Estratégia e Execução

Os primeiros 90 dias na crise

Pequenas ações têm enorme impacto nesse período, segundo o especialista

Compartilhar:

> **SAIBA MAIS SOBRE  MICHAEL WATKINS**
>
> Quem é: Professor de liderança e mudança organizacional do IMD, da Suíça, e presidente da Genesis Advisers. Foi professor  de Harvard e do Insead. 
>
> Livros: Os Primeiros 90 Dias (ed. HSM) – eleito pela The Economist “a bíblia do onboarding” – e Your Next Move: The Leader’s Guide to Navigating Major Career Transitions. 
>
> No Brasil: A convite da HSM Educação Executiva, o especialista fará palestra no Fórum HSM de Liderança e Alta Performance, em maio,  em São Paulo.

**5- Muitos líderes estão mudando de lugar na crise que o Brasil vive. Como eles devem agir sob a dupla pressão: serem recém-chegados e o ambiente tenso?**

Qualquer líder está vulnerável no início de um novo emprego. Se o cenário não é dos mais favoráveis, como é o caso do Brasil, a volatilidade e o dinamismo da organização são ainda mais intensos, exigindo uma ambientação ainda mais rápida. O que eu tenho proposto em qualquer mudança é que os recém-chegados sigam meu mapa dos primeiros 90 dias, para se equiparem com estratégias e ferramentas que lhes permitirão definir prioridades e ter resultados rápidos.  A essência dos 90 dias consiste em três etapas: aprender, planejar e executar. No caso do líder brasileiro, aprender é chave: ele tem de entender bem rápido como funciona o novo ambiente e  de quais capacidades precisará para ter resultados ali; depois, trata-se de traçar um plano e ter disciplina para segui-lo. O sucesso costuma vir para quem deixa o passado para trás e se abre a aprender tudo o que pode sobre a nova função.

**4 – O medo de não ter desempenho à altura da expectativa ou de tropeçar é grande. Como gerenciá-lo?** 

Uma estratégia crucial, especialmente para ambientes em crise, é estar antenado com o cenário político da empresa, alimentando as alianças certas.

O novo líder precisa se concentrar em construir relacionamentos com pessoas que agregarão algo a sua função, incluindo as que o chefe respeita – superiores, subordinados, gente de outras áreas. Para identificar essas pessoas-chave, vale pedir ao chefe diretamente que faça uma lista de dez nomes com quem ele recomenda estreitar laços. Depois, é tratar de agendar encontros com elas. Essas coalizões vão ajudá-lo a mapear o espaço e avançar etapas de maneira mais ágil. De modo geral, o novo líder deve estar alinhado com seu chefe e com os assuntos que este valoriza, correndo atrás para avançar neles. E não pode apenas reagir às situações; é importante que tome a iniciativa, negociando com o chefe, estabelecendo expectativas realistas, angariando apoio e recursos para fazer o que acreditam que precisa ser feito. 

**3 – Qual é o erro mais comumente cometido pelo líder recém-chegado?**

Muitos novos líderes cometem erros ao fazer o diagnóstico da situação da empresa. Como não entendem o verdadeiro momento do negócio, acabam tomando decisões erradas sobre o plano estratégico a seguir.  

Na essência, há quatro tipos de planos estratégicos possíveis para qualquer líder: turnaround, realinhamento, startup e crescimento sustentado. Quando o cenário é de crise, como no caso brasileiro, são mais comuns os dois primeiros, justamente os que mais exigem esforço de liderança; são necessárias decisões duras logo no início. Outro erro comum é não estabelecer “vitórias iniciais” que o façam ganhar credibilidade logo. 

Quando isso acontece, é porque houve outros erros. O líder se perdeu no meio das informações novas e não identificou oportunidades promissoras para as vitórias. Ou mudou algo por mudar, para imprimir sua assinatura, alterando processos antes de entender o negócio – e, além de ficar sem a vitória, gerou um problema. Ou criou uma estrutura complexa demais para algo. Ou ficou criticando o passado e seu antecessor, em vez de pôr o foco em novos comportamentos e resultados.

**2 – Dá para construir rápido uma equipe eficiente quando a empresa vive ondas de demissões?**

 Construir equipes em meio a demissões é um desafio e tanto. O medo da mudança cria um clima ruim no time que o novo líder herdou; adicionalmente, é possível que algum membro tenha desejado o cargo dele e se sinta preterido. Por isso, nos primeiros 30 ou 60 dias, é fundamental que ele entenda quem é quem ali. Eu diria que o líder deve focar a equipe no que sabe que precisa fazer, independentemente do que estiver acontecendo na empresa. E, nos primeiros 90 dias, precisa identificar as pessoas desalinhadas e desenhar um plano para corrigir isso. Moldar o time é como consertar um avião em pleno voo: se os reparos forem ignorados, o avião não chegará ao destino.

**1 – Vamos imaginar que um líder está há anos na mesma posição, na mesma empresa. Ele pode aplicar a técnica dos primeiros 90 dias para revitalizar sua carreira?** 

Com certeza. Todo líder pode fazer ciclos contínuos de “primeiros 90 dias”, estabelecendo prioridades:  “Se eu estivesse iniciando neste cargo agora, o que precisaria fazer?”. Isso lhe dará um olhar fresco sobre tudo e sobre todos a seu redor e lhe permitirá desenhar um plano de acordo com as oportunidades e desafios do momento.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução