ESG
7 min de leitura

Profissionais 45+: dominem a obsolescência do conhecimento com o poder dos extreme learners

Em um mundo de conhecimento volátil, os extreme learners surgem como protagonistas: autodidatas que transformam aprendizado contínuo em vantagem competitiva, combinando autonomia, mentalidade de crescimento e adaptação ágil às mudanças do mercado
A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais 45+ sob demanda. Faz parte do Grupo Talento Incluir e é idealizadora do Hub Sênior para Sênior. Foi finalista do ‘Prêmio Inovação Social da Fundação MAPFRE’, na categoria “Economia Sênior” e é acelerada pela Seniortech Ventures. Foi uma das startups convidadas a participar do Fórum ‘Davos Innovation Week’, sobre inovação em Davos (2024) para apresentar o conceito pioneiro de Talent as a Service (TaaS) na contratação de profissionais maduros.
Sócia, COO e Principal Research da Talento Sênior.

Compartilhar:

Em um mundo em constante transformação, no qual a tecnologia e as novas demandas de mercado tornam os conhecimentos obsoletos em uma velocidade nunca vista, o aprendizado contínuo das pessoas deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade. Nesse contexto de rápidas mudanças, emerge o ‘extreme learner’, um profissional com habilidades de aprendizado excepcionais. Aqueles que assumem total responsabilidade pelo próprio aprendizado, sem esperar que o conhecimento lhes seja entregue.

O extreme learner busca ativamente oportunidades de desenvolvimento, diversificar suas fontes de aprendizado e se estruturar com autonomia. O aprendizado, para esses profissionais, é uma jornada constante de autodescoberta e expansão de horizontes.

Entre suas principais características, destacam-se: a autonomia, pois eles definem seus próprios currículos e traçam suas trajetórias de aprendizado; a mentalidade de crescimento, já que compreendem que o aprendizado é um processo interativo e adaptável e a cada nova descoberta redefine o percurso, garantindo uma evolução contínua; o compartilhar conhecimento, pois entendem que aprender em rede é um diferencial e compartilhar informações fortalece comunidades e solidifica o aprendizado próprio; diversificar fontes, porque eles  exploram livros, cursos online, experiências práticas, networking e interação com comunidades especializadas. Além disso, valorizam conexões com iniciativas, organizações e eventos que possam enriquecer seu repertório.

Os extreme learners também têm adaptação contínua, por isso modificam seus ambientes para favorecer o aprendizado, seja participando de grupos de estudo, imergindo em novas realidades ou experimentando diferentes abordagens.

São humildes o suficiente para questionar suas próprias crenças e aprender com os outros, reconhecendo a própria ignorância e se mostram sempre disponíveis a novas perspectivas, praticando self-management, buscando feedbacks e combatendo vieses inconscientes. Mantêm a confiança em si mesmos e veem desafios como aprendizado.

Outra característica desse perfil de profissional é a habilidade para manter o equilíbrio entre solitude e conexão, já que compreendem bem que o foco é um recurso valioso e sabem alternar momentos de estudo individual com trocas enriquecedoras em grupos. Também dominam o aprendizado online e offline, com ferramentas digitais para expandir conhecimentos. Apesar disso, valorizam interações presenciais e experiências que estimulam a criatividade e a serendipidade, que é a soma do acaso com o conhecimento adquirido.

De acordo com o Institute for the Future (IFTF), estamos vivendo uma transformação na forma como aprendemos. O aprendizado está se tornando mais fluido, integrado e contínuo. Nesse novo contexto, os extreme learners estão mais bem preparados para prosperar, graças às habilidades e a mentalidade necessárias para navegar por um mundo cada vez mais volátil e incerto.

O IFTF destaca ainda que as habilidades mais valorizadas no futuro incluem praticar o Sensemaking, ou seja, estruturar o desconhecido para tomar decisões. Ao se deparar com uma nova tendência, é preciso quebrá-la em partes menores e criar um plano estruturado para entender e aplicá-la na sua realidade. Por exemplo, quando um gestor de supply chain percebe que a IA está impactando sua área, ao invés de ignorar essa mudança, ele começa a mapear de que forma a tecnologia pode otimizar processos logísticos e identificar cursos e especialistas para aprofundar seus conhecimentos.

Para profissionais 45+, a necessidade de se reinventar torna-se ainda mais evidente. Enfrentando estereótipos e desafios de requalificação, esses profissionais encontram na mentalidade do extreme learner a chave para continuarem relevantes, desde que mantenham:

  • Habilidades híbridas, que combinam experiência setorial com novas competências digitais;
  • Educação continuada, com investimento em micro certificações e aprendizado rápido, por exemplo, inscreva-se em cursos curtos e de alta aplicabilidade, como os oferecidos pelo Google, Coursera e LinkedIn Learning.
  • Rede intergeracional e multidisciplinar em expansão: participar de grupos interdisciplinares, como meetups e masterminds, para troca de conhecimento.
  • Fortalecer sua marca pessoal, a partir da atualização de currículo e demonstração de capacidade de adaptação e inovação. Por exemplo, você pode começar a compartilhar insights sobre liderança no LinkedIn, atraindo convites para palestras e oportunidades de consultoria. Para isso, escolha uma plataforma digital e comece a compartilhar suas experiências e aprendizados, fortalecendo sua presença profissional.
  • Invista no autogerenciamento (self-management): adote práticas de gestão emocional e organização, como meditação e listas de tarefas inteligentes, como aplicar, por exemplo, técnicas de mindfulness, que melhoram a clareza mental e a produtividade.

Ser um extreme learner é uma escolha de mentalidade em qualquer idade profissional. No Brasil, onde desafios estruturais demandam inovação e resiliência, quem cultivar essa postura estará mais bem preparado para liderar transformações.

A busca incessante por conhecimento transcende a simples competitividade, impulsionando a geração de impacto e a construção de um futuro mais dinâmico e abrangente. Isso se enquadra no conceito de trabalhabilidade que discutimos no artigo anterior e que diz respeito à capacidade de uma pessoa de utilizar a sua inteligência de jornada profissional para gerar valor com visão de futuro. Afinal, o aprendizado não é um destino, é um percurso sem fim. Não está na hora de ajustar esse roadmap?

Compartilhar:

A Talento Sênior é uma empresa de Talent as a Service, que promove a trabalhabilidade de profissionais 45+ sob demanda. Faz parte do Grupo Talento Incluir e é idealizadora do Hub Sênior para Sênior. Foi finalista do ‘Prêmio Inovação Social da Fundação MAPFRE’, na categoria “Economia Sênior” e é acelerada pela Seniortech Ventures. Foi uma das startups convidadas a participar do Fórum ‘Davos Innovation Week’, sobre inovação em Davos (2024) para apresentar o conceito pioneiro de Talent as a Service (TaaS) na contratação de profissionais maduros.

Artigos relacionados

“Strategy Washing”: quando a estratégia é apenas uma fachada

Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos – mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do “strategy washing” e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Como a inteligência artificial impulsiona as power skills

Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

iF Design Awards, Brasil e criação de riqueza

A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Transformando complexidade em terreno navegável com o framework AIMS

Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares – precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Inovação & estratégia, Liderança
29 de agosto de 2025
Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos - mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do "strategy washing" e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Lilian Cruz, Cofundadora da Ambidestra

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Inovação & estratégia
28 de agosto de 2025
Startups lideradas por mulheres estão mostrando que inovação não precisa ser complexa - precisa ser relevante. Já se perguntou: por que escutar as necessidades reais do mercado é o primeiro passo para empreender com impacto?

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de agosto de 2025
Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

Ivan Cruz, cofundador da Mereo, HR Tech

4 minutos min de leitura
Inovação
25 de agosto de 2025
A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Rodrigo Magnago

9 min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de agosto de 2025
Assédio é sintoma. Cultura é causa. Como ambientes de trabalho ainda normalizam comportamentos abusivos - e por que RHs, líderes e áreas jurídicas precisam deixar a neutralidade de lado e assumir o papel de agentes de transformação. Respeito não pode ser negociável!

Viviane Gago, Facilitadora em desenvolvimento humano

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia, Inovação & estratégia, Tecnologia e inovação
22 de agosto de 2025
Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares - precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças, Marketing & growth
21 de agosto de 2025
Em tempos de tarifas, volta de impostos e tensão global, marcas que traduzem o cenário com clareza e reforçam sua presença local saem na frente na disputa pela confiança do consumidor.

Carolina Fernandes, CEO do hub Cubo Comunicação e host do podcast A Tecla SAP do Marketês

4 minutos min de leitura
Uncategorized, Empreendedorismo, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de agosto de 2025
A Geração Z está redefinindo o que significa trabalhar e empreender. Por isso é importante refletir sobre como propósito, impacto social e autonomia estão moldando novas trajetórias profissionais - e por que entender esse movimento é essencial para quem quer acompanhar o futuro do trabalho.

Ana Fontes

4 minutos min de leitura
Inteligência artificial e gestão, Transformação Digital, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
18 de agosto de 2025
O futuro chegou - e está sendo conversado. Como a conversa, uma das tecnologias mais antigas da humanidade, está se reinventando como interface inteligente, inclusiva e estratégica. Enquanto algumas marcas ainda decidem se vão aderir, os consumidores já estão falando. Literalmente.

Bruno Pedra, Gerente de estratégia de marca na Blip

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
15 de agosto de 2025
Relatórios de tendências ajudam, mas não explicam tudo. Por exemplo, quando o assunto é comportamento jovem, não dá pra confiar só em categorias genéricas - como “Geração Z”. Por isso, vale refletir sobre como o fetiche geracional pode distorcer decisões estratégicas - e por que entender contextos reais é o que realmente gera valor.

Carol Zatorre, sócia e CO-CEO da Kyvo. Antropóloga e coordenadora regional do Epic Latin America

4 minutos min de leitura