma Tributária já não é um tema fiscal. É um tema de supply chain.

O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 08H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução