Liderança

CEOs respondem às nossas expectativas?

Estudo mostra que pessoas estão acreditando mais em empresas e em executivos como responsáveis pelas mudanças sustentáveis e estruturais do País, o que aumenta a cobrança da sociedade por resultados eficientes, e quase que imediatos, do setor privado
Fundadora da #JustaCausa, do programa #lídercomneivia e dos movimentos #ondeestãoasmulheres e #aquiestãoasmulheres

Compartilhar:

Os resultados do *Trust Barometer*, estudo realizado pela Edelman ao longo dos últimos 21 anos, mostram que, no Brasil de 2021, considerando governo, mídia, ONGs e empresas, as organizações privadas com fins lucrativos representam a única instituição em que nós, brasileiros, confiamos.

Nesse momento, de acordo com o estudo, acreditamos que é fundamental trabalharmos, como País, na melhoria do nosso sistema de saúde e de educação, combater a pobreza e as mudanças climáticas.

Além de olhar para esses desafios, acreditamos, segundo a pesquisa, que é necessário encontrar formas de combater as fake news e reduzir as disparidades socioeconômicas. Outra crença fundamental está na proteção das liberdades individuais, o combatendo de discriminações gênero e do racismo.

Todavia, não confiamos que os líderes da sociedade: governo (27%), religiosos (36%), CEOs (45%) e jornalistas (45%). Por outro lado, sinalizamos uma maior propensão em depositar confiança nas pessoas da comunidade local (54%), no CEO da nossa empresa (66%) e nos cientistas (76%).

Contudo, para um pouco mais de dois terços dos brasileiros entrevistados na pesquisa, líderes de governo (67%) e líderes empresariais (68%) tentam enganar as pessoas de propósito, dizendo coisas que sabem ser falsas ou grosseiramente exageradas.

Nesse contexto, todos os porta-vozes perderam credibilidade, mas “uma pessoa como você” ainda é, de longe, a mais confiável para 74% de nós, se comparada com o CEO (47%), o diretor da empresa (46%) e um funcionário comum (37%).

## A confiança é local

“Meu empregador é o mais confiável”: para 66% de nós, a comunicação da empresa em que trabalhamos tem a maior credibilidade entre todas as outras fontes de informação – governo (57%), imprensa (54%), publicidade (53%), grandes corporações (52%), redes sociais (42%).

Individualmente, expressamos que quereremos priorizar a família e suas necessidades, melhorar nosso letramento em mídia e informação, assim como nosso letramento científico, ser politicamente consciente e nos manifestar quando vemos a necessidade de mudanças e reformas.

Segurança para não contrair a covid-19, produtividade e equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional são os principais fatores que regem nossa escolha por trabalho remoto (52%) ou presencial (48%), atualmente.

## Expectativas sobre CEOs e empresas

Esperamos que as empresas, em especial CEOs, preencham o vazio deixado pelo governo: 68% acreditam que líderes executivos devem interceder quando o governo não resolver problemas da sociedade, 60% acreditam que [CEOs devem tomar a iniciativa de mudanças](https://www.revistahsm.com.br/post/o-ceo-que-lava-louca-e-a-importancia-da-vulnerabilidade) ao invés de esperar que o governo as imponha, e 54% acreditam que CEOs devem assumir suas responsabilidades perante o público, e não somente perante a uma diretoria e acionistas.

A imensa maioria de nós, 90% dos brasileiros, espera que CEOs se manifestem publicamente sobre uma ou mais questões como o impacto da pandemia (65%), a automação do trabalho (59%), problemas da sociedade (59%) e problemas da comunidade local (47%).

As empresas ganham mais confiança ao serem guardiãs da qualidade da informação, adotarem práticas sustentáveis, terem uma resposta robusta à covid-19 em termos de segurança e saúde, impulsionarem prosperidade econômica e pensarem no longo prazo, em detrimento dos lucros no curto prazo.

Já as principais expectativas na relação das pessoas com as empresas são: manutenção de trabalhadores, segurança dos clientes, comunicação constante com os empregados, a diversidade e a representatividade da força de trabalho, assim como programas de treinamento em habilidades profissionais.

Consumidores (73%) e empregados (71%) acreditam que têm o poder de provocar mudanças nas corporações, e 55% dos brasileiros que hoje estão empregados afirmam que estão mais propensos a manifestar suas objeções à gestão ou a se envolver em protestos no local de trabalho, do que estavam um ano atrás.

## Integral e com propósito

Em resumo, queremos trabalhar em empresas que assumam responsabilidades ampliadas, com o CEO na frente em questões que vão desde a sustentabilidade e o racismo até a requalificação. Queremos o agir primeiro, e o falar, depois.

Também esperamos que [empresas liderem com fatos e ajam com empatia](https://www.revistahsm.com.br/post/o-cuidado-como-proposito-de-lideranca). Líderes devem ter a coragem de promover conversas francas, mas também de abordar os medos das pessoas com empatia. E fornecer conteúdo confiável, além de não agir isoladamente.

Cada vez mais esperamos que empresas, governos, ONGs e outras instituições encontrem um propósito comum e tomem medidas coletivas para solucionar os problemas da sociedade.

Quanto mais uma empresa for movida por um propósito que a torne um agente eficaz de mudanças positivas, com honestidade, uma visão de futuro que atenda os interesses de todos, equidade e justiça, tanto mais ela será capaz de atrair pessoas para seus times.

*Gostou do artigo da Neivia Justa? Saiba mais sobre questões que envolvem a cultura e a sociedade brasileira assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e ouça[ nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o evento é sobre cultura, por que a decisão ainda é sobre logística?

À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Inovação & estratégia
20 de julho de 2026 14H00
Sem maturidade informacional, a IA não elimina problemas, apenas os torna mais rápidos e mais difíceis de controlar.

Bergson Lopes - Fundador e sócio-diretor da BLR DATA, Vice-presidente da DAMA Brasil

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo